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Análise: Hotshot Racing (Multi) é o poder da nostalgia 32-bits sobre rodas

Visual colorido, chamativo e ótima trilha sonora te colocam no clima dos clássicos jogos de corrida dos anos 1990.

Nunca conheci outras pessoas além de mim que tivessem o folclórico 32X, da Sega. O aparato era acoplado à entrada de cartuchos do Mega Drive III e permitia que ele rodasse jogos com uma qualidade gráfica superior, com efeitos tridimensionais. Dos títulos desenvolvidos para este periférico, um dos que mais curti foi Virtua Racing Deluxe, um jogo de corrida simples que só tinha três carros e três pistas, mas que ainda assim joguei à exaustão.


Mais de 25 anos se passaram e chegou às minhas mãos Hotshot Racing (Multi). Um interessante arcade de corrida que trouxe exatamente a mesma sensação daquela época de maneira bastante competente. Ele provou que, em meio a diversos simuladores e nomes que primam pelo realismo, a boa e velha diversão casual com ambientes coloridos ainda chamam a atenção atenção.

Clássico raiz

Hotshot Racing traz modos de jogo bem característicos do gênero. O principal é o Grande Prêmio, que é um torneio de quatro corridas que pode ser disputado em três dificuldades: Normal, Difícil e Especialista. Cada dificuldade rende uma taça e, ao concluir qualquer Grande Prêmio, vemos uma cena de encerramento para nosso piloto, o que é incomum para o estilo e uma adição até que bacana.

Porém, retomando a parte de desbloquear acessórios, alguns deles têm como requisito a conclusão de um torneio com cada personagem e usando carros distintos. Dessa maneira, mais uma vez o jogo força a repetição de ações. Seria mais objetivo se os desbloqueáveis fossem para todos ou pelo menos por piloto, assim exigiria só um quarto do trabalho e ainda assim seria divertido.


Além do Grande Prêmio o jogador pode fazer uma prova simples no Arcade, correr ao estilo de Polícia e Ladrão, batendo nos adversários até que eles se rendam, ou acelerar com tudo no Dirija ou Exploda, que nos obriga a aumentar nossa velocidade a cada checkpoint para não irmos pelos ares. Por fim, temos também o bom e velho Contra o Tempo, onde cravamos nossas melhores marcas em cada pista.

O jogo possui multiplayer local com tela dividida e online. Como o jogo foi recebido antecipadamente, não tivemos como avaliar como as jogatinas em rede se desenvolvem, mas é possível realizar partidas casuais e ranqueadas, tanto de corridas tradicionais quanto dos outros modos.

Sinto cheiro de ouriço…

Hotshot Racing tem uma jogabilidade bastante simplificada. Você pode acelerar, brecar, ativar um turbo e usar o freio para deslizar pelas curvas. Inclusive é esse drift, em conjunto com o vácuo dos adversários, que enche a barra de turbo, que tem quatro partes.

Estes comandos são intuitivos e, não por acaso, lembram muito Team Sonic Racing (Multi). Talvez o fato da Sumo Digital ter colaborado no desenvolvimento do jogo tenha influenciado nisso – além da composição do jogo como um todo –, o que não é nenhum demérito. Os controles respondem de maneira ágil e não é necessário mais do que uma corrida para que o jogador se sinta à vontade ao volante do seu bólido.

O traçado de cada uma das 16 pistas também é bastante tranquilo, sem curvas mega acentuadas ou composições com setores complexos. Para compensar essa simplicidade, as paisagens coloridas, inspiradas em parques de diversão, vulcões, savanas e até uma terra habitada por dinossauros, fazem um contraste interessante, dando a cada circuito um aspecto singular. A trilha sonora única de cada lugar também ajuda muito a criar o ambiente nostálgico perfeito para disputas cheias de adrenalina.

O que pode cortar um pouco a curtição de cada volta é a insistência dos oponentes em te acertar. Algumas vezes parece que o objetivo é tirar seu pobre carrinho da pista em vez de cruzar a linha de chegada. É praticamente impossível completar uma corrida sem tomar uma cacetada de alguém.


Os pilotos e carros também seguem esta mesma métrica chamativa das pistas. São cerca de oito corredores, cada um com quatro veículos diferentes, que podem ser customizados com partes e novas paletas de cores liberadas conforme eles são utilizados.

É nessa hora que as coisas podem se tornar um pouco cansativas, uma vez que são necessárias algumas corridas para liberar tudo para um automóvel só. Desbloquear o restante para todos os 32 requer um pouco mais de paciência, uma vez que a tarefa se torna repetitiva.

Os bons tempos sempre voltam

Hotshot Racing cumpre muito bem com o papel que se propõe: ser um divertido arcade com base nos jogos da era 32-bits. A adição de pilotos e um final próprio para cada um é um toque bacana que até faz com que criemos empatia e acabemos elegendo nosso favorito. Entretanto, o jogo poderia pegar mais leve ao exigir o uso exaustivo de um carro só para desbloquear tantos acessórios.

Ainda assim, este é um belo exemplo de escolha perfeita para aquelas tardes de final de semana, para se jogar no sofá acompanhado dos amigos, como era nos velhos tempos.


Prós

  • Visuais coloridos e chamativos;
  • Cenários bem diversificados;
  • Pilotos com animações e cenas próprias;
  • Enorme diversidade de carros;
  • Excelente trilha sonora.

Contras

  • Desbloquear acessórios exige que se jogue repetitivamente com cada carro;
  • Fechar muitas vezes os mesmos GPs, só mudando a dificuldade, também aumenta a sensação de repetitividade;
  • A inteligência artificial está mais interessada em te matar do que ganhar a corrida.
Hotshot Racing — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: José Carlos Alves
Análise feita com cópia digital cedida Curve Digital

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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