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Análise: Huntdown (Multi) — Salve a cidade antes que ela te mate

Encarne um grupo de caçadores de recompensas que precisam exterminar as gangues que estão no comando de tudo.

Uma cidade controlada por gangues está mergulhada no caos. Tecnologia e destruição se misturam em meio às ruínas de um lugar sem esperança. Os cidadãos estão assustados e a polícia não se opõe, o que faz de um trio de mercenários a única salvação de todos.




Parece a premissa de um filme dos anos 1980, mas é nesse ambiente inóspito que se situa Huntdown (Multi). O título de ação chega às plataformas mostrando que com os elementos certos e uma dose certeira de nostalgia, pode-se conseguir uma grande aventura.

Caçada perigosa

Em Huntdown, podemos assumir o papel de três caçadores de recompensas: Anna Conda, John Sawyer e Mow Man. A única diferença entre eles são suas armas primárias, tanto a de fogo quanto a usada para ataques corpo a corpo, e as clássicas frases clichês que soltam enquanto matam hordas de inimigos pelos cenários. Um fator estranho é que podemos alternar entre o trio a qualquer momento durante a fase ao preço de reiniciá-la, mas nunca antes dela.

No mais, a movimentação deles é a mesma. É possível correr, pular, se esquivar, buscar cobertura em garagens ou blocos e descer de lugares altos. O deslocamento é bastante ágil e fluido, porém, em momentos que exigem muita rapidez, como em algumas batalhas contra chefes, é bem comum não dar tempo de buscar uma plataforma abaixo do personagem, comando executado com o botão de pulo e a seta para baixo. Logo, acontece a execução de um salto equivocado.

Com a exceção desta única ressalva, o ritmo de jogo imposto é bastante dinâmico e agradável. Não demora muito para o jogador se acostumar com o revezamento entre se deslocar atirando e buscar cobertura em áreas mais críticas.

Um dos pontos positivos de Huntdown é sua enorme variedade de armas. Elas podem ser encontradas pelo cenário ou derrubadas por algum membro de gangue abatido. O jogador tem a possibilidade de carregar consigo apenas mais uma arma extra, seja ela de fogo ou de combate físico. Elas podem variar entre katanas, tacos de hóquei, lança-granadas, metralhadoras, rifles, disparadores de lasers ou bazucas.


O que torna tudo mais interessante é que nenhuma delas tem munição infinita, exceto pelas iniciais. Isso aumenta a necessidade da troca constante de equipamentos para progredir pelo cenário.

Na mão das gangues

O jogo possui 20 fases, divididas em quatro áreas, cada uma controlada por uma gangue: os Hoodlum Dolls são um grupo de punks que destruíram os subúrbios; os Misconducts são jogadores de hóquei que dominaram os subterrâneos pelos túneis do metrô; os Heatseekers são formados por um grupo de motoqueiros que estão usando o complexo industrial para práticas ilícitas; e os N°1 Suspects são ninjas e artistas marciais que comandam o centro da cidade.

Cada bando de marginais possui uma identidade visual própria, o que enriquece os detalhes de cada cenário, como pichações, veículos, uniformes e equipamentos dos capangas. Tudo isso é acompanhado de uma excelente trilha sonora, que auxilia ainda mais em criar a sensação de estarmos em um filme.


Ao final de cada fase, temos que enfrentar um chefe, membro principal da gangue. Alguns confrontos são bem bolados e interessantes, pois envolvem utilizar o espaço e até o armamento do meliante ao seu favor. Já outros se baseiam em mais do mesmo, que é atirar, desviar e repetir até a queda do inimigo, o que chega a ser um pouco maçante e cansativo.

Além da conclusão do cenário, que nos permite avançar para o próximo, é possível atingir três outros objetivos, visando o 100%. Eles consistem em não perder nenhuma vida, matar um número específico de inimigos e achar três maletas espalhadas em pontos estratégicos.


Infelizmente, essas metas não possuem nenhum outro atrativo além da conclusão total da área. Isto as torna um tanto quanto desinteressantes em relação à diversão de progredir em meio aos diversos marginais utilizando diferentes tipos de armas.

Outro ponto que deixa a desejar é a dificuldade do jogo. Existem quatro níveis: fácil, médio, difícil e badass. Porém, a única diferença de fato entre eles é o tamanho da barra de vida do protagonista, que passa de cinco para três pontos. O modo badass, no qual não se pode tomar dano, chega a ser um pouco mais desafiador,  mas ainda assim não é algo tão chamativo.

Uma caçada prazerosa

Huntdown foi feito para ser simples, divertido e viciante. Seus deslizes não chegam a comprometer a experiência e sua atmosfera é ideal para fãs de ação com visual retrô. As diversas inspirações e referências a obras cinematográficas como Blade Runner, Warriors e Akira farão os jogadores se sentirem no mais puro do universo cyberpunk.

Prós

  • Jogabilidade dinâmica;
  • Grande variedade de armas;
  • Ambiente de cada área muito bem representado por elementos visuais e trilha sonora;
  • Algumas batalhas contra chefes são bem interessantes e demandam estratégia.

Contras

  • Não dá para escolher o personagem antes da fase, só durante;
  • Em trechos em que é necessário trocar de plataforma rapidamente, o comando de descer de lugar pode falhar;
  • Algumas batalhas de chefes são repetitivas;
  • Pouca variação entre os níveis de dificuldade.
Huntdowm — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Coffee Stain


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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