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Análise: WWE 2K20 (Multi) é um show de horror sem fim

Título junta uma pilha absurda de defeitos e não faz jus a franquia que representa.

Na linha dos "periódicos esportivos" que são lançados anualmente, a franquia WWE talvez seja uma das que possua mais altos e baixos. Infelizmente, WWE 2K20 (Multi) veio para representar um ponto baixíssimo, decepcionando quem esperava por algo tão bom quanto, ou até melhor, que a edição passada.

Um grande legado

Vamos começar destacando um dos pontos positivos: seu conteúdo. Contando entre elenco base, desbloqueáveis e versões diferentes de um mesmo lutador, são mais de 200 personagens à disposição, o que é um deleite para qualquer fã de luta livre. Com os DLCs programadas para serem lançadas ao longo do tempo, é capaz que esse número atinja a impressionante marca de 250 combatentes, cada um caracterizado com seus movimentos marcantes e entradas únicas.

Outro número significativo é o de modos de jogo. É possível simular cada tipo de evento existente, desde duelos simples até combates com oito participantes ao mesmo tempo. E o número de possibilidades aumenta consideravelmente ao escolher as regras, que podem permitir só submissões, apenas três quedas, a inclusão ou proibição de objetos no ringue (escadas, mesas), lutas dentro de celas ou gaiolas e até tornar os nocautes a única maneira possível de vitória. Se organizar bem, tem porrada para todos os gostos e gêneros.

2K20 ainda investe em usar do contexto histórico para criar desafios e recontar momentos marcantes da história do WWE. Aqui aparece outro ponto positivo, que é um destaque focado nas lutadoras, que agora ganharam um evento só delas. É possível repassar algumas das lutas principais de Bayley, Becky Linch, Charlotte Flair e Sasha Banks, quarteto que ficou conhecido como The Four Horsewomen. Além dessa torre principal, existem diversas outras focadas em membros clássicos da organização, como Stone Cold Steve Austin, Sting, Triple H, Hollywood Hulk Hogan, The Rock e Undertaker. A cada luta é necessário realizar certos movimentos específicos para então conseguir a vitória.

Rumo ao estrelato

Como de praxe nos jogos atuais, 2K20 tem um modo carreira, focado em um atleta que busca ascensão e reconhecimento em meio a outras estrelas. Nesse caso, temos um personagem feminino e um masculino, amigos desde a época do colégio, que conseguem atingir o estrelato e serão nominados ao Hall da Fama. Cada capítulo aqui é uma espécie de memória de cada etapa que eles tiveram que percorrer juntos, logo sempre tem uma luta para cada. Cada interação conta com outros nomes famosos do elenco, que cederam suas próprias vozes para dublagem. Isso ajuda muito a se ambientar como os dois aspirantes de fato.

Porém, aqui começam alguns dos vários problemas com o jogo. A parte visual das animações entre as lutas é simplesmente medonha. As expressões faciais das nossas criações são exageradas e caso eles possuam barba ou cabelos longos, preparem-se para um show de horror, pois esses elementos simplesmente se mexem independente das feições demonstradas. O cabelo mesmo parece um chicote, pronto para enforcar nossa lutadora. Por falar em animações, elas não podem ser puladas. Então, caso você falhe em uma luta, será obrigado a assistir toda a cutscene que a precede, na íntegra. Isso deixa tudo absurdamente cansativo e bastante enfadonho.

Ai meus olhos!

Não achem que os problemas visuais terminam no modo carreira. Na verdade essa é só uma parcela do desastre visual ao qual se resume o jogo. A começar pelos próprios lutadores, que parecem ter sido feitos pela equipe de estagiários que trabalhou na emenda de feriado. Os modelos menos tristes são os dos personagens masculinos e carecas, pois são os que possuem menos detalhes. Os que têm cabelo curto não tem textura, como se fosse uma coisa só, e os de cabelo comprido parecem palhas pintadas.

Agora quando começamos a olhar as mulheres, é aí que a coisa piora drasticamente. Muitas delas, para não dizer todas, estão com visual muito aquém das suas fontes de inspiração. As que não têm cara de assustada, parecem que estão com prisão de ventre. E mais uma vez os cabelos são um elemento vivo, balançando em direções opostas ao movimento do corpo, dando a impressão de que o pescoço da personagem foi quebrado da maneira mais estranha possível.

