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Análise: Super Monkey Ball: Banana Blitz HD (Multi) é um remake bonito, mas que não empolga

Trazendo menos conteúdo que versão original, o título tem poucos atrativos que chamam atenção.

Em uma geração que intercala novos títulos com remakes, alguns pegam o público meio de surpresa. Com uma diversa biblioteca de grandes franquias esquecidas na geladeira, a Sega optou por trazer à tona o não tão esperado Super Monkey Ball: Banana Blitz HD (Multi), originalmente lançado em 2006 exclusivamente para o Nintendo Wii.

Te apresento meu amigo...

Para quem não conhece a série, segue um pequeno resumo. Super Monkey Ball surgiu nos arcades japoneses em 2001 e foi portado no ano seguinte para o GameCube. Sua ideia é simples: os protagonistas são macacos dentro de bolas, que eles usam para se locomover por diversos estágios, um mais maluco e desafiador que o outro. Cada mundo tem cerca de dez fases diferentes, sendo oito percursos, uma fase bônus para coletar bananas e uma batalha contra o chefão da área.

Apesar de não ter o apelo do Sonic ou a nostalgia de Streets of Rage e Golden Axe, os símios possuem uma extensa biblioteca de títulos, sendo este remake o décimo nono. Outro fator que não é incomum é ver os personagens AiAi, MeeMee, Baby e Gongon como convidados de outros jogos da Sega. Eles já apareceram como pilotos em Sonic & Sega All-Stars Racing (Multi) e Sonic & All-Stars Racing Transformed (Multi), além de integrarem o elenco de lutadores de Sega Heroes (Android/iOS). Também foram easter eggs na franquia Yakuza, onde era possível achá-los como prêmios dentro dos fliperamas.

Colhendo bananas e ódio

Agora devidamente introduzido, vamos ao "novo" integrante da lista. Banana Blitz HD não traz praticamente nenhuma inovação se comparado à sua matriz. Os visuais estão bem bonitos sim e o áudio se manteve praticamente o mesmo, com melhorias sutis. É possível liberar Sonic e sua presença até faz as bananas virarem anéis, mas ainda assim não é algo que empolga tanto.

Os controles apresentam uma certa diferença entre cada um dos seis personagens disponíveis de início. Todas elas são baseadas em atributos como tamanho, peso, velocidade, pulo, etc. Gongon, por exemplo, é o mais pesado, lerdo e com o pior pulo, sendo o menos ideal para percorrer trajetos longos e cheios de curvas. Porém, ele se torna perfeito para trechos que exigem curvas lentas ou que tenham obstáculos, pois ele resistirá mais facilmente a uma pancada.

O jogador tem a liberdade de escolher o macaquito que quiser na hora que bem entender, porém isso esbarra com um dos desafios principais do jogo. Finalizar todas as fases de um mundo rende uma medalha de "completo" (Clear). Para ganhar a medalha de "campeão", é necessário passar todas as etapas, incluindo o chefe, sem usar continuações. Logo, o desafio que começa divertido se torna um martírio sem fim, pois o ritmo mais enerva do que diverte, e logo o jogador irá passar aquela vontade de arrebentar o controle na parede.

Um último ponto que deve ser ressaltado é que como a versão original foi desenvolvida para ser controlada com o Wiimote, os únicos comandos disponíveis eram pular e mover o personagem pela tela. Porém, isso não incluía mover a câmera. Esses controles também foram fielmente reproduzidos, logo não é incomum tentar fazer alguma manobra mais fechada e se perder na tela por não poder girar o ângulo de visão com o outro stick analógico que está ali, livre e sedento para ter uma função necessária.

Decatlo modesto

Se tem uma coisa que Banana Blitz trazia em peso eram os minigames, com um total de 50. A versão HD enxugou essa lista para apenas 10, mas ainda assim alguns deles conseguem ser bastante interessantes e com suporte para até quatro pessoas pelo multiplayer local. Eles também podem ser jogados todos de uma vez no modo Decathlon, onde a pontuação é registrada em um ranking online. Pode até parecer uma redução brusca, na verdade é, mas aproveitar os minijogos com os amigos traz mais momentos de diversão que o modo principal, mesmo que os controles de alguns deles também respondam de maneira um pouco estranha.

Para compensar essa redução, o jogo conta com um modo Time Attack com três percursos distintos: casual, standard e expert. Na verdade trata-se de percorrer trechos específicos do modo principal no menor tempo possível, algo que já poderia estar integrado como uma opção prévia. Os melhores tempos também vão para um ranking global online.

Podia ser melhor

Super Monkey Ball: Banana Blitz HD pode não fazer parte de uma das franquias mais famosas ou pedidas da Sega, mas nem por isso merecia um port HD tão fraco. Ele parece que foi literalmente feito pela metade, por não ter grandes adições de conteúdo, e a redução de minigames pesou muito. Em uma época em que os consoles estão acostumados a receber remodelagens de três a cinco títulos reunidos em um pacote só, esse jogo sozinho dificilmente se tornará um chamariz para outros títulos da série.

Prós

  • Os visuais estão bem caprichados;
  • Trilha sonora agradável e combina perfeitamente com cada fase;
  • As batalhas de chefe podem ser cruéis no começo, mas variam bastante a ponto de valerem mais a pena que os outros estágios;
  • Os minigames para quatro jogadores são bem divertidos.

Contras

  • Os controles são estranhos e imprecisos, mesmo que o único movimento possível seja pular;
  • Poucos minigames em relação a versão original. Inclusive alguns também têm controles de resposta estranha;
  • Não poder controlar a câmera torna o jogo pavoroso em alguns momentos e nos faz perder tempo.
Super Monkey Ball: Banana Blitz HD — PS4/Switch/XBO — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Farley Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Sega

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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