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Análise: Lost Wing (Multi) é um jogo criativo e bem feito, mas peca pelo conteúdo raso

Atire, esquive e fuja de planetas que vão fazer de tudo, até te virar de ponta cabeça, para arrancar suas asas.

Desde 2017 Lost Wing (Multi) esteve em early access na Steam. Agora, devidamente acabado, ele chega também para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Neste título pilotamos uma nave que se desloca velozmente em territórios hostis em busca de grandes pontuações. Porém, será que este é só mais um “jogo de navinha” ou será que possui algum diferencial?

Cuidado por onde anda

No comando da nave devemos nos deslocar em linha reta superando obstáculos diversos, seja desviando ou atirando. Entretanto, é necessário pensar muito bem quando atirar, uma vez que gastamos energia a cada disparo dado. Para acumularmos este recurso, devemos manter a aceleração constante e coletar esferas luminosas que estão espalhadas pelo caminho.

Outra função disponível que também consome nossa energia, e de maneira bem mais rápida, é a de desacelerar o tempo. Com ela, tudo se torna extremamente mais lento, o que possibilita passar com mais facilidade em trechos estreitos ou repletos de obstáculos. Apesar de ter alguma utilidade, acabamos esquecendo desse recurso, uma vez que se torna cada vez mais intuitivo se deslocar com rapidez durante o trajeto. Vale citar que só possuímos três vidas e, se perdermos as três, devemos recomeçar tudo do início, independente do quanto avançamos.


Tudo ocorre muito bem até uma “certa anomalia” – palavras do próprio jogo – interferir no ambiente. Aos poucos a tela vai girando e por alguns segundo temos que controlar o jogo de ponta cabeça. A ideia de ter uma alteração no ambiente que indique a presença de uma ameaça maior é interessante, mas atrapalhar o desempenho do jogador de maneira tão abrupta, não. Chega a ser frustrante fazer uma boa corrida para alguns segundos de câmera invertida e controles embaralhados acabarem com um desempenho perfeito.

Se sobrevivermos à reviravolta momentânea, logo encontraremos o chefe do local, com o qual iniciaremos uma batalha. Diferente da parte corrida de cada fase, as batalhas contra os chefes podem ser um pouco mais cruéis com os jogadores, pois elas se tornam um pouco cansativas por serem tão longas. Após derrotá-los o trajeto fica livre para que sejam obtidos mais pontos, sem nenhum tipo de recompensa.


Ao longo do caminho podemos sofrer dano, o que resulta na perda de nossas asas. Quando isso acontece a pilotagem fica bem mais difícil e, se perdermos as duas ao mesmo tempo, tudo fica bem mais complicado. Conseguimos um conserto para este problema ao atingirmos um checkpoint ou ao coletarmos um item que nos devolve nosso aparato e nos faz recuperar estabilidade.

Além deste item, existem alguns outros pelo caminho, mas que nem são tão úteis. Nossa nave pode ter seu tamanho aumentado, o que deixa as manobras evasivas bem mais desafiadoras, ou diminuído, o que aumenta seu poder de esquiva, mas deixa ela do tamanho de uma azeitona de tão pequena. O mais útil de todos é um pequeno robô, que fica ao nosso lado durante um curto espaço de tempo atirando em objetos, o que ajuda bastante na hora de eliminar objetos mais frágeis pelo caminho.

Apesar de existirem três tipos de naves, cada uma com seu tipo de tiro diferente, faz falta em certos momentos um power up que fortificasse ou modificasse nosso poder de fogo, principalmente contra os chefes. Por fim, e o mais irritante, existe um sinal que vira a tela de ponta cabeça (sim, de novo) em um flash.

É só isso?

Ao todo existem três planetas: Industrial, Floresta e Canyon. Cada um deles possui uma bela identidade visual, tanto no ambiente quanto nos elementos que compõem o trajeto. Tudo isso é complementado com luzes neon que indicam o nível de energia da nave, sendo vermelho para muito baixo e azul para alto, e uma trilha sonora que combina perfeitamente com a ação e velocidade que se misturam na tela.

Além da campanha principal, na qual devemos derrotar os chefes de cada lugar, é possível liberar outros modos de jogo para cada uma: Blast, no qual devemos percorrer uma distância determinada marcando o maior número de pontos; Turbo, no qual o objetivo é chegar até o final intacto; e Precision, que nos dá a tarefa de atravessar arcos espalhados pelo cenário para progredirmos.


Para liberarmos estes outros modos, assim como novas naves, cores e dificuldades, devemos acumular experiência, que é adquirida ao percorrermos repetidamente cada trajeto. Começamos apenas com o Planeta Industrial liberado, o que torna o grinding inicial um pouco cansativo. O que ajuda a quebrar um pouco a monotonia inicial é a forma aleatória como se inicia cada campanha, o que torna cada corrida única (ou quase). Se por acaso nós explodirmos nossa nave após um checkpoint, o reinício será sempre igual, mesmo em outras jogadas.

Com uma composição visual tão chamativa, que consegue seduzir o jogador a tentar de novo mesmo com a repetitividade inicial, é uma pena que o título não possua pelo menos mais uns três ou quatro mundos diferentes. Usando o espaço como tema, inspirações não faltariam para produzir mais ambientes e até novos chefes.

De ponta cabeça, mas se virando

Lost Wing traz uma mecânica bacana e um visual muito bem composto, que encaixa de maneira certeira com a sua trilha sonora. O que pesa um pouco contra é seu conteúdo, que consegue cativar o jogador e logo em seguida o frustra por não oferecer mais e a lentidão para começar a ganhar alguma recompensa após juntar um pouco de experiência. A ideia de deixar o jogo de ponta cabeça também é algo totalmente anticlimático, que não faz falta alguma e poderia ser deixado para lá. Ainda assim, sua jogabilidade viciante faz com que quem se aventure por estes planetas continue voltando para novas corridas.


Prós

  • Identidade visual de cada planeta muito bem apresentada e única;
  • Excelente trilha sonora;
  • Jogabilidade rápida e precisa.

Contras

  • Pouca variedade de conteúdo;
  • Batalhas contra os chefes são um pouco complicadas e não oferecem nenhum tipo de bonificação após sua conclusão. É possível apenas seguir pela fase até perder todas as vidas;
  • Os momentos em que a câmera gira;
  • Power ups sem graças.
Lost Wing — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: José Carlos Alves
Análise feita com cópia digital cedida pela 2Awesome Studio


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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