Meus Jogos Favoritos de 2019 - Wesley Alves

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.


O ano de 2019 foi atípico pra mim. Estava jogando pouco e abandonando muitos jogos pelo caminho. Parecia que esse seria um ano de poucas novidades, ou, talvez de uma forma mais direta, pouca originalidade. Deixei de jogar muitas coisas no primeiro semestre, mas isso mudaria a partir de julho. Tirei minhas merecidas férias e comecei a perceber que havia perdido muitos jogos interessantes. Pra ser sincero, o saldo nesse final de ano foi extremamente positivo, pois consegui jogar praticamente todos os títulos que eu queria. Mas um detalhe não estava errado na minha primeira percepção do ano: faltou originalidade, ao meu ver. Não que isso no fim importe tanto, já que a lista a seguir me deixou muito feliz e me lembrou o quão bom é se deliciar com um lindo game.


Devil May Cry 5

Se há uma empresa que me surpreendeu no decorrer desse ano foi a Capcom. Devil My Cry 5 resgata uma fórmula já desgastada na série e se reinventa com mecânicas que dão fluidez ao jogo, sem com isso alterar drasticamente a jogabilidade. Com a ação frenética já conhecida dos fãs da saga, Devil My Cry 5 traz gráficos impressionantes que pela primeira vez buscam um tom mais realista, mesclando as cenas épicas e psicodélicas de seus protagonistas com momentos de lucidez, e ainda acrescenta uma trilha sonora empolgante do início ao fim. 

Dessa vez Hideaki Itsuno pensou em uma expansão da série, balanceando a dificuldade e deixando escolhas nas mecânicas para que o jogador decida a melhor maneira de encarar os desafios. Com uma campanha convincente e tempo de jogo ideal para o gênero, o game me prendeu do começo ao fim, algo que jogos desse estilo não faziam desde Bayonetta 2. Posso dizer facilmente que pra mim esse é o melhor Devil My Cry já feito.

Kingdom Hearts 3

Eu cometi uma loucura com Kingdom Hearts 3. Todos os meus amigos que indicavam a série pra mim, diziam que a história era muito confusa e que eu precisava jogar todos os games para entendê - la, já que nunca havia jogado nenhum Kingdom Hearts. De fato, a trama é uma loucura. Me aventurei no terceiro game mesmo tendo comprado o pacote com os três jogos, e visto que meu inglês não é dos melhores imagine a confusão. Mas, ainda assim, Kingdom Hearts 3 me prendeu de uma forma inexplicável. Seja pela minha paixão pela Disney ou minha afinidade com Final Fantasy, o game tem sua própria personalidade. 

Visuais impressionantes, fases extremamente belas, uma trilha sonora envolvente e personagens carismáticos que te absorvem para o fantástico mundo Disney/Final fantasy. Achei a jogabilidade muito competente e bastante divertida, apesar de em alguns momentos ter muitas informações de uma vez, o que causa uma certa confusão para entender o funcionamento das habilidades. Além disso, a câmera atrapalha em alguns momentos — algo que já haviam me alertado sobre. Senti falta de um pouco mais de mundos para explorar e isso deixa uma certa decepção ao final do jogo, principalmente porque fiquei fascinado com os que estão no game. Mas nada disso atrapalha KH3, e ele entra merecidamente entre meus favoritos do ano.

Tetris 99

Tetris é um clássico que sempre me diverte muito e me traz boas memórias. Quando foi anunciado Tetris 99, não sabia bem o que esperar, afinal como assim trazer o gênero da moda (Batle Royale) pro mundo de Tetris? Após jogar, me questionei o porquê de nunca terem pensado nisso antes. A mecânica é simples: 99 jogadores em uma disputa ao mesmo tempo, onde a velocidade de raciocínio faz toda a diferença. Mas é claro que temos as famosas trapaças e bônus por "destruirmos" as maiores "paredes". 

Todas as premissas básicas de um jogo Tetris estão no game, mas de uma maneira altamente competitiva. Além disso, o suporte ao jogo merece destaque, com eventos interessantes com vários temas (principalmente com jogos da Nintendo). Dessa forma, existem vários desafios diferentes para os jogadores que são ranqueados por seu desempenho nas batalhas. Destaco também que o jogo pode ser baixado gratuitamente para os assinantes do serviço Nintendo Network e os jogadores que buscam uma experiência local podem adquirir o game pela Nintendo eShop.

Katana Zero

Sou apaixonado por jogos indies. Neles, há a liberdade de criação que muitas vezes faz tanta falta nos grandes estúdios, a coragem de ousar e criar mecânicas novas, ou mesmo reutilizar de formas inesperadas conceitos já estabelecidos. Katana Zero é um jogo aparentemente parecido com muitos outros, mas é nos pequenos detalhes que ele se sobressai. Além de sua belíssima direção de arte, Katana Zero é mais um daqueles jogos em que a morte é inevitável, e, ao mesmo tempo, imprescindível. Apenas um golpe é o suficiente para te derrubar, por isso é necessário um estudo do ambiente e onde seus inimigos se escondem. 

