Análise DLC

Análise: Graveyard Keeper: Stranger Sins (Multi): do céu ao inferno em um DLC

Algo determinante para que um título mantenha seu status é a qualidade dos produtos conectados a ele — o que se mostrou, infelizmente, catastrófico com o novo conteúdo adicional oferecido pelo título.

Graveyard Keeper (Multi) se provou uma das maiores (e melhores) surpresas deste ano, especialmente após o lançamento do DLC Breaking Dead, que oportunizou ao jogador “grindar” materiais básicos, como madeira e pedras, para que o prosseguimento no jogo fosse menos “penoso”.


Na análise em questão, destaquei que as atualizações do jogo alteravam consideravelmente sua jogabilidade e estrutura, razão pela qual ele deveria ser constantemente acompanhado. O novo DLC, Stranger Sins, insiste na pegada em títulos que remetem a elementos da cultura pop e, até certo momento, é bastante engraçado, mas um erro imperdoável da desenvolvedora torna o conteúdo adicional o maior pecado (com o perdão do trocadilho) de um título: ser injogável.

Muitas histórias ficaram para trás (sem spoilers)

Por ser um game bastante longo e de mundo aberto, o jogo principal e a expansão gratuita Breaking Dead se focaram em alguns personagens, como Gerry, Dona Formosa, o Inquisidor ou o Bispo. Em Stranger Sins, embora alguns destes sejam importantes para o desenrolar da nova narrativa — e possuem missões que requeiram sua presença —, personagens como Adão (o oleiro), Cory (o construtor) ou o Apicultor (novo personagem inserido), apenas para citar alguns, recebem uma atenção especial.

Basicamente o jogo consistirá em obter determinados “itens históricos” que pertencem a alguns destes personagens, inseri-los em uma máquina e desbravar o sombrio passado do vilarejo e de seus habitantes. Além disso ser uma das tarefas mais ingratas do jogo, é por essa razão que o conteúdo adicional se torna ingrato.
Eis a máquina.


A obtenção dos itens, em si, não é complexa. O que incomoda, de fato, é que para que os respectivos donos os entreguem para o jogador, praticamente todos exigem uma contraprestação. Algumas são divertidas, como construir um pub e elevá-lo a um determinado nível (uma das inclusões do DLC), organizar corridas de rato ou promover uma apresentação de stand up (sim, as piadas são boas).
Apresentações musicais entre os possíveis eventos.


Alguns itens, quando não entregues por NPCs, são encontrados cavando em locais indicados pelo mentor Gerry (o crânio falante). Outros, no entanto, exigem que o jogador converse com um personagem, que pedirá para dizer algo a outro NPC, que será o mesmo que imediatamente mandará outro recado àquele que o enviou. Além de serem tarefas completamente sem sentido, não trazem qualquer progressão real ao jogo ou ao enredo, apenas fazendo com que o jogador sinta que está perdendo tempo.
Tosco, mas faz rir.


Outra questão: deve-se seguir a ordem dos itens à forma como Gerry recomenda, sob risco de “gerar o apocalipse”. Embora o tom catastrófico que o mentor dá a essa hipótese, o próprio título impede que o jogador utilize na máquina itens fora de ordem. Em outras palavras, não é algo com que seja preciso se preocupar, tampouco experimentar, para ver “no que dá”.

Tão logo os objetos sejam adquiridos, haverá uma máquina no subterrâneo do pub que escaneará o item em questão e contará a história do povoado em partes. “Em partes” porque, embora seja possível obter diversos desses itens de uma vez, o próprio jogo impede que eles sejam arrecadados de uma só vez, contribuindo ao “vai e vem” desnecessário. E é nesse ponto que encontramos o maior vilão do jogo.

Os matadores de títulos: bugs e má otimização

A versão que insere Stranger Sins é a 1.200 e, após seu lançamento, foram anunciadas cinco novas atualizações — isso no espaço de duas semanas —, praticamente todas voltadas a correções.

O primeiro bug que, por sorte, não me atrapalhou (ao menos até aqui), consiste no armazenamento de itens no corpo do barman do pub, que nada mais é senão uma marionete possuída. Dentro do bar construído para o jogador há uma série de estantes para inserirmos os “itens históricos” — logo após seu uso junto à máquina — para a exposição dos frequentadores.

Como as estantes não “funcionavam” e estava com o inventário cheio, decidi “guardá-los” no corpo do barman. Qual não foi minha surpresa quando percebi que os itens praticamente desapareceram dele — e há diversas reclamações do tipo em discussões junto ao Steam, todas sem solução até o momento.
Eis aí o "ladrão" de itens.


