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Análise: Hardcore Mecha (PC/PS4) traz combates contra chefes gigantescos e uma história envolvente

Este jogo apresenta uma campanha interessante, modos de jogo divertidos e bastante desafio para quem realmente é hardcore.

Code: Hardcore nasceu como um projeto no Kickstarter em 2016 e prometeu ser o jogo de mechas em 2D mais legal já feito. Após ganhar prêmios e adotar um novo nome, Hardcore Mecha, do estúdio chinês Rocket Punch, foi lançado em junho de 2019 para PC e chegou ao PlayStation 4 no início deste ano com atualizações trazendo novos modos de jogo para ambas as versões, desafiando até os mais acostumados com o gênero.


Hardcore Mecha claramente se inspira em Metal Slug e Super Robot Wars, e também em Cybernator e Metal Warriors, do saudoso Super Nintendo, mesmo que em menor intensidade O título possui três modos de jogo distintos que desafiam suas habilidades como um piloto de mecha. O game conta com uma música tema chamada Dash & Strike, do lendário Hironobu Kageyama, conhecido por também ser intérprete das músicas tema de Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco, para dar o pontapé inicial em nossa experiência.

Uma campanha envolvente

O ano é 2221 e uma nova ordem mundial está estabelecida e colonizando fora da Terra. Em Marte, a matéria-prima produzida pelas colônias permanentes do planeta são essenciais para manter a prosperidade alcançada após um período de guerra civil. É neste cenário que assumimos o papel de Tarethur O'Connel, o habilidoso piloto de uma milícia privada chamada Hardcore Defense Corp.

Sua missão, como mercenário contratado pela United Nations Force (UNF), é encontrar e resgatar uma oficial da inteligência sob o codinome de “A”, que foi feita prisioneira por uma facção terrorista que está causando caos e destruição nas colônias do território marciano. Para esta missão, Tarethur se torna o piloto temporário de um poderoso mecha da UNF, o Thunderbolt, e com a ajuda de seu companheiro de armas Edgar, ele para Marte para cumprir sua missão.
Objetivo da missão: Resgatar "A"
Tarethur O'Connel
Tarethur eventualmente consegue resgatar a oficial, mas as motivações envolvendo a facção terrorista se mostram bem maiores e o incidente toma enormes proporções, tornando-se uma ameaça para a existência da ordem mundial atual na Terra e nas colônias terráqueas em Marte. O piloto se vê então em um conflito pessoal onde questiona o motivo de sua luta: se deve ser um reles mercenário que luta por dinheiro, ou um homem que tem por quem lutar e é capaz de arriscar tudo por um bem maior.

Tarethur O’Connel e Thunderbolt ao combate

O Thunderbolt é um mecha extremamente versátil, podendo ser equipado com uma arma principal, uma secundária e uma metralhadora vulcan auxiliar. Ele é capaz de voar com o auxílio de propulsores e também consegue desferir ataques físicos com seus punhos e escudo, sendo que este último é usado para defesa de impactos físicos, projéteis e raios de energia.

O robô também tem à sua disposição uma variedade enorme de itens para auxiliar em suas missões, como kits de reparo rápido, minas anti-blindagem terrestres, paredes de escudos, mísseis teleguiados, torretas automáticas e drones. Mas uma das armas mais poderosas do robô é uma habilidade suprema que é misteriosamente ativada por Tarethur, permitindo que Thunderbolt execute um ataque carregado com sua arma principal ou um imenso ataque com sua lâmina de energia.

Tarethur não se resume apenas a pilotar o formidável Thunderbolt. O mercenário possui habilidade com armas de fogo e é bem ágil, sendo capaz de se defender de mechas inimigos até mesmo quando não está pilotando seu robô. Alguns segmentos do jogo necessitam que o piloto siga a pé para concluir determinados objetivos.


