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Análise: Cardpocalypse (Multi) diverte com um criativo card game em meio a uma ameaça mutante

Ajude Jess a encarar os mistérios que cercam sua nova escola ao lado de seus amigos e seu versátil baralho.

Joguinhos de cartas sempre são febre por onde quer que passem, principalmente entre a criançada. Desde o famoso truco escondido entre a segunda e a terceira aula até as reuniões de amigos para jogar Yu-Gi-Oh! ou Magic: The Gathering, todo mundo já cedeu algumas horas para algum card game. Cardpocalypse (Multi) se aproveita bem disso misturando cartas e aventura em um título simples, carismático e com partidas viciantes. Tudo isso em um ambiente escolar típico dos anos 1990 (e talvez de muitas outras décadas também).

Pessoa errada na hora errada

Jess é uma garota que, assim como todos da sua geração, é apaixonada pelos Mega Mutant Power Pets. Além de um show de televisão, que a maioria dos pais reprova, eles também possuem um baralho temático, e isso arrasta uma legião de garotos e garotas em um vício que não tem tamanho. Nossa protagonista acaba de se mudar e tem que frequentar uma nova escola, a Dudsdale Elementary School, onde essas cartinhas são a lei, e também o principal motivo da ira da diretora e dos professores.

Apesar de muitos a considerarem estranha, principalmente pelo fato de ser deficiente, Jess consegue fazer algumas amizades, justamente por causa dos duelos entre os monstrinhos. Após revidar as ameaças que um garoto mais velho fazia a um de seus novos amigos, um estranho fenômeno sobrenatural ocorre,  dando à diretora o pretexto ideal para banir o jogo da escola. Jess leva a culpa por isso e agora cabe a ela limpar seu nome, resolver diversos mistérios que começam a acontecer por causa de uma estranha gosma que apareceu do nada, proteger seus novos amigos e provar que ela é muito mais que uma garota estranha.

Hora do duelo!

As regras das partidas de Power Pets são bem simples: cada baralho conta com 20 cartas, que podem ser criaturas (minions) ou suportes (mutações), e um campeão. Todas elas possuem pontos de ataque, vida e um custo de invocação, suprido com "comida". A comida de cada jogador aumenta por rodada, sendo possível colocar em campo monstros mais fortes à medida que o jogo avança. As criaturas devem se confrontar, usando seus pontos, e quando um deles tem a vida zerada, é destruído. Todos os campeões, sem exceção, possuem de base 30 pontos de vida, um ponto de ataque e um efeito especial. Ganha quem derrotar o campeão adversário primeiro.

Vale ressaltar que ao perder metade de sua saúde, o campeão evolui para sua forma mega e ganha mais um ponto de ataque e habilidades mais fortes, o que ajuda a variar e pensar como se todo duelo tivesse duas partes.

Além dos seus atributos básicos, a maioria dos bichinhos possui diversas habilidades, como atacar na mesma rodada em que entra (quando invocados, eles têm que esperar uma rodada para bater), dano letal (matar mesmo possuindo menos pontos de ataque que a vida do oponente) ou servir de alvo para proteger seu campeão, por exemplo. É aí que entra uma boa sacada do jogo: a customização. De acordo com os estudantes, são usadas as "regras da casa", logo são permitidas cartas alteradas com adesivos, que aumentam seus pontos de ataque, diminuem seu custo ou até adicionam efeitos extra, tornando possível transformar criaturas mais simples em recursos vitais do baralho.

A única regra que não pode ser quebrada é a de classes. Cada deck precisa respeitar a classe do campeão, que é indicadapor uma cor: os Woofians, de cor laranja, são representados por bichos caninos; a cor verde pertence aos Meowtants, que são criaturas felinas; cobras e outros répteis em geral formam o grupo roxo, dos Sinissers; por fim, o azul engloba os Pipsqweaks, que são coelhos, ratos, morcegos e outras criaturas pequenas. Os únicos que podem integrar qualquer conjunto são os incolores, que não por acaso são as criaturas mais básicas de todo o jogo e não pertencem a classe nenhuma.

Menina xereta

Para solucionar os problemas em meio à bagunça na Dudsdale Elementary, Jess tem que vasculhar cada sala e conversar com todas as pessoas possíveis. Claro que a principal ferramenta de "comunicação" são as partidas de Power Pets. Elas servem para tudo: baixar a bola dos valentões, conseguir novas cartas e até lanchinhos, que são utilizados em trocas por cartas mais raras. Porém, também é possível evitar duelos de missões paralelas através das respostas da nossa heroína. Em determinado momento, são oferecidas algumas opções de resposta que podem agradar ou não outras pessoas. Assim, muitas vezes é possível ganhar a recompensa sem precisar realizar uma batalha, apenas sendo gentil.

Um destaque na exploração, com fortes pontos positivos e negativos, é o mapa. A principal vantagem dele é oferecer uma viagem rápida para cada lugar da escola, mesmo sem o ter o visitado antes. Outra coisa bacana é que ao sinalizar um local, ele já te mostra quais alunos estão em qual lugar e qual a intenção deles (trocar, batalhar ou missões). Isto torna tudo muito mais dinâmico, é só olhar o nome de quem você procura no menu e se dirigir a ele rapidamente. Porém, uma coisa muito irritante é que sempre há um travamento ao explorar o mapa depois de um tempo, ou ao chegar no último espaço da direita, e então é necessário fechar e abrir o menu novamente. Isso também ocorre no campo de batalha, após acionar alguma habilidade, mas com bem menos frequência.

A mais legal da escola

Cardpocalypse é viciante. Apesar de deslizar em coisas bobas, como a movimentação travada pelo mapa e a falta de um álbum ou índice para catalogar as cartas que já foram adquiridas, é impossível não querer coletar todas, mesmo sem saber quantas cartas são ao todo. A trilha sonora durante as batalhas também poderia ser melhorzinha, mas ainda assim o impulso de disputar cada partida disponível é irresistível. Um último ponto bastante relevante é enfatizar uma protagonista cadeirante que, mesmo com sua deficiência, se impõe e não deixa que a diminuam, exercendo também seu papel de líder e protetora dos seus amigos. É a combinação perfeita para quem quer uma aventura bacana, leve e divertida.

Prós

  • Mecânica das batalhas simples e de fácil compreensão. 
  • Criaturas carismáticas e com alguns nomes baseados em trocadilhos maravilhosos;
  • Mapa de navegação rápida e objetiva, que deixa tudo mais dinâmico e evita a tarefa de ter que ir de lugar em lugar procurando todo mundo;
  • Uma protagonista osso duro de roer, que além de ser cheia de personalidade, serve de modelo para muitas jovens.

Contras

  • Não existe um índice ou galeria para contabilizar quantas cartas já foram obtidas ou quantas existem ao todo. Isso enfurece qualquer colecionador mais ávido;
  • A trilha sonora durante as batalhas às vezes é um pouco monótona;
  • Por diversos momentos existe um congelamento na movimentação, em menor ocorrência enquanto nos deslocamos com a nossa protagonista e no tabuleiro, e quase sempre ao examinarmos o mapa.
Cardpocalypse — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Versus Evil

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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