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Análise: Yooka-Laylee and the Impossible Lair (Multi) é justamente aquilo que os fãs de jogos plataforma procuravam

Com uma boa mistura de criatividade e inspiração nos velhos tempos, o título se torna indispensável para quem ama o gênero.

Criados em 2017, o camaleão Yooka e a morcego Laylee formaram uma dupla improvável em sua primeira aventura. Dois anos depois eles estão de volta em uma continuação bastante caprichada. Yooka-Laylee and the Impossible Lair (Multi) supera seu predecessor em praticamente todos os aspectos, trazendo uma aventura divertida, desafiadora e bastante colorida.

O Batalhão das Abelhas

A história é uma continuação direta do primeiro jogo. O vilão Capital B está usando uma estranha força chamada "Mente da Colmeia" para aprisionar os 48 soldados da rainha Phoebee. Para trazer a ordem de volta ao reino, cabe aos nossos intrépidos heróis resgatar todo o batalhão, pois eles são parte vital da aventura.

Logo de cara começamos pela última fase, o Covil Impossível. Após uma breve batalha contra o vilão, descobre-se que não tem como vencer o estágio. É aí que entram as 48 abelhinhas: elas protegem os heróis e assim ficará menos impossível de passar pelos diversos obstáculos do covil. De início tudo assusta bastante, pois a quantidade de criaturas e coisas acontecendo ao mesmo tempo chega a ser absurda. Porém, ao evoluir pelo jogo e ir enfrentando os diversos tipos de inimigo, logo dá para pegar o jeito e tudo vai se tornando mais fácil de compreender. Para aumentar a provocação ao jogador, sempre é possível ver a porcentagem de avanço e a quantidade de tentativas gastas.

Um mundo magicamente louco

Para quem jogou a primeira aventura, a diferença mais gritante é a mudança dos mundos abertos para as fases em estilo 2D com progressão lateral. Para superar os obstáculos e derrotar as criaturas de Capital B, Yooka e Laylee podem planar no ar e utilizar um ataque rolante. Porém, isso não significa nenhum retrocesso, já que cada uma delas foi construída com obstáculos e sequências de inimigos que ajudam muito na evolução da aventura. Outra sacada muito interessante é que cada nível tem que ser jogado duas vezes, uma na maneira tradicional e outra em seu estado alterado.

Apesar da mudança de perspectiva, o mapa entre cada cenário ainda é explorado em 3D e conta com diversos segredos próprios e interações. Inclusive são elas que alteram o estado de cada nível. Ao acionarmos uma alavanca ou realizar qualquer outro tipo de ação, interferimos totalmente na paisagem da fase que está ali perto, podendo fazer com que ela fique congelada, inundada, cheia de plataformas pegajosas, com rajadas de vento e até com mais inimigos duplamente hostis. Dessa maneira, mesmo apresentando 20 locais, é possível se aventurar em 40 estágios distintos, um mais divertido e elaborado que o outro.

Um elemento que ainda se mantém fortemente presente são as cores vivas e ambientes vibrantes, dignos ao mundo mágico em que os protagonistas tem que desbravar. Os inimigos também são uma atração à parte, com muitas variantes e características próprias, o que tira aquela sensação de que basta pular na cabeça de todo mundo que o problema está resolvido. Outro ponto forte é a trilha sonora, que combina perfeitamente com cada situação, com destaque especial para as 48 abelhas cantarolando na entrada da fase final ao depois de serem salvas.

Pente fino

Como já mencionado, tanto o mapa quanto as fases têm diversos segredos ocultos. Cada uma delas esconde cerca de cinco moedas, que podem estar em locais óbvios ou muito bem escondidas. Isso torna normal ter que passar em um estágio mais de uma vez, e aí que está um dos poucos pontos fracos do título. Ao retornarmos a um local, temos que concluir a fase inteira, mesmo que a moeda perdida esteja logo no começo. Uma opção de abandonar um estágio previamente concluído a qualquer momento, sem perder o que foi ganho, seria muito bem vinda.

Já o mapa esconde os poderosos tônicos. Eles estão espalhados em diversos cantos, e podem ser encontrados após as dicas dadas pelas placas falantes (dicas essas que podem ser óbvias ou não). Uma vez que um tônico é encontrado, ele pode ser comprado no menu principal usando penas, a moeda do jogo. Alguns facilitam a vida do jogador, outros aumentam o poder dos inimigos e reduzem a quantidade de checkpoints pelas fases, e ainda tem os que contém apenas um efeito visual diferente. Pode-se equipar até quatro tônicos por vez, porém eles devem ser usados com sabedoria, pois podem afetar o multiplicador de penas ao final da fase de maneira positiva ou negativa.

Venha para a colmeia

Yooka-Laylee and the Impossible Lair pode sim lembrar muitos outros clássicos da saudosa aventura em plataforma, porém está muito longe de ser uma mera cópia. As inspirações estão claras, mas o título tem sua personalidade, com um universo bem construído, cativante e protagonistas para lá de carismáticos. E diferente de muitos outros do mesmo gênero, seu estilo de não impor um limite de vidas ao jogador, o torna muito mais acessível aos que querem um título de qualidade e divertido para passar o tempo. O camaleão e a morcego com certeza merecem uma chance no seu console.

Prós

  • Estágios bem construídos e a ideia de alterá-los com interações no mapa é bastante criativa
  • Diversos segredos e pontos para serem explorados;
  • Fase final desafiadora no nível certo, como um bom plataforma deve ser;
  • Personagens carismáticos e jogabilidade viciante, de fácil aprendizado;
  • Trilha sonora ideal para cada fase diferente;
  • Um coral de 48 abelhas acampadas em barraquinhas é bem bacana.

Contras

  • Alguns enigmas do mapa são bem bobinhos, enquanto outros são um tanto quanto confusos;
  • Falta de uma opção para abandonar um nível já concluído quando quiser, sem perder as moedas achadas.
Yooka-Laylee and the Impossible Lair — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Farley Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Team17

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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