Meus jogos favoritos de 2020 — Carlos Cirne

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.



2020 foi um ano estranho, não é mesmo? Até a minha relação com os games foi meio atípica neste período. Para começar, fiquei de fora da febre Animal Crossing, o "fenômeno da quarentena". E, com exceção de The Last of Us Part II, pouco joguei os gigantes do ano, como Final Fantasy 7 Remake, Ghost of Tsushima, Marvel's Avengers e Doom Eternal.

Como fervoroso fã de games retrô que sou, meu 2020 foi mais um ano tomado por clássicos do passado: revisitei jogos do Mega Drive, TurboGrafx-16, Super Nintendo, NES, Sega CD, Master System etc. Mas, entre uma velharia e outra, brinquei com alguns games do momento, tanto indies como AAA.


Abaixo, destaco alguns dos títulos lançados esse ano que mais me agradaram. Sinto que Ghost of Tsushima entraria nessa lista com facilidade, mas, como recém comecei minha campanha no game da Sucker Punch, achei melhor deixar de fora.

Hades

O mais festejado indie de 2020 não é uma sensação por acaso. Ouvi falar tanto do jogo da Supergiant Games que, quando fui jogar, estava achando que era puro hype. Ledo engano! Hades esbanja personalidade e qualidade, com uma narrativa amarrada de uma maneira inacreditável para um game do estilo "rogue". 

Com atuações fantásticas das vozes por trás dos personagens — todos baseados na mitologia grega —, o jogo entrega uma ação frenética que exige reflexos rápidos, estratégia e algumas pitadas de sorte a cada "corrida". Normalmente evito roguelikes, mas Hades é, na verdade, um roguelite, com um senso de evolução que faz o loop de gameplay se tornar extremamente viciante. É o legítimo "só mais uma partida". Para mim, é um forte candidato a jogo do ano!

Huntdown

Ah, os anos 1980 na cultura pop! Mesmo que aquela década não tenha sido tão cheia de neons coloridos e músicas sintetizadas como gostamos de imaginar, é inegável que essa estética sonora e visual é muito cativante. E Huntdown vai muito além da simples apresentação audiovisual: o jogo entrega um gameplay de plataforma e ação com progressão lateral que transborda aquela personalidade dos títulos arcade que marcaram época. 

A jogabilidade é extremamente satisfatória, com armas variadas e chefões desafiadores. Neste meu 2020 recheado de nostalgia, Huntdown foi mais um título novo com pegada retrô que joguei e curti muito!

Stories Untold

Esse título foi uma enorme surpresa para mim. Com músicas e ambientação marcantes que remetem aos anos 1980, Stories Untold brinca com mecânicas consagradas de vários gêneros dos games: toques no teclado virtual numa aventura de texto; exploração tensa e silenciosa à lá survival horrors e walking simulators; inteligentes puzzles de quebrar a cabeça, entre outras cartas na manga.

E, apesar de cada capítulo contar uma história em um cenário diferente, a narrativa geral vai se amarrando conforme viramos as páginas deste intrigante jogo. Mesmo recheado de referências, Stories Untold conseguiu ser original e interessante em suas quase duas horas de aventura. O título passou despercebido pela maioria dos jogadores, mas eu não me arrependi de ter lhe dado uma chance. 

Streets of Rage 4

Beat 'em ups são quase terapêuticos para mim, então foi uma enorme alegria voltar ao nostálgico mundo de Streets of Rage. Quando eu era moleque, vivia gastando fichas nos fliperamas jogando games de pancadaria como Tartarugas Ninja, Captain Commando e Final Fight. Em casa, não era muito diferente: Streets of Rage era figurinha carimbada no meu Mega Drive.

No entanto, apesar de ser um fã deste estilo de jogo, eu reconheço todas as suas limitações. Streets of Rage 4 conseguiu driblar a repetitividade do gênero com novas mecânicas muito bem-vindas — em especial os combos e o sistema de golpes especiais. Além de me divertir trocando sopapos com os vilões em um game muito caprichado, pude testemunhar o renascimento de uma franquia querida e adormecida há muito tempo. Que venham mais continuações de clássicos dessa era maravilhosa!

