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Análise: Tamashii (Multi) é curto, mas desafiador na medida certa

Ajude um herói sem nome a revitalizar um templo macabro.

Misture um jogo de plataforma bem construído com o ambiente do terror japonês das décadas passadas. É assim que o desenvolver independente brasileiro Vikintor idealizou Tamashii (Multi). O game possui uma ambientação soturna e seu objetivo é eliminar a energia macabra que está infestando o templo.

Entre o bem e o mal

Nosso herói não possui um nome ou motivação. Ele é criado simplesmente para dissolver o mal que corrompe o templo de seu invocador. Ao decorrer da jornada, ele é confrontado por uma bruxa que, através de diálogos, o faz questionar sua existência e o porquê de fazer o que faz.

O estilo de Tamashii é visceral e impressiona pelo tom adotado. O horror é enfatizado pela matiz monocromática constante, que é interrompida apenas por leves pontos coloridos e um vermelho intenso em partes específicas. A música e os efeitos sonoros não ficam de fora e ajudam a endossar a soturnidade de cada labirinto atravessado, seja com gritos aleatórios ou apenas com o som de fundo. Isso tudo cria um ambiente digno de ser belo à sua maneira.

A única coisa que pareceu um tanto forçada é, em alguns momentos distintos, ao navegar pelo templo principal, que funciona como seletor de fases, a presença de um quadro que causa sustos. A tela simplesmente pisca em vermelho, como se algo pulasse na cara do jogador e mudasse o ambiente por alguns segundos, até que outra criatura aparecesse em um flash e tudo retornasse ao normal. Nada mais no jogo inteiro tem a necessidade de causar sustos, o que tornou esse momento um tanto quanto desnecessário.

De olho nas chaves

O funcionamento de Tamashii é simples: existem cinco câmaras distintas, compostas por uma série de salas. Cada uma possui um nível de dificuldade que ajuda o jogador a compreender melhor o gameplay. O nosso herói possui apenas as habilidades de pulo duplo e de criar até três clones, que duram 10 segundos antes de explodirem.

As salas possuem chaves que, ao serem acionadas, ativam blocos, e que servem de plataformas ou paredes. Logo, devemos deixar nossos clones sobre essas chaves e utilizar de seu tempo de vida para acionar a porta de saída e assim seguir para o próximo cenário. As armadilhas são todas passivas, sendo acionadas somente quando o personagem passa por elas.

Ao final de cada câmara, um chefe nos espera e eles dão um show à parte, tanto no seu visual quanto na sua mecânica. Cada um tem proporções colossais e uma aparência horrenda, como se fossem feitos apenas de carne e veias. A estratégia para derrotar cada um varia conforme a disposição do cenário. À medida que o confronto avança, a imagem vai ficando distorcida, como em uma televisão antiga. É possível inclusive adicionar filtros para aumentar a impressão desse visual.

Muito bom, mas muito curto

Tamashii consegue ser viciante ao ponto de que desejamos que houvessem mais câmaras e salas. Cada um dos labirintos é criativo e nos faz agir de maneira intuitiva após alguns minutos de jogo. Toda a composição do ambiente também ajuda muito na imersão durante a aventura. Vikintor caprichou bastante em um game que todos deveriam jogar.

Prós

  • Composição sonora e visual criam um ambiente envolvente;
  • Batalhas contra os chefes são criativas e bem diferentes entre si;
  • Enigmas e labirintos muito bem elaborados e na dificuldade certa.

Contras

  • O jogo tem uma duração um tanto curta;
  • Os momentos de susto aleatório não combinam muito com o andamento do jogo.
Tamashii — PC/PS4/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Digerati

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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