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Análise: The Alliance Alive HD Remastered (Multi): um RPG japonês que merece se tornar um clássico

Versão remasterizada do jogo de 3DS dá uma nova chance a um cativante RPG japonês.


Desenvolvido pela Cattle Call, The Alliance Alive era originalmente um RPG de 3DS inspirado pela série SaGa, assim como seu predecessor, The Legend of Legacy (3DS). O título foi um dos últimos lançamentos relevantes do portátil da Nintendo, mas recebeu a oportunidade de ser jogado em outras plataformas com essa remasterização. Com personagens cativantes e um gameplay cheio de possibilidades estratégicas, o RPG realmente merece essa nova chance de brilhar.

Uma história de guerra e opressão


Após uma grande guerra entre humanos e Daemons, o mundo foi fragmentado por uma Grande Barreira. Uma energia sinistra chamada Dark Current passou a cobrir os mares e a população se viu vítima de efeitos climáticos severos. Séculos após a derrota da humanidade, os Daemons controlam o mundo, mas ainda há pequenos grupos de resistência tentando retomar a sua liberdade.

Cabe ao jogador, na pele de um grupo de jovens ousados, investigar o que aconteceu com o mundo e criar uma grande aliança a fim de acabar com a terrível opressão que cerca a humanidade. Mesmo com um roteiro que não surpreende muito para o gênero, a presença de um elenco cheio de vida e carismático faz a aventura ser bastante cativante e divertida.

Um aspecto interessante da história é que a criação da aliança é um elemento importante de gameplay. A partir de um determinado ponto do jogo, é possível explorar o mundo com bastante liberdade. Ao visitar as bases das guildas, o jogador poderá começar uma grande aliança e expandir as áreas de alcance delas pelo mundo criando novas torres em áreas onde há grande fluxo de energia.

Fortalecer as guildas traz uma série de benefícios para os personagens, como a possibilidade de criar novos equipamentos, maior ganho de talento em batalha, novas posições para o combate etc. Sem contar que é possível ter suporte das guildas nas áreas do entorno das torres, que podem atacar os inimigos, causar paralisia, reduzir a defesa deles, fortalecer os personagens da equipe ou até oferecer informações detalhadas das fraquezas dos inimigos. Explorar o mundo e expandir os benefícios da aliança é de fato muito engajante.

Lutando por liberdade


Em termos de combate, assim como em The Legend of Legacy e os jogos da série SaGa, o título é um RPG em que os personagens não possuem níveis e, em vez disso, o uso de determinada arma repetidas vezes é o que os torna mais habilidosos com um sistema de awaken (equivalente ao insight de SaGa). Ou seja, quando usa uma técnica, o jogador tem uma chance de aprender um novo golpe em vez do originalmente selecionado. A probabilidade disso ocorrer varia de acordo com uma série de fatores, como a dificuldade da técnica e a força do inimigo enfrentado. Isso significa que é mais comum aprender novas habilidades lutando contra inimigos mais fortes, como chefes, o que torna vantajoso se desafiar constantemente e conhecer seus limites.

Nesse modelo sem níveis, os equipamentos têm um papel fundamental para a força dos personagens. De fato, é importante mantê-los sempre em dia, mas também há um detalhe bastante interessante na forma como, especificamente, as armas funcionam no jogo: seus ataques especiais. Conforme o jogador ataca e é atacado, uma barra de energia é enchida. Quando ela é completada, o personagem entra no estado Ignition, que libera o uso de ataques extremamente poderosos, muito superiores aos comuns. No entanto, ao utilizá-los, a arma quebra e o jogador ficará impossibilitado de usá-la até trocar para outra no menu principal ou restaurar seu funcionamento com a ajuda da guilda dos Blacksmiths. É um último recurso que pode fazer toda a diferença, mas precisa ser usado com cuidado.

Outro elemento importante são as formações. Com equipes de até cinco personagens e com as diferentes posições e armas de cada um, é possível montar várias combinações. Colocar todo mundo para atacar na frente pode ser adequado em alguns contextos, mas de forma alguma é algo adequado para todas as batalhas. O confronto contra alguns inimigos pode demandar o uso de defensores (que usarão técnicas para proteger todos os aliados) e de suportes (que poderão curar e usar buffs variados). 

As posições em combate são divididas nesses três eixos (ataque, defesa e suporte), mas qualquer golpe pode ser utilizado em qualquer posição. A diferença é a sua eficácia. Há também bônus diferentes para quem está na frente, no meio e no fundo do campo de batalha. Então, por exemplo, um personagem defensor na frente é mais útil do que um que está atrás, pois atrai mais os ataques dos inimigos. Além disso, ao ser colocado na postura de defesa, ele tem a oportunidade de defender todos os aliados, algo que não aconteceria se estivesse em ataque ou suporte. Saber montar formações interessantes pode ser fundamental para lidar com as batalhas mais complicadas.

Ter um bom controle do HP e do SP é importante também. Assim como em The Legend of Legacy, ao terminar um combate, o HP dos personagens é restaurado enquanto o SP continua o mesmo. No entanto, cada vez que um personagem morre, seu HP máximo é temporariamente reduzido e somente voltando a um local de descanso é possível recuperá-lo. Com isso, é importante ter bastante cuidado para que os personagens não morram muito, até porque, se esse máximo temporário for reduzido a 0, é game over. Todos esses fatores dão uma capacidade estratégica muito interessante ao jogador.

Uma edição remasterizada de um novo clássico


Em termos da nova versão, no entanto, é importante destacar algumas coisas. A versão remasterizada realmente ficou bastante bonita e em alguns momentos chega a até tirar o fôlego com seu uso de iluminação e efeitos com hachura, mas as texturas borradas dão um tom apático para muitos locais. É um daqueles casos em que artisticamente o título é bastante interessante, mas tecnicamente seu visual pode ser um pouco incômodo.

A trilha sonora também sofre com um problema de direção. Suas músicas são de altíssima qualidade e nos pontos altos fazem o jogo ser extremamente vibrante, comovente, emocionalmente catártico. No entanto, existem trechos muito longos de silêncio sem nenhuma necessidade. Aliado à ausência de vozes, esse mal uso da sonoridade chega a ser incômodo em alguns momentos, o que chega a ser um absurdo para um jogo com músicas de tanta qualidade.
Por fim, especificamente para a versão de PC, existe uma escolha completamente estúpida de não oferecer controle por teclado e mouse. Não há nenhuma justificativa razoável para a ausência dessa opção, sendo um título que poderia ser adaptado de forma simples para esse esquema de controle.


Esses problemas acabam reduzindo um pouco da qualidade do jogo, mas são detalhes muito pequenos. The Alliance Alive HD Remastered é uma segunda chance mais do que bem-vinda para um título que deveria ser obrigatório para qualquer fã de RPGs japoneses. É um título que com certeza merece o status de um novo clássico do gênero.

Prós

  • Sistema de aliança é engajante e traz benefícios claros para o jogador;
  • Combate com possibilidades estratégicas bastante interessantes;
  • Personagens carismáticos tornam a jornada cativante.

Contras

  • Texturas borradas;
  • Mal uso da trilha sonora em alguns pontos;
  • Não possui opção para teclado e mouse.
The Alliance Alive HD Remastered - PC/PS4/Switch - Nota: 9.0

Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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