Jogamos

Análise: Super Crush KO (PC/Switch) — descendo a porrada em robôs para salvar um felino

Agilidade e sistemas fáceis de entender são alguns dos atrativos desse colorido título indie.

Em Super Crush KO, uma garota detona robôs invasores com as próprias mãos para salvar seu amado gatinho. Esse jogo indie é um beat ‘em up ágil cujo maior destaque é a flexibilidade na hora de montar os combos. Um mundo colorido e uma atmosfera bem humorada deixa a experiência bem divertida, por mais que o título não ofereça muita profundidade ou variedade.

Quebrando tudo para salvar um bichano

A jovem Karen tem uma vida tranquila e relaxante na companhia de seu gatinho Chubbz. Um dia, a paz é interrompida com a chegada de Ann, uma garota alienígena que promove destruição por meio de um exército de robôs. Para piorar, a vilã rapta o bichano — afinal, segundo ela, é difícil resistir ao charme do gato mais fofo do universo. Karen não vai deixar barato e decide enfrentar a horda robótica com os próprios punhos para salvar seu amigo peludo.

Descer o sarrafo em inimigos é o foco de Super Crush KO. No controle de Karen, enfrentamos inúmeras criaturas robóticas com socos, chutes e uma arma. Além de ataques básicos, a garota também tem à disposição vários movimentos especiais, como um gancho que lança oponentes no ar, um chute perfurador de defesas, um soco no chão que interrompe inimigos e mais. Uma barra é preenchida conforme vencemos inimigos, e um imenso laser devastador pode ser lançado quando ela se completa.


A aventura é dividida em fases, com um chefe no final de um conjunto de estágios. Em cada uma delas, Karen precisa derrotar ondas de inimigos para poder prosseguir. Há alguns desafios simples de plataforma, mas fora isso o jogo se concentra nos combates. Ao terminar o estágio, somos avaliados de acordo com o desempenho: manter combos longos, terminar rapidamente a fase e não ser atingido são os critérios que definem a classificação.

Tons de roxo e rosa trazem um ar único ao mundo de Super Crush KO. Os gráficos são vibrantes e coloridos, com elementos que parecem ter sido desenhados com giz de cera. A história é retratada por meio de quadrinhos ilustrados muito bem produzidos e com cenas divertidas, e a trama em si é leve e bem humorada — a sinergia conflituosa entre Karen e Ann é explorada em ótimos diálogos, com direito a uma mensagem geral bem positiva.


Embates frenéticos em um mundo limitado

Agilidade é uma palavra que define Super Crush KO. Durante o combate, a flexibilidade dos ataques de Karen permitem montar combinações variadas de golpes — normalmente começo com dois socos simples, depois um chute deslizante em parafuso, em seguida lanço o inimigo no ar e finalizo a sequência com vários tiros disparados pela minha arma. Os embates são rápidos e os ataques são fáceis de executar, o que os torna bem divertidos.

Dominar as habilidades de Karen é necessário para sobreviver aos diferentes tipos de inimigos. Alguns atacam diretamente, outros atiram continuamente, já certos robôs voam ou golpeiam de forma errática. Aos poucos novos inimigos são introduzidos e fui forçado a repensar minhas estratégias. Um robô que parece uma pedra grande, por exemplo, não é interrompido com facilidade, o que nos força esquivar no momento certo para desviar de suas investidas. Já outro bloqueia projéteis com um escudo, inviabilizando o uso da arma de Karen.


A maioria dos oponentes, sozinhos, não são problemáticos. Mas a situação muda quando muitos monstros diferentes atacam em conjunto, pois cada um exige uma estratégia distinta para ser derrotado. Para complicar, alguns cenários contam com perigos, como lasers e espinhos. O desafio, então, é conseguir saber priorizar os alvos e escapar na hora certa. A diversão de Super Crush KO é justamente sobrepujar as ondas de inimigos com combos estilosos e ágeis — conseguir manter longas sequências sem ser atingido é muito recompensador. O desafio não é muito alto e tive dificuldade somente nos últimos estágios, porém conseguir todas as classificações S+ pode ser trabalhoso.

A ideia principal funciona muito bem, no entanto a variedade de situações é muito pequena: todas as fases normais consistem em derrotar grupos de inimigos em sequência. Alguns poucos estágios têm breves trechos de plataforma, mas eles são tão insignificantes e raros que se tornam irrelevantes. Para piorar, todos os chefes do jogo são extremamente similares — basicamente o mesmo robô grande que ganha alguns ataques a cada novo encontro.


A soma desses detalhes faz com que a experiência seja repetitiva, e nem mesmo os diferentes tipos de inimigos são capazes de reduzir essa sensação. Além disso, a quantidade de conteúdo é bem reduzida (por volta de 20 fases), sendo classificações melhores o único incentivo para jogar de novo estágios já completados. Modos adicionais, como outras dificuldades ou variações, ajudariam nesse aspecto. O jogo diverte bastante, mas claramente ele poderia ser melhor ao oferecer mais conteúdo ou diversidade.


Um bom passatempo

Quebrar tudo em Super Crush KO é muito divertido, principalmente por causa do sistema de combate rápido e ágil. É muito recompensador montar combos elaborados no controle de Karen, principalmente em situações em que vários tipos de inimigos diferentes atacam simultaneamente. Além de mecânicas legais, o título conta também com visual belo e trama simples repleta de diálogos bem humorados. No entanto, a aventura apresenta limitações: o conteúdo é bem reduzido e a pequena variedade de situações torna as fases repetitivas. No fim, Super Crush KO é uma experiência breve que diverte enquanto dura.

Prós

  • Sistema de combate ágil e fluido;
  • Visual agradável;
  • Temática divertida e leve.

Contras

  • Pequena variedade de situações;
  • Pouco conteúdo.
Super Crush KO — PC/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Vertex Pop

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.

Comentários

Google
Disqus
Facebook