Jogamos

Análise: Monkey King: Hero is Back (PS4/PC) – traz uma aventura leve, divertida e acompanhada de um belo aprendizado

Enfrente hordas de inimigos e acompanhe o Rei Macaco em sua jornada de autorreflexão e redenção.


Monkey King: Hero is Back traz uma nova interpretação do famoso conto chinês Jornada ao Oeste, que recebeu um longa animado em 2015. O jogo mistura elementos de ação baseados em movimentos de kung fu e fases repletas de segredos e locais a serem explorados. Tudo isso para criar uma trama agradável de se acompanhar e repleta de ensinamentos importantes.

Um passeio pela cultura chinesa


O título me chamou atenção no momento em que THQ Nordic anunciou o seu lançamento por abordar elementos característicos da cultura chinesa ao qual sou um grande fã. Sua fonte inspiradora é um famoso romance mitológico que conta a peregrinação de um monge chinês que parte para a Índia em busca de escrituras sagradas do budismo. A obra é rica em personagens carismáticos e está intimamente ligada com elementos como o kung fu, budismo e toda a sua bagagem filosófica.

Sun Wukong; Bajie, o porco que tem 36 transformações e até a nuvem voadora são uma das muitas referências que serviram de inspiração para Dragon Ball, famosa obra de Akira Toriyama


Na adaptação Hero is Back nos coloca no comando de Sun Wukong, o Rei Macaco que desperta após 500 anos de sua sentença de aprisionamento devido a sua conduta arrogante e prepotente com seus irmãos. Logo no começo somos apresentados ao jovem Lieur e sua irmãzinha Aun-Aun, que têm sua esperança renovada ao encontrar o enfraquecido Rei Macaco. Eles pedem a ajuda de Sun Wukong para resolver o caso de crianças sendo sequestradas por monstros. O egoísta símio ignora o pedido dos pequenos órfãos, mas é rapidamente advertido por Guan Yin, uma divindade do budismo que o alerta do dever de fazer o bem para reparar seus erros passados. Durante a missão de ajudar as crianças do vilarejo, encontramos aliados como a Madame Lebre, Deuses da Terra, Zhu Bajie, entre outros. 

Guan Yin é uma das divindades do Budismo e guia para os nossos heróis durante a aventura


Acompanhar a evolução não só de Sun Wukong, mas dos demais personagens no decorrer do enredo é algo que acontece de forma fluida e muito natural. Ver o orgulhoso Rei Macaco reavaliar seus conceitos enquanto recupera sua força, a coragem e persistência de Liuer em salvar as outras crianças, e o bom humor e a lealdade de Bajie com seus amigos são pequenos detalhes que somaram para uma experiência agradável que não deixa a desejar a nenhuma grande produção animada nos cinemas.



Mestre do kung fu

Na tarefa de impedir os aventureiros de salvarem as crianças, encontraremos diversos oponentes entre ogros, javalis guardiões de pedra, e outros. Eles variam em cor e tamanho, cada um representando um nível de ameaça. Os chefões estão presentes também e trazem um nível de dificuldade moderada que darão trabalho aos jogadores mais descuidados.



Para responder a altura as ameaças dos inimigos, Dasheng (Grande Sábio em chinês e uma das alcunhas de Sun Wukong) está pronto para enfrentá-los com o bom e velho kung fu. Temos o ataque fraco que possui uma sequência que pode ser melhorada com upgrades, e o ataque forte que, apesar de lento, é ótimo para quebrar a defesa e desestabilizar os oponentes. A mecânica de combate é clássica e lembra jogos como Crash Bandicoot e Spyro por não ter um sistema de cancelamento que permita corrigir um erro no timing do ataque ou uma trava de mira nos inimigos. Não encaro isso como algo negativo, apenas um detalhe e que pode representar maior dificuldade para aqueles que estão habituados aos jogos repletos de assistências nos dias de hoje.