Felizmente, como já os havia utilizado na máquina, até onde percebi, não houve prejuízos maiores ao desenrolar do jogo — exceto pelo fato de que, caso sejam necessários no futuro, não serão tão facilmente resgatados.

O ponto nevrálgico é exatamente o que bloqueou minha continuidade no título: o “desaparecimento” do apicultor. Após determinado trecho, Adão exige que apresentemos a ele três vasos de “alta qualidade”. Dada a experiência do jogador no jogo principal, a primeira coisa que virá à mente do player será criar os tais vasos, utilizando todas as habilidades desenvolvidas até o momento.

Reconheço que, inocente, me foi uma surpresa quando o oleiro os rejeitou, exigindo que comprasse “vasos de verdade” do Comerciante de objetos caros. Com os alforjes cheios de dinheiro, tive de aguardar quase uma semana de relógio de jogo para o encontro, apenas para ele me afirmar que os vendera ao apicultor. Novamente, esse é o aspecto “vai e vem” desnecessário que, além de prolongar o ritmo de jogo de forma esdrúxula, faz o jogador sentir-se um tolo.
Cada beberrão é um jogador irritado com as falhas do DLC.
Na mesma hora, me dirigi à residência do apicultor que, em razão de um bug, não apareceu mais. Em seu lugar, um monge genérico (como diversos outros que vivem no vilarejo) sai da casa pela manhã, vai a um ponto específico do mapa, segue até à taberna de Manuel (o taverneiro) e, ao final do dia, retorna para a casa.

Fiquei em pé por três dias seguidos ao lado da casa, tentei conversar com o NPC (que obviamente não responde) e nada do bendito apicultor dar as caras. Rodei por todo o mapa onde seja possível caminhar e não o localizei. Como Adão entregará outro item para a máquina somente em lugar dos tais três vasos, decidi que o jogo se encerrará neste ponto, dada a impossibilidade em prosseguir.
"Me dá vontade de saber: aonde está você? Me telefona, me chama, me chama!"


Mesmo na análise do jogo base destaquei os lags em determinados locais do mapa, contudo, eles ocorrem em momentos específicos e não prejudicam de todo a jogabilidade. A nova atualização, no entanto, transforma Graveyard Keeper em uma verdadeira prova de paciência, sendo constante em todo o jogo.

Alguns usuários do Steam comentaram que seus respectivos jogos caíram a 2 fps, tornando impraticável qualquer movimentação dentro do título. Embora as quedas de frames para mim não tenham reduzido a tanto, reconheço que em determinados momentos me irritaram profundamente, além de ocasionarem dores de cabeça e nos olhos.

Poderia ser um conteúdo adicional incrível, mas…

A princípio — e com uma dose de decepção —, já antecipo o alerta: não vale a pena, ao menos por ora. A despeito dos anúncios de atualizações, nenhuma foi disponibilizada até o momento. Inclusive, até o fechamento desta análise, reinstalei o jogo para confirmar a ocorrência de uma nova alteração e sequer indicador de atualização consta no jogo.
Quem sabe na próxima, burrinho...


Embora haja a possibilidade do jogador em criar novas — e criativas — fontes de renda (que demandam especialmente o uso constante de fabricação de bebida alcoólica, algo pouco explorado no título principal), que fazem ótimo aproveitamento das habilidades anteriormente desenvolvidas, o “vai e vem” desnecessário e a “caça ao tesouro”  de itens  escondidos, como já dito, apenas dão a sensação de perda de tempo.

De mesmo modo, o “desaparecimento” do Apicultor é apenas um de muitos bugs reclamados por usuários que ainda não obtiveram resposta da desenvolvedora para correções e, enquanto isso, há a queda brutal de frames para muitos jogadores — também sem previsão ou sequer anúncio de correções. Simplesmente frustrante.

Prós

  • Constante uso de habilidades aprendidas no jogo principal;
  • Enredo (até onde me foi possível acompanhar) interessante, sanando dúvidas e mistérios sobre o vilarejo e seus habitantes;
  • O pub é uma forma interessante e divertida de incrementar meios em se obter renda;
  • Piadas canastronas ainda são engraçadas.

Contras

  • Queda substancial de frames, prejudicando a jogabilidade;
  • Atividades desnecessárias que fazem o jogador perder tempo;
  • Bugs que impedem o jogador de concluir o DLC.
Graveyard Keeper — Stranger Sins - PC/PS4/XBO/Switch - Nota 3.0
Versão utilizada para análise: PC

Análise desenvolvida com cópia gentilmente fornecida pela TinyBuild Games.
Revisão: Farley Santos

Mineiro, apaixonado por livros, música, filmes, discussões, Magic: The Gathering e, claro, jogos eletrônicos.


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