As arenas e ambientes cumprem seu papel em dar shows de pirotecnia e de mostrar o ambiente, com o público vibrando, vaiando e gritando o nome dos lutadores. Entretanto, mais um deslize acontece quando se trata do combate nos bastidores. Além das paredes terem uma textura granulada horrível, os objetos presentes para interação se mexem sozinhos, como se estivessem possuídos, e as portas são armadilhas mortais, podendo prender os personagens sem mais nem menos durante a porradaria. Por falar em objetos, alguns deles, como escadas e mesas, também dão uma certa dor de cabeça quando inseridos no meio da arena, sumindo do nada.

Não faço ideia do que estou fazendo

A luta livre tem como característica movimentos chamativos e elaborados. Logo, espera-se uma lista de golpes um tanto quanto complexa e um tutorial para aprender a aplicá-los. Pois bem, esse auxílio inexiste e o único amparo do jogador é uma sessão cheia de instruções escritas, que não simula em qual situação cada movimento precisa ser feito. Essas "dicas" podem ser acessadas pelo menu principal ou vistas em cada tela de loading.

A medida que a luta prossegue, algumas instruções aparecem na tela em momentos chave. Porém, isso não impede que algumas confusões aconteçam e outro vilão venha dar as caras: a movimentação. Chega a ser desesperador o ato de avançar até o seu oponente e ver a demora com que alguns comandos são reconhecidos pelo sistema do jogo. Só o ato de se deslocar pelo ringue faz parecer que o personagem já começa cansado.

Porém, a pior parte é quando um ataque, seja seu ou do oponente, não vai dar em nada, por estar longe, e acerta em cheio. Isso não é um bug e sim um erro na estrutura do jogo, pois é algo que acontece com uma frequência absurda. Outro fator que é bastante incômodo são os minigames necessários para se realizar ou escapar de uma submissão, que parecem nunca favorecer o jogador, seja girando o analógico ou apertando freneticamente os botões. Para fechar com chave de ouro, os narradores revezam com a torcida para ver quem vai sair para tomar café primeiro, pois em diversos momentos nota-se que o barulho do ambiente some e ficam apenas os ruídos dos socos e pontapés em meio a uma arena abandonada.

Um jogo no meio do bug

Em seu esforço de tentar renovar e melhorar tudo que seu antecessor fez, com uma admirável competência, WWE 2K20 conseguiu falhar de maneira apoteótica em praticamente tudo. Nem mesmo o elaborado modo carreira ou a possibilidade de criar lutadores com uma infinidade de itens consegue salvar o jogo de ser uma experiência medíocre. Caso você seja fã da franquia e ainda assim pretende dar uma chance a esta edição, prepare-se para passar muita raiva e desgosto.

Prós

  • Muitos modos de jogo;
  • A criação de personagens do modo carreira e bastante variada;
  • Grande destaque para a história das lutadoras femininas do elenco;
  • Participação ativa dos lutadores com vozes e vídeos;
  • Todas as entradas são fielmente recriadas, tanto as individuais quanto as em dupla.

Contras

  • As animações são muito mal feitas, com direito a cabelos vivos e expressões faciais estranhas;
  • É impossível pular as cutscenes do modo carreira, mesmo depois de assistidas uma vez;
  • Objetos têm vida própria e somem ou saem pulando por aí;
  • O visual da luta nos bastidores é todo granulado e mal acabado;
  • A maioria dos lutadores não são fielmente reproduzidos. Isso piora no caso da parte feminina do elenco;
  • A movimentação dos lutadores é horrível e alguns golpes parece que acertam por telecinese;
  • Os minigames usados para realizar as submissões são muito cansativos;
  • Em caso de mais de dois lutadores no ringue, fica bastante impreciso determinar quem atacar;
  • Narradores e torcida somem do nada em momentos esporádicos.
WWE 2K20 — PC/PS4/XBO — Nota: 2.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Farley Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela 2K Sports

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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