Bloodstained: Curse of the Moon 2

Depois da surpresa super positiva que foi o primeiro Curse of the Moon, eu tinha certeza que esta sequência também seria excelente. Para os fãs da saudosa série Castlevania, os títulos imaginados pelo ex-Konami, Koji Igarashi, e executados com maestria pelos mestres dos games retrô da Inti Creates, é nostalgia pura: ação e plataforma com pegada e visual que parecem ter saído direto do 8-bits da Nintendo!

Mas isso vem sem deixar de lado as melhorias que os últimos 30 anos de videogames nos proporcionaram. Cada personagem liberado no decorrer da aventura adiciona elementos únicos para a ação e exploração dos ambientes, aumentando muito o fator replay. Num ano difícil como 2020, jogar Curse of the Moon 2 foi um afago na alma deste órfão de Castlevania que vos escreve.

Mafia: Definitive Edition

Apesar de ganhar o título de Definitive Edition, a verdade é que este é um remake completo e extremo do pouco apreciado primeiro jogo da série Mafia. E isso é bom e ruim, depende do ponto de vista. O lado bom é que esta nova versão aprimorou todas as mecânicas de jogabilidade, deixou o visual mais bonito (mesmo que não seja um primor para 2020) e reformulou algumas das missões mais quebradas do título original — estou olhando para você, fase da corrida. 

Mas para mim, que joguei o esquecido clássico de 2002 incontáveis vezes, parece que o charme se perdeu um pouco. O protagonista não é mais o rapaz inocente que caiu de paraquedas numa família da máfia, e o clima noir e romântico do original, com narrações "em off" típicas do gênero, mudou para um tom mais agressivo e moderno. Isto posto, achei fantástico revisitar a Lost Heaven dos anos 1940 e lembrar como este jogo foi muito à frente de seu tempo. Merece uma segunda chance!

Resident Evil 3

Pelo visto, 2020 foi mais um ano de remakes e continuações polêmicas. Resident Evil 3 não agradou os velhos fãs por diminuir a carga de puzzles, focar muito mais no combate, e por ter cortado e alterado trechos emblemáticos do roteiro original de 1999. Eu, como velho fã que sou, concordo que esses problemas existem, mas ainda assim me diverti pra caramba revisitando (de novo) essa Racoon City em frangalhos.

Assim como a reimaginação (como a Capcom gosta de chamar) do ano anterior, este aqui conta com uma jogabilidade quase perfeita, exploração dinâmica e ambientação fantástica. Sem contar que o infame vilão Nemesis está mais assustador do que nunca! É incrível como a Capcom conseguiu fazer destas releituras de seus clássicos uma mistura de nostalgia com algo realmente fresco e original. O pacote também conta com a adição do jogo Resistance, um multiplayer isométrico tão genérico e sem graça que, depois de duas ou três partidas, me dei por satisfeito e tirei o disquinho do console.

The Last of Us Part II

Quem diria que depois da consagração ENORME do primeiro The Last of Us, o segundo jogo da série seria tão controverso? Diferente da maioria dos revoltados fãs, eu apreciei a tentativa ousada das mentes criativas por trás do título de provocar nossas expectativas e pré-disposições. Deu certo? Bom, aí é outra história. Mas é inegável que a narrativa é potente e desperta sentimentos contraditórios.

São obras deste tipo que fazem novas mídias, como os videogames, evoluírem, mesmo quando o resultado não é exatamente o que a gente espera ou deseja. Dito tudo isso, e apesar de achar que o jogo se arrastou um pouco demais, o gameplay refinado, atuações impecáveis e visual estonteante fazem deste um game ímpar. Sem mais delongas, é o meu jogo do ano!

Revisão: José Carlos Alves

Comunicador e colecionador. Já foi Sega kid e Nintendo kid, agora é retro "kid". Está no Twitter em @carloscirne e faz vídeos no YouTube no canal CirneStuff.
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