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Análise: Totally Reliable Delivery Service (Multi) tem seus pontos positivos, mas poderia ser bem melhor

Encarne um entregador que não se deixa vencer por nada… ou quase.

Pacotes que atrasam, destinatários ausentes e até encomendas paradas na central de distribuição. Muitas pessoas já tiveram o que reclamar dos serviços de entregas postais. Porém, e se estivéssemos do outro lado? Totally Reliable Delivery Service (Multi) nos coloca em diversas situações absurdas para mostrar que esses profissionais também sofrem diversos contratempos.

Servindo (mais ou menos) bem para servir (quase) sempre

A premissa do jogo é bastante simples: estamos em um mundo aberto dividido em ilhas. Sua exploração é livre, ao estilo sandbox, e devemos cumprir missões entregando pacotes de um ponto a outro. Cada uma dessas tarefas pode ser feita a pé mesmo ou controlando uma gama de veículos diversos, que variam de empilhadeiras a helicópteros.

As entregas ganham classificações que variam entre ouro, prata e bronze. O que determina a classificação é o tempo de demora para cumprir cada objetivo ou o quanto o pacote foi danificado, no caso das entregas mais frágeis. Para começar uma missão, basta ativar uma das cabines espalhadas pelo caminho e pronto. O pacote surge, podendo estar acompanhado de um veículo ou não, e o ponto de entrega aparece no horizonte.

Podemos andar, pular e controlar cada braço separadamente para agarrar os pacotes. Seria tudo muito fácil se não fosse por um detalhe: a movimentação do personagem. Ele se comporta ao estilo ragdoll, em que os controles são imprecisos e a movimentação é molenga, como se o boneco fosse feito de gelatina.

Esse estilo ganhou fama principalmente com o título Gang Beasts (Multi). Logo, agarrar as caixas e se locomover é algo bastante trabalhoso. Outro problema é que o personagem pode facilmente ficar travado em qualquer estrutura, como se estivesse preso pelas mãos ou pela cabeça.

O controle dos veículos também é um desafio à parte, pois cada um se comporta de uma maneira diferente. Os diversos tipos de carros e caminhões trazem uma certa estratégia, que varia de acordo com o objetivo. Os mais velozes e mais ariscos de serem pilotados são ideais para missões de tempo. Já para as encomendas mais frágeis, os veículos mais lerdos e estáveis são ideais. Entretanto, a diversão acaba na hora dos veículos aéreos, já que balancear altura e direção é algo absurdamente confuso, ainda mais com uma caixa a bordo. Se ela cair, o objetivo já era.

Outro detalhe é que as ilhas não têm conexão terrestre entre si. Se quiser desbravar o restante do mapa, pegue uma aeronave ou tente a sorte procurando um dos poucos barcos existentes pelo mapa.

Ilhas da fantasia

O ambiente de TRDS é bastante colorido e caricato. Inclusive, dada a simplicidade do jogo, as paisagens impressionam pela sua dimensão. Em cada ilha encontram-se praias, montanhas, casas, parques, estações de esqui, lojinhas e até mesmo bases espaciais que lançam foguetes. Apesar dos NPCs pelo caminho não influenciarem em nada, eles ajudam a ambientar o jogador como se ele estivesse em uma grande e evoluída cidade situada em um arquipélago.

Por falar em arquipélago, ele também vai tentar te atrapalhar. O mundo à sua volta sofre com alterações climáticas, como rajadas de vento e tufões, que irão atrapalhar bastante suas entregas. Além disso, o jogador não está imune a ser atropelado tanto pelos bondinhos, que parecem ter a velocidade de um Porsche Turbo, quanto por grandes navios a vapor, caso tente usar uma lancha.

O ponto baixo aqui é a música de fundo. Ela não é ruim, mas em sua transição podemos perceber alguns segundos de silêncio. Isso dá a incômoda sensação de que o jogo irá travar ou ficar sem uma trilha pelo resto da aventura.

Quem não ajuda, não atrapalha

Apesar de poder ser jogado individualmente, este título é perfeito para uma aventura conjunta. Pode-se colocar até quatro entregadores na ilha, seja online ou de maneira local. O problema é que este modo, que poderia tornar tudo infinitamente mais divertido, não prioriza a cooperatividade. Cada jogador pode simplesmente pegar uma entrega para si e sair sem destino pela ilha sem precisar dos outros participantes. Isso quebra um pouco a graça de ter mais de um jogador na sessão.

Se localmente a tela se divide, no online podemos ser catapultados para qualquer partida já iniciada ou começar uma nossa e esperar outros participantes entrarem. Ou seja, se estamos com desconhecidos, é bem provável que nunca nos encontremos durante a partida, e aí meio que equivale a uma aventura solo, só que com diversos lags e intermitências de conexão.

Entrega pendente

A ideia descompromissada de Totally Reliable Delivery Service em si é ótima, e o mapa apresentado até que mostra uma dedicação em desenvolver os desafios. Porém, a mecânica de ragdoll talvez não tenha sido uma boa escolha para um jogo com missões de velocidade. Quem sabe com um funcionamento mais preciso, até mesmo o controle abobalhado dos veículos aéreos poderia ser relevado. O online também merecia um tratamento mais específico, com tarefas próprias para mais de um jogador e que justificassem uma reunião casual entre amigos.


Prós

  • Ambiente bem desenvolvido e extenso;
  • Mapa variado e bem trabalhado;
  • Desastres naturais tentando te atrapalhar trazem imprevisibilidade ao jogo;
  • Grande diversidade de veículos.

Contras

  • A movimentação molenga dos personagens às vezes corta a diversão da missão;
  • Tem vezes que o personagem fica preso em algum objeto do cenário sem motivo algum;
  • O controle de veículos aéreos é confuso;
  • Ilhas só podem ser alcançadas pelos céus ou pelo mar;
  • Falta de missões cooperativas próprias;
  • Muitos lags durante as partidas online;
  • O tempo de silêncio entre as músicas é bastante incômodo.
Totally Reliable Delivery Service — PC/PS4/XBO — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela TinyBuild Games



é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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