Jogamos

Análise: Ultracore (Multi) é uma pérola resgatada da era 16-bits que oferece um ótimo desafio

O jogo usa a nostalgia a seu favor para garantir a diversão de quem foi habituado aos run and guns dos anos 90.

Os fãs de jogos ao estilo Contra ganharam mais um título para ser adicionado à sua biblioteca. Ultracore (Multi) traz tudo o que se pode esperar de uma mistura de run and gun com metroidvania, garantindo boas horas de diversão para quem curte um desafio mais acelerado.

Salvo no último minuto

Antes de mais nada, é preciso entender a origem de Ultracore. Ele foi desenvolvido pela Digital Illusions em 1994 sob o nome Hardcore e seria lançado para Sega Genesis, Amiga e Sega CD. Porém, a Psygnosys, que distribuiria o game, achou que ele não faria sucesso, uma vez que os consoles de 32-bits estavam para chegar no mercado, trazendo diversas inovações e melhorias, com uma biblioteca bem mais elaborada. Então, mesmo praticamente finalizado e com algumas prévias publicadas em revistas, Hardcore foi cancelado.

O tempo passou, o projeto foi engavetado e a Digital Illusions tornou-se a DICE, responsável por nomes expressivos como Battlefield, Mirror's Edge e Star Wars Battlefront. Mesmo com Hardcore nunca tendo chegado ao mercado, alguns vídeos do jogo foram vazados, o que ajudou a gerar interesse neste título esquecido.

Em 2018, a publisher alemã Strictly Better Games revelou que teria interesse de trazer o projeto de volta e finalizá-lo. A ideia foi bem aceita e a equipe, que tinha em sua composição nove ex-funcionários da DICE, incluindo um de seus fundadores, utilizou um kit de desenvolvimento de Sega Genesis para terminar o projeto. Assim, ele foi rebatizado de Ultracore, para evitar problemas legais, e lançado para PlayStation 4, PlayStation Vita e Nintendo Switch.

Fiel às suas raízes

Ultracore foi finalizado para ser exatamente como seria em 1994; logo, não seria novidade que o título apresentasse alguns aspectos que são considerados ultrapassados na atual geração. Os desenvolvedores até tentaram adicionar novas fases que incluíam a pilotagem de um tanque, porém isso acabou ficando de fora.

Basicamente, a aventura conta com cinco fases até que longas e repletas de inimigos, incluindo cerca de dois chefes em cada. O ambiente em si pode não ser muito variado, mas como a narrativa é baseada em combater máquinas que estão dominando uma terra devastada, é compreensível que, mesmo com o avanço pelos estágios, tudo pareça a mesma coisa em algumas partes. É possível finalizar o jogo entre duas e quatro horas sem grandes dores de cabeça.

Controlamos uma protagonista que executa pulos altos e pode atirar em tudo que se move. Com o analógico esquerdo controlamos seu movimento, e com o direito a direção dos disparos, que podem ser feitos em todas as direções, incluindo diagonais e na vertical. Já os saltos podem dar um pouco de trabalho quando envolvem plataformas, mas nada que um pouco de prática não resolva. É possível transitar livremente pelo cenário, uma vez que devemos revisitar alguns lugares após achar cartões de acesso ou acionar alavancas.

As batalhas contra os chefes — grandes robôs com um poder devastador — merecem destaque por serem bem bacanas. Não se trata de uma inovação, mas eles têm diferentes padrões de ataque que exigem atenção do jogador na hora de escapar. Não basta ficar só atirando e pulando, é necessário ter uma esquiva precisa ou eles vão consumir algumas vidas preciosas.


Possuímos uma arma básica com tiros infinitos. Outras podem ser encontradas pelo caminho e, uma vez adquiridas, usadas livremente; todas partilham da mesma quantidade de munição, que pode ser achada ao longo do jogo. Existem pequenos itens que servem para aumentar a força dos disparos. Cada arma pode ser aprimorada duas vezes, e podemos ainda usar bombas, que servem para liquidar diversos inimigos de uma vez só.

Caminhos secretos através das paredes podem ser encontrados depois do uso das bombas, disparando-as em rachaduras ou até mesmo indo em direção a um beco, que esconde um novo corredor. Nestes locais, estão diversos itens úteis como munição, vidas, moedas (que dão uma vida extra a cada 50 coletadas) e relógios, que aumentam o contador de tempo que o jogador tem disponível para a conclusão da fase.

Não custava nada…

Infelizmente, Ultracore não possui nenhuma adição relevante, se mantendo restrito ao que já havia sido projetado. O único diferencial acrescentado foram efeitos sonoros mais elaborados. O menu principal nos dá a opção de escolher se a reprodução deles será a clássica ou a nova.

O jogo segue os moldes do controle padrão do Genesis, que possuía apenas os botões A, B e C. Logo, só é possível utilizar esta configuração, sem outras possibilidades de customização, fazendo com que sobre um botão no layout dos controles atuais (triângulo para PS4/PSVita e X no Nintendo Switch). Nele, foi colocada a função de tiro rápido, onde basta segurá-lo e vários disparos consecutivos são realizados.

O que o menu de comandos não mostra é que os tiros também podem ser feitos com os gatilhos, o que torna tudo muito mais confortável. Ainda assim, não seria de todo um mal poder escolher livremente a função de cada botão.

Por fim, e talvez o mais importante: o jogo não tem a opção de salvar seu progresso. Caso haja necessidade de parar a jogatina, é necessário colocar um código (bem extenso) para continuar, que só é obtido após passar de cada fase. Não custava nada colocar alguns save points pelo caminho, como nos diversos terminais computadorizados, por exemplo. Eles servem para ativar portas e elevadores, e contêm o mapa de cada área. Cairia como uma luva encaixar esta funcionalidade no menu dos terminais.

Pura nostalgia

Ultracore é uma daquelas lendas antigas que felizmente saiu do imaginário e veio para a vida dos jogadores. É ótima a nostalgia que o jogo traz, mesmo que mais de 25 anos depois de ser projetado. Também não dá para fugir da sensação dele estar um pouco ultrapassado, mas para quem busca uma diversão clássica, ele é a escolha ideal.

Prós

  • Desafiador na medida certa;
  • Batalhas contra os chefes são bem divertidas;
  • Trilha sonora remixada e moderna;
  • Jogabilidade rápida e precisa.

Contras

  • Não é possível customizar os botões;
  • Só existe a opção de continuar via password, pois o jogo não tem salvamento;
  • Não tem como assoprar a fita.
Ultracore — PS4/PSVita/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela ININ Games


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


Disqus
Facebook
Google