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Análise: Jet Lancer (PC/Switch) — cortando os céus em um intenso shoot’em up

Desvie de balas e faça movimentos estilosos neste frenético título de ação e tiro no ar.


Combates aéreos acelerados são o foco de Jet Lancer, shoot’em up indie produzido por dois desenvolvedores. No controle de um caça poderoso, o objetivo é destruir tudo em estágios repletos inimigos perigosos e projéteis. Agilidade, forte sensação de velocidade e manobras impressionantes são presenças constantes nas batalhas do jogo, que conta com dificuldade acentuada, mas ajustável. Mesmo com alguns problemas, é uma experiência divertida e enérgica.

Explodindo os ares com um jato ágil

Em Jet Lancer, uma mercenária chamada Ash realiza inúmeros contratos no controle de uma nave experimental. Aos poucos ela e seu chefe se envolvem em uma conspiração envolvendo piratas aéreos, membros do governo e uma inteligência artificial antiga, sendo que a garota e sua nave estranha parecem ser os únicos capazes de resolver os problemas. A trama escala até proporções mundiais, mas, em sua essência, é muito simples — não passa de um motivo superficial para sair destruindo tudo.

Em cada uma das missões, controlamos o jato em batalhas aéreas de ação acelerada em arenas com movimentação lateral 2D. Além de atirar e usar os motores para se locomover, a nave tem alguns outros recursos, como armas especiais e um propulsor poderoso para alcançar altas velocidades. Esses equipamentos essenciais precisam ser utilizados com cuidado por causa de sua energia limitada, mas ela é recuperada automaticamente após algum tempo. Há também o barrel roll, um movimento de esquiva que também aumenta a força da arma principal ao ser executado corretamente.


Conforme avança na campanha, Ash adquire novos módulos que permitem personalizar o jato. Alguns deles são armas secundárias diferentes (como um míssil perfurante ou bombas de proximidade), já outros habilitam ataques especiais (um laser gigante, drones armados, projéteis teleguiados). Há também peças que alteram características da nave ao adicionar (ou remover) movimentos defensivos, maior duração de efeitos e mais. A diversidade de elementos customizáveis é boa, o que permite testar vários estilos de jogo.

O frenesi dentro do cockpit

A agilidade da ação é a minha característica preferida em Jet Lancer. É fácil controlar o jato de Ash pelo ar por causa dos comandos precisos e fáceis de entender, mas dominar todas as nuances é outra história. Há vários movimentos avançados para aprender, como usar a inércia com o motor desligado para acertar inimigos que perseguem a traseira da nave ou acertar oponentes com a explosão dos propulsores ao ativar o motor mais forte. Além disso, o sistema de fortalecer a arma principal após uma esquiva bem sucedida incentiva a um jogo mais agressivo. Quando dei por mim, já estava fazendo movimentos ousados, abatendo vários alvos em sequência enquanto fazia piruetas — é muito empolgante conseguir fazer tudo isso com sucesso.



A dificuldade do jogo é moderada e consegui passar da maioria das missões sem problemas. Apareceram alguns momentos mais complicados, principalmente na parte final da jornada, mas consegui superá-los ao testar diferentes configurações de equipamentos. Jet Lancer, inclusive, conta com opções para diminuir ou aumentar a dificuldade, o que o torna acessível para diferentes tipos de jogadores. Mesmo assim, a campanha tem alguns picos de desafios estranhos, com fases extremamente complicadas que aparecem do nada Faltou um pouco de balanceamento nesse aspecto.

O visual 2D, que mistura pixel art e elementos poligonais, dá um ar “anime 16-bits” ao mundo do jogo. O cenários são básicos (praia, cidade, deserto), mas a ação fluida e acelerada é impressionante: os caças e naves se enfrentam no ar com manobras empolgantes e estilosas. Uma trilha sonora energética repleta de guitarras complementa o tom de urgência e velocidade da ação.


Como é de costume nesse tipo de jogo, é comum aparecer o caos visual nas batalhas mais movimentadas, e nem mesmo o rosa vibrante da nave da protagonista consegue diminuir a confusão. Por várias vezes, eu fui atingido ou morri sem entender direito o que estava acontecendo. Por sorte isso aparece em momentos pontuais, porém incomoda.

Entre a variedade e a repetição

As mecânicas de combate de Jet Lancer são exploradas em diferentes tipos de missões. Boa parte delas são bem simples e consistem em derrotar ondas de inimigos ou abater uma quantidade específica de naves, mas algumas fases apresentam tarefas interessantes. Em um contrato, por exemplo, o objetivo é hackear torres de segurança e, para isso, é necessário voar próximo delas. Em outro estágio, não podemos deixar que bombas destruam uma cidade no solo. Já outra missão exige destruir caças sem fazer muito barulho, pois isso ativa um laser fatal.

Essa variedade de situações é notável, porém, depois de um tempo, há uma sensação de repetição, principalmente por causa da pequena diversidade de inimigos e de cenários. Na prática, fazemos a mesma coisa durante toda a aventura (ou seja, derrotar os mesmos inúmeros caças hostis), mas, às vezes, com alguma restrição ou variação. Para tentar compensar isso, as fases passam a ter mais inimigos, mas quantidade não significa qualidade. Ao menos, os ótimos combates contra os imensos chefes ajudam a quebrar esse ritmo de repetição.


Mesmo assim, existe boa quantidade de conteúdo para explorar em Jet Lancer em sua campanha com mais de 30 fases. Há também um New Game+ com missões mais difíceis, inimigos mais agressivos, conteúdo exclusivo e final alternativo. Aqueles que gostam de um bom desafio vão ter trabalho para conseguir todas as classificações máximas nas fases.

Um tiroteio admirável

Jet Lancer se mostra um ótimo shoot’em up com suas mecânicas simples e ação acelerada. É muito divertido voar pelos céus realizando manobras ousadas enquanto atiramos em inimigos, principalmente nos momentos mais tensos e nas batalhas contra chefes. Há variedade de situações e equipamentos, que são explorados em uma boa quantidade de missões. No entanto, a pequena diversidade de inimigos traz sensação de repetição e os picos de dificuldade atrapalham o ritmo. No fim, Jet Lancer é uma experiência frenética que vale a pena ser conferida.

Prós

  • Jogabilidade ágil e com ação intensa;
  • Muitas opções de customização permitem diferentes abordagens;
  • Boa variedade de tipos de missões;
  • Dificuldade ajustável permite facilitar ou complicar as partidas.

Contras

  • Confusão visual atrapalha em alguns momentos;
  • Pequena variedade de inimigos traz sensação de repetição;
  • Picos de dificuldade em algumas missões.
Jet Lancer — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: João Pedro Boaventura
Análise produzida com cópia digital cedida pela Armor Games Studios

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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