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Análise: Wattam (PC/PS4) te ensina a fazer amigos enquanto explora um mundo colorido de possibilidades

Ajude o Mandatário a repovoar o planeta com sorrisos, alegria e… explosões!?

Em 2004, o mundo dos games foi pego de surpresa com o pequeno Príncipe de todo o Cosmo, que devia rolar diversos objetos em uma bola grudenta para reconstituir as constelações e os planetas. Com essa premissa descompromissada, visual vibrante e trilha sonora fora de série para a época, Katamari Damacy (PS2) colocou o nome do designer Keita Takahashi como uma referência em jogos coloridos e divertidos. 15 anos depois, ele está de volta com Wattam (PC/PS4), que traz os mesmos elementos dos seus antigos trabalhos e uma jogabilidade voltada para a exploração total de um espaço com diversos personagens.

Exploda seus amigos e seja popular.

O personagem principal do jogo é o Mandatário, que tem como objetivo trazer luz de volta ao mundo. Para isso ele precisa fazer amizades, que ele cativa ao tirar seu chapéu e explodir uma bomba que manda todos aos ares, causando uma grande sensação de felicidade. Essa é a principal maneira de chamar atenção dos diversos tipos de amigos que vão aparecendo ao longo da narrativa.

Todos são objetos antropomórficos, como flores, pedras, talheres, chaminés, frutas, eletrodomésticos, etc. Alguns contam até com habilidades distintas: as árvores, por exemplo, podem sugar os demais e transformá-los em frutas ou vegetais; a boca pode engolir e transformar todos em excrementos coloridos; e a privada pode deixar os cocozinhos coloridos dourados e "limpos". Isso só para citar alguns.

Apesar de ter um personagem central, todos os outros são controláveis, sem exceção. Isso abre margem para que o jogador possa manipular mais de 100 bonequinhos fofos e com nomes próprios. Cada nova área aberta representa uma estação do ano, e isso influencia na linguagem falada por cada novo parceiro, resultando em balões de fala em inglês, russo e coreano, mas nada preocupante já que o jogo possui legendas em português. Essa variedade na comunicação até poderia parecer algo bizarro e mal feito, mas torna-se brilhante ao validar o conceito de fazer novas amizades, independente da sua forma, cor ou língua.

Infelizmente, o jogo é curto. Com cerca de umas três horas já dá para resolver toda a aventura central, e as "missões paralelas", que variam entre fazer frutas virarem árvores ou empilhar objetos até atingir a altura de um pino de boliche gigante, logo se tornam repetitivas. Outra tarefa um pouco chata é usar um dos sticks analógicos para escolher um dos personagens, já que ele sempre se desloca entre os mais próximos de onde se está, gerando alguns pontos cegos, enquanto o outro serve para movimentá-los.

Além disso, os personagens possuem interações repetitivas, sempre feitas com o mesmo botão, e podem pular e escalar objetos maiores que eles. Tudo é bastante simples, e dependendo do personagem selecionado, torna-se desinteressante. Pelo menos o apelo visual do jogo ajuda a segurar o jogador nos momentos mais arrastados.

DNA Cósmico

A última frase do parágrafo anterior não foi à toa. Se não fosse o estilo artístico de Takahashi, Wattam não seria tão interessante assim. As cores fortes em conjunto dos rostinhos expressivos de cada objeto nos fazem esperar para ver como serão os novos camaradas que estão para chegar, bem como seus nomes e quais objetos eles serão.

Quem também tem papel fundamental é a excelente trilha sonora, conduzida pela exímia pianista Asuka Takahashi. Ela também trabalhou na série Katamari, que possui músicas memoráveis, e deu para notar o parentesco pelo sobrenome, certo? Ela é a esposa de Keita, explicando como cada canção casa tão bem ao longo da jornada. Caso vocês estejam curiosos, o álbum completo de Wattam está disponível no Spotify e vale cada minuto tocado.

Uma jornada diferenciada

Wattam está longe de ser considerado um sucessor espiritual do primeiro jogo de Keita Takahashi, mas é inegável a similaridade de certos elementos visuais e sonoros, o que aqui é um ponto excelente. Infelizmente sua movimentação meio molenga e duração curta tiram um pouco da empolgação em devorá-lo, mas ainda assim é um título excelente para quem gosta de uma boa exploração descompromissada e experiências cativantes.


Prós

  • Visuais e trilha sonora casam perfeitamente, criando um charme único;
  • Personagens cativantes;
  • Alguns personagens possuem habilidades únicas e bacanas.

Contras

  • Curta duração;
  • Pouca variedade de missões;
  • Escolher personagens requer uma certa paciência com o controle.
Wattam — PC/PS4 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo próprio redator

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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