Blast Test

Crown Trick (PC): explorando dungeons em um roguelike com bastante potencial

Testamos o beta fechado do roguelike chinês.

Desenvolvido pela chinesa NEXT Studios, Crown Trick é um roguelike com ar de fábula sombria. Com quartos que funcionam como pequenos quebra-cabeças e vários elementos para oferecer possibilidades estratégicas para o jogador, ele demonstra potencial de ser um excelente exemplar do gênero.

Mergulhando na dungeon


O beta fechado oferece uma pequena visão de como funciona o jogo. Você controla uma menina que se vê em uma dungeon e entra em contato com uma coroa que lhe concede poderes. Graças a ela, a personagem pode empunhar armas e utilizar magia. No início, o jogador escolhe entre duas armas aleatórias e um familiar que concede poderes mágicos.

Além do tutorial, é possível jogar em dois andares, cada um com quartos gerados proceduralmente e seu próprio chefe. A movimentação é baseada em turnos estilo Mystery Dungeon, permitindo que o jogador planeje seus movimentos com calma, já que os oponentes só se movimentam depois que você faz uma ação.

Como os quartos são isolados e tanto você quanto os inimigos ficam presos neles até que uma das partes saia vitoriosa, as áreas de combate funcionam como se fossem pequenos quebra-cabeças. Cabe ao jogador avaliar o contexto e planejar suas ações para resolvê-los da melhor forma possível. Para isso, há uma série de fatores que precisam ser levados em consideração.


Cada arma disponível tem uma área de ataque diferente. Uma espada simples tem um alcance de apenas um tile, mas lanças atingem dois quadrados consecutivos, machados atingem todo o seu entorno, rifles atingem uma linha de quatro tiles (mas precisam recarregar), etc. Além disso, o jogador tem uma quantidade limitada de teleportes à sua disposição, podendo se movimentar dentro de uma certa área com rapidez sem gastar um turno.

Além do HP, os inimigos possuem um contador de break que é reduzido quando eles são atacados. Ao chegar em 0, o inimigo fica paralisado por alguns turnos, e se o jogador conseguir fazer o mesmo com outro oponente, inicia um combo que aumenta o seu dano. Explorar os ataques, magias e itens consumíveis é fundamental para derrotá-los rapidamente e se manter em segurança.

Outro elemento importante para planejar as estratégias são os objetos no cenário. Alguns deles, como barris de óleo e explosivos, têm efeitos que podem ser usados para acabar com vários inimigos de uma vez ou causar algum tipo de desvantagem neles (como redução de defesa). Saber levar em consideração todos os elementos é importante, e também é recompensado pelo sistema de desafios que aparece algumas vezes com missões como “derrotar todos os inimigos em 10 turnos”.

Além das batalhas


Nem todas as salas são feitas para batalhas. Há também quartos especiais com tesouros, alguns dos quais podem exigir penalidades (como tomar dano todo turno até matar 3 inimigos) para serem abertos, e uma espécie de monolito azul que permite ao jogador acessar eventos de texto com escolhas que podem afetar o personagem de várias formas (buffs de atributos, recuperação e perda de HP/MP, etc).

No caso dos monolitos em particular, é interessante ver as artes estilizadas em tom monocromático, que corroboram com o tom mais sombrio que a obra quer passar. A arte 2D do jogo todo é desenhada à mão e está no meio do caminho entre algo fofo e algo sombrio.

Os breves trechos de história também dão indícios de que há algo sinistro na jornada pela dungeon,e no passado e possivelmente nas motivações da coroa. É como um conto de fadas, mas assim como nas obras tradicionais do gênero, quanto mais nos aprofundamos, as coisas podem ser muito mais feias do que parecem.

De forma geral, Crown Trick demonstra bastante potencial, mas existem algumas pequenas mudanças de qualidade de vida que poderiam ser realizadas para melhorá-lo ainda mais. Enquanto joguei com teclado e mouse, reparei que em alguns momentos cliquei diretamente em um inimigo que estava a uma distância na qual seria atingido, mas a protagonista atacou para o lado errado por estar na outra direção. O jogo também poderia mostrar a área que seu ataque pode atingir antes de executá-lo, como acontece com as habilidades mágicas.


Nenhum desses problemas fere a sua qualidade, mas seria interessante que principalmente a direcionalidade dos ataques fosse simplificada para usuários de teclado e mouse. De qualquer forma, Crown Trick se mostra um roguelike promissor, e vale a pena ficar de olho para o seu lançamento, que ainda não tem data marcada.

Revisão: Davi Sousa
Teste feito com cópia digital cedida pela NEXT Studios

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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