Uma bela pancadaria de kung fu não estaria completa sem improvisos regados de bom humor. Durante o combate encontramos bancos, pedras e bastões que podem ser usados como armas corpo-a-corpo e de arremesso. Fora isso, se acertarmos um golpe forte no ato do ataque inimigo, desferimos um poderoso contra-ataque chamado de purificação. Se no lugar do ataque forte usarmos um golpe fraco iniciamos o modo Um contra Um, no qual você e o inimigo em questão começam uma troca isolada de golpes, e ao vencê-lo, o Rei Macaco finaliza o oponente de forma inusitada. Cada oponente apresenta uma animação diferente e todas elas são bem humoradas.



O jogo também traz um simplificado sistema de furtividade em que podemos andar agachados para reduzir o som dos nossos passos e acertar golpes críticos ao pegar as criaturas desprevenidas. O único problema que tive durante o meu gameplay foi nessas ocasiões por conta dos NPCs que nos acompanham durante as fases. Liuer e Bajie dão algumas dicas, mas não participam da ação e são ignorados pelos inimigos, ainda assim, eles interferem na nossa movimentação ao ficar em nosso caminho. Isso de certa forma até combina com a personalidade desajeitada de Bajie e a falta de experiência de Liuer, mas não deixa de ser algo que atrapalha em momentos furtivos em que o tempo na movimentação é crucial.

Além dos ataques físicos, Dasheng tem ao seus dispor uma lista de magias. A variedade de feitiços é boa: olhos mágicos que revelam segredos, aumento na velocidade, a capacidade de criar armas do próprio pelo, e muitas outras. Cada uma delas vai sendo desbloqueada conforme eliminamos os chefes das fases.

Com a magia dos Olhos Mágicos, é possível revelar inimigos e todo o tipo de item no mapa, inclusive colecionáveis


Do cinema para os jogos

Ao longo de nossa jornada, passamos por florestas, cavernas, pequenos vilarejos e grandes castelos. Apesar de não apresentar o melhor gráfico que a geração atual possa dispor, os cenários são ricos em detalhes e com visual inspirado no longa homônimo lançado em 2015. As fases possuem mapas extensos repletos de passagens estreitas, construções para acessar e segredos para serem coletados.

Colete Deuses da Terra para melhoras os status de Sun Wukong


Pessoalmente não tive grande dificuldades para encontrar todos os colecionáveis, visto que Dasheng possui uma magia que revela os segredos do local por um curto período e você ainda pode revisitar antigas fases para pegar algum item que tenha ficado para trás. Coletá-los não é uma tarefa essencial, porém é importante para fortalecer o Rei Macaco e para conseguir todas as conquistas no jogo.



A trilha sonora é marcante durante a jogatina com melodias leves em momentos de exploração, alternando em ritmos mais acelerados em trechos de ação. A dosagem foi feita na medida certa de forma que você note a música enquanto joga, mas sem que ela se sobressaia aos demais atrativos do jogo.

Uma aventura memorável

Monkey King: Hero is Back traz uma experiência divertida, de fácil aprendizado e cheia de ensinamentos importantes como a importância da amizade, humildade e resiliência. O jogo é uma excelente pedida para aqueles que precisarem dar um tempo de jogos muito longos e com temática mais séria. Inclusive uma boa recomendação para jogar com crianças pelo bom humor do jogo e por estar legendado em português.

“Ao praticar o kung fu, meu punho deixou de ser algo simples e tornou-se uma arma de grande poder. Ao conhecer a essência do kung fu, meu punho voltou a ser algo simples” 

Prós

  • Personagens carismáticos;
  • Enredo bem construído;
  • Combate regado de bom humor;
  • Legendas em português.

Contras

  • NPC’s que podem atrapalhar durante a movimentação.

Monkey King: Hero is Back – PS4/PC – Nota: 9.5

Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Farley Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela THQ Nordic

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google
Disqus
Facebook