Com um ótima jogabilidade, o título não oferece uma customização de controles satisfatória para quem prefere alterar os comandos. Só é possível inverter os botões de defesa e mira fixa impedindo que o jogador possa definir os comandos de ataque nos botões de ombro, por exemplo. Um ponto negativo para quem gosta de outros padrões de controle.
Customização de controles é limitada a inverter os botões de defesa e mira fixa, apenas.
Antes de cada missão, o jogador é levado a uma tela de intervalo, permitindo que os créditos obtidos durante as missões sejam usados para desenvolver novas habilidades e armamentos para o Thunderbolt. Conforme Tarethur sobre de nível, e com uso de itens coletados nas missões, mais opções de aprimoramentos e armas ficam disponíveis para serem desenvolvidos e equipados no mecha. Para quem quiser melhorar suas habilidades de pilotagem, há também uma aba de treinamento com etapas que ensinam as principais mecânicas de controle do jogo.
Aqui é possível desenvolver habilidades e armamentos, iniciar a próxima missão e treinar.
Customização do Thunderbolt
Desenvolvimento de equipamentos
A campanha é dividida em missões e não é tão longa, podendo ser concluída em cerca de 5 horas. Cada missão conta com pelo menos um objetivo secundário não obrigatório, que pode ser a conclusão de uma tarefa em um tempo pré-determinado ou encontrar um item específico na fase, premiando o jogador com créditos extras para uso na seção de desenvolvimento do Thunderbolt.

Ainda é possível rejogar as missões para alcançar o Rank S e recomendo que você conclua normalmente o jogo antes de tentá-las novamente, pois a partir da segunda metade da campanha a dificuldade fica bem elevada e isso favorece para que você fique mais habilidoso na pilotagem do mecha e aumente suas chances de sucesso ao refazê-las.

O destaque fica para as batalhas contra os chefes, que muitas vezes são veículos gigantescos, como uma embarcação de combate ou um guindaste de mineração. Alguns embates contam com mechas inimigos que podem atacá-lo em grupo ou em desafiantes duelos, como as batalhas contra Vulphaes Bonaparte, um piloto de mecha ligado à facção terrorista com habilidades e determinação tão surpreendentes quanto as de Tarethur. A rivalidade entre os dois se torna uma atração à parte em meio aos conflitos da campanha principal.
Uma das grandes batalhas contra os chefes.
Tarethur vs. Vulphaes.

Além da campanha

Depois de concluir a épica jornada de Tarethur e seus aliados para salvar a Terra, um novo modo de jogo é habilitado e este é recomendado para quem realmente quer ser um piloto de mecha hardcore. Simulation é um modo de sobrevivência onde você controla um robô mais básico e testa até o limite suas habilidades de pilotagem e combate.

O objetivo é lutar contra hordas de ataques inimigos e sobreviver o máximo de tempo possível. Essas batalhas proporcionam pontos de habilidade que são usados para fazer upgrades em seu mecha. Com esses pontos ainda é possível liberar novos robôs, com equipamentos e aprimoramentos específicos,permitindo que você seja capaz de lutar e sobreviver por mais tempo às ondas de ataque inimigas.

Um modo multijogador também está disponível desde o início e permite que até quatro jogadores lutem entre si em dois modos de jogo: Free for All e Team Deathmatch, em ambiente online ou localmente em tela dividida. Até o momento da publicação desta análise, não consegui jogar o modo online, mas constatei em pesquisa que a única diferença são as recompensas obtidas ao subir de nível neste modo.

Um jogo que faz jus ao gênero

Hardcore Mecha cumpre a promessa feita pela Rocket Punch e ao jogar sentimos mesmo que este é um dos jogos de mecha em 2D mais legais de todos os tempos, e jogá-lo me fez lembrar de ótimos jogos com essa temática que joguei durante minha vida, como Gundam Wing: Endless Duel (SNES) e os já citados Cybernator e Metal Warriors.

Com uma campanha envolvente e empolgante, a narrativa faz parecer que estamos assistindo um anime, estimulando nosso jogo para ver o próximo passo da história e transmitindo a adrenalina do momento para que nossa batalha a bordo do Thunderbolt seja a mais épica que já travamos. O modo Simulation tem como objetivo nos moldar para sermos um piloto mais hardcore e o modo multiplayer local é uma adição excelente para jogar com amigos. Um pacote generoso e ótima recomendação para quem curte o gênero mecha.

Prós

  • Campanha empolgante;
  • Personagens com personalidade forte;
  • Arte e trilha sonora cativantes;
  • Jogabilidade bem construída;
  • Modo Simulation é um ótimo extra pós-campanha;
  • Multiplayer local nostálgico e dinâmico.

Contras

  • Telas de loading entre cenas nas missões quebram o ritmo de jogo as vezes;
  • Customização de controles limitada na versão para PS4;
  • Multiplayer online difícil de encontrar uma partida (até o dia da publicação desta análise).
Hardcore Mecha – PC/PS4 – Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Rocket Punch Games
Revisão: Farley Santos

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos multiplayer que causam discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


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