Jogamos

Análise: The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV (PS4) encerra a saga de forma satisfatória

O capítulo final da franquia não traz muitas novidades, mas não deixa de ser um ótimo encerramento da história de Rean.


Sete anos após seu início, em setembro de 2013, a série Trails of Cold Steel, da franquia de jogos The Legend of Heroes, chega ao seu fim no quarto título da saga. Apesar de ter sido lançado em 2018 no Japão, o jogo chega só agora ao Ocidente para mostrar seu grande encerramento para o resto do mundo.


Confira, em nossa análise, se Trails of Cold Steel IV faz jus ao nome da série e conclui sua história de forma digna.

O fechamento de um grande ciclo

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV acontece duas semanas após os acontecimentos de seu antecessor, onde o Chanceler Osborne conseguiu prosseguir com seus planos e mantém Rean Schwarzer sob seu controle, no Black Workshop, após o Great Twilight. Juna, Kurt e Altina, alunos da nova Classe VII do Instrutor Rean, acordam no protegido vilarejo de Eryn. Ao descobrir que seu instrutor está sumido e sob controle da maldição de Erebonia, o grupo sai em busca, com a ajuda de velhos e novos amigos, de pistas que os levem a Rean enquanto tentam evitar que uma nova guerra se instaure no continente.

O jogo traz um enredo cativante que encerra a saga de forma muito boa e satisfatória para os fãs de Trails of Cold Steel. Dezenas de personagens que apareceram no decorrer dos quatro títulos retornam ao novo jogo, muitos deles podendo ser jogáveis, mas sem tirar o protagonismo da “nova” Classe VII. A campanha garante muitas dezenas de horas e evita se tornar cansativa ao apresentar uma boa diversidade de inimigos. Mas, apesar disso, o enredo avança de uma forma não muito consistente, revezando entre momentos extremamente marcantes e diálogos desnecessários e sem relevância para a história.

Para jogadores de primeira viagem, o jogo disponibiliza um “resumo” dos três títulos anteriores em formato de textos em inglês, mas são bastante cansativos de ler, além de ser uma forma não tão convidativa para novos jogadores conhecerem a saga. Caso não tenha jogado os outros títulos, aconselho começar pelo primeiro para não ficar tão perdido por muitos horas em Cold Steel IV.



A mesma fórmula que sempre dá certo

A jogabilidade de Cold Steel IV, que já se mostrou muito bem definida e desenvolvida no último jogo, não teve mudanças tão perceptíveis em comparação com seu antecessor. O JRPG consiste em um sistema de combate em turnos, em que vários inimigos podem ser enfrentados em uma única batalha. Os ataques podem ser físicos, magias e técnicas específicas dos personagens, todos utilizando pontos de energia para serem executados.

Os sistemas de Arts, Quartz, Crafts e S-Crafts e Combat Links continuam, praticamente, a mesma coisa. Até mesmo a interface do sistema de batalha teve mudanças pouco perceptíveis. Diversas formas de conduzir as batalhas tornam o jogo bastante dinâmico, mas leva um bom tempo e paciência para pegar o jeito de tantos detalhes e estratégias de combate.




Os Panzer Soldats, robôs no maior estilo Megazords, também fazem seu retorno ao jogo. Eles possuem uma forma de combate bastante diferente dos heróis e são utilizados em momentos bastante específicos e espaçados. Os primeiros confrontos são bem divertidos, mas com o tempo ficam fáceis e repetitivos, uma vez que sua equipe costuma ficar em vantagem e é muito previsível quando é necessário se defender de um próximo ataque do inimigo.

Os fãs de longa data vão perceber uma alteração maior no break damage (para deixar os inimigos impossibilitados de atacar), que está um pouco mais fraco, além de algumas Ordens, que concedem vantagens ao grupo durante as lutas, terem sido “nerfadas”.



Simples mas que funciona

Os fãs de Trails of Cold Steel poderão revisitar diversas localidades exploradas nos sete anos da saga, mas com algumas mudanças de cenários para incorporar novas explorações, áreas de itens e recursos. Os gráficos são muito bonitos e claramente melhores que seu antecessor, mas ainda assim bastante simples e bem otimizados. Não houve um momento em que percebi quedas de frames ou lentidão de renderização. A trilha sonora é bastante empolgante, mas que poderia alternar com uma frequência um pouco maior. Outro ponto positivo são os carregamentos muito rápidos, várias vezes sequer chegando a mostrar o ícone de loading.

No decorrer da campanha são desbloqueados minigames de cartas ou no maior estilo Puyo Puyo, em que se joga contra outros personagens para garantir créditos e recursos exclusivos. Infelizmente, o jogo não conta com legendas em português, o que é totalmente aceitável devido à sua extensão (já que a versão em inglês saiu dois anos após o lançamento oriental), mas que dificulta o entendimento de toda a extensa história para quem não domina o idioma.



Encerramento digno de uma grande saga

Trails of Cold Steel IV chega ao seu fim, após sete anos de história, ao trazer uma conclusão satisfatória para os fãs da saga e reunir dezenas de personagens que conhecemos no decorrer dos jogos. Apesar de manter o mesmo sistema de combate, com alguns nerfs em coisas específicas, a jogabilidade é divertida e consistente. O jogo é um belo serviço aos fãs, entregando dezenas de horas de conteúdo para encerrar a trama de forma digna.

Prós

  • Enredo cativante;
  • Dezenas de horas de campanha;
  • Jogabilidade divertida;
  • Bons gráficos e muito bem otimizados;
  • Repleto de momentos marcantes para os fãs;
  • Carregamentos rápidos.

Contras

  • Localização apenas em inglês e japonês;
  • Trilha sonora boa, mas um tanto quanto repetitiva;
  • Muitos diálogos irrelevantes para a história.


The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV – PS4 – Nota: 9.0

Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.


Disqus
Facebook
Google