Basicamente, a jogada em que você está no controle é uma das tentativas de fuga que você pretende fazer. Ao falhar, você recomeça e traça uma nova estratégia, caso esta se mostre a melhor, o game apresenta uma cena com sua jogada como solução para a enrascada. Você vai a todo momento refazer sua estratégia, não aceitando falhar, independente se já tentou por 20 vezes, pois o sentimento de recompensa é sempre presente no game. Katana Zero foi publicado pela Devolver Digital (Hotline Miami) o que por si só já vale uma conferida.

Star Wars jedi: Fallen Order


Eis aqui algo que nunca imaginei: colocar um jogo Star Wars entre os melhores do ano. Mas a Respawn Entertainment conseguiu criar um jogo que foge aos clichês de games baseados em blackbusters e nos brinda com uma aventura que qualquer fã de Star Wars precisa apreciar. Star Wars Jedi: Fallen Order reúne vários aspectos que deram certo em jogos de ação e foca bastante em sua narrativa consistente, que homenageia e cria elementos que agregam muito a franquia Star Wars. 

Para ser sincero, em questão de história, o game me prendeu mais que a maioria dos últimos filmes lançados. A jogabilidade é interessante, e funciona até certo ponto, pois o jogo apresenta uma mistura de Dark Souls com elementos de jogos como Uncharted e Tom Raider. Os combates têm alguns problemas quanto ao entendimento e reação dos comandos e o mapa é confuso, não fosse isso o game seria quase perfeito. O visual é espetacular e transporta todo o clima que amamos na franquia com personagens interessantes, naves gigantes, inimigos estilosos, guerras intergaláticas, planetas misteriosos e bem construídos, e, claro, sabres de luz.

Resident Evil 2: Remake

Resident Evil 2 fez parte da minha vida como gamer, e tenho certeza que na de muitos jogadores ao redor do mundo. Quando a Capcom anunciou um remake do jogo, fiquei empolgado como há muito tempo não ficava, pois minha última experiência com um remake da saga (Resident Evil: Remake) foi uma das melhores em todos os meus anos de jogatina. Resident Evil 2: Remake recria de forma impecável tudo que de melhor funciona na franquia, unindo em sua jogabilidade elementos que fizeram sucesso durante as muitas variações de gameplay que a série teve. 

Foi muito legal retornar a origem de terror que me levou a apreciar Resident Evil. Cada lugar no game é cuidadosamente  detalhado, gerando uma ambientação hostil e que impõe ao jogador uma dificuldade moderada e prazerosa. No jogo nos reencontramos com personagens que fazem parte de nosso imaginário, porém pequenos detalhes na jogabilidade junto com mudanças nos mapas e uma nova mecânica de movimentação (a melhor da série pra mim) e uma trilha sonora apavorante garantem ao conjunto da obra um jogo que será lembrado e seguido por muito tempo. Já estou no aguardo do remake de Resident Evil 3. Um "viva" ao retorno triunfal da Capcom.

The Legend of Zelda: Link's Awakening

The Legend of Zelda é minha franquia favorita de todos os tempos, e a cada nova aventura me apaixono mais pela série. The Legend of Zelda: Link's Awakening era um dos jogos que não tinha jogado, e quando a Nintendo anunciou um remake a felicidade foi completa, e eu já previa que o game estaria entre os melhores do ano pra mim. Mas não pense que ele está aqui somente por isso, pois Link's awakening tem tudo o que um bom game precisa e foca no que é mais importante: o level design. É impressionante a progressão que o jogo oferece, desde seu mapa e seus afazeres de rotina às dungeons e suas batalhas contra chefes. Tudo aqui funciona harmonicamente e te instiga a explorar cada pedaço do mapa. 

O visual do jogo é belíssimo e a trilha sonora faz jus a franquia. O mais incrível é quando você percebe que já em 1993, quando o jogo original foi lançado, a série nos mostrava que por muitas vezes o simples é mais. O jogo nos proporciona um gameplay simples, sem apelar pra mecânicas complicadas. Só não foi perfeito pra mim porque inexplicavelmente o jogo possui algumas falhas técnicas que não deveria ter. No mais, se você ainda não jogou, não espere muito, você irá se deslumbrar mais uma vez com Zelda.

Essa foi minha lista de 2019, ainda me faltam dois jogos que poderiam estar aqui: Luigi's Mansion 3 e Sekiro: Shadows Die Twice. Provavelmente os jogarei em 2020 me arrependendo de não os ter jogado antes. Falando nisso, 2020 promete ser um ano maravilhoso, e espero poder compartilhar novamente minha alegria. Um feliz ano novo com muitos games pra nós.

Revisão: Farley Santos



Ter um hobby traz felicidade e enriquece nossas vidas. Isso nos dá algo divertido para fazermos em nosso tempo livre, além da oportunidade de melhorarmos nossas habilidades. Sempre fui apaixonado por cultura pop, fazer parte disso é um privilégio. Escrever sobre é parte do que sempre fui.

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