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Análise: Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered (PC/PS4): o retorno do carismático RPG do Studio Ghibli

Versão remasterizada de Ni no Kuni traz o charme Ghibli ao PC e ao PS4.


Desenvolvido em uma parceria entre a Level-5, o Studio Ghibli e a publicadora Bandai Namco, Ni no Kuni foi um grande projeto de RPG que buscava trazer a mágica do estúdio de animação para os videogames. Contando a história do menino Oliver e seu contato com o outro mundo, o jogo foi pensado desde o início em duas versões diferentes, Dominion of the Dark Djinn (DS) e Wrath of the White Witch (PS3).



Enquanto a primeira foi lançada exclusivamente no Japão, a segunda conquistou vários jogadores pelo mundo. Eis que agora temos uma versão remasterizada desse clássico RPG no PC (via Steam) e no PlayStation 4, além de um port no Nintendo Switch.

O outro mundo

Oliver era uma criança feliz de Motorville. Sem grandes preocupações, ele vivia em Motorville com sua mãe, Allie, e sonhava em pilotar um carro criado por seu melhor amigo, Phil. No entanto, uma tragédia faz com que ele se isole em seu quarto e, em prantos, liberte a fada Drippy que lhe conta sobre a existência de outro mundo.

De posse do livro Wizard’s Companion, ele terá que ir a esse lugar mágico para ter a chance de reverter a tragédia. Chegando lá, ele vê com seus próprios olhos como a população está oprimida pelo poder do temível Dark Djinn Shadar. Cabe a Oliver então restaurar os corações das pessoas, enquanto aprende novas magias e chega cada vez mais próximo desse confronto.

O que certamente mais chama a atenção em Ni no Kuni é seu aspecto gráfico. Com uma direção de arte muito bem executada, as animações são de altíssima qualidade, os personagens tem um design carismático e os ambientes tem uma riqueza de detalhe impressionante.

Cheios de cor e vida, os personagens e localidades realmente evocam bem a noção de uma aventura recheada de magia. Esse aspecto também é perfeitamente representado pela trilha orquestrada, composta por Joe Hisaishi. A combinação transmite bem a sensação de estar jogando um filme da Ghibli.

Em termos gráficos, a versão remasterizada modifica um pouco a iluminação, podendo ser jogado em resoluções bem maiores do que o original (4k, por exemplo) e com framerate desbloqueado. Apesar de ser uma experiência fluída, a falta de novidades no jogo faz com que a experiência não seja tão interessante para quem já jogou o título no PS3.

É hora de aventura

Após chegar no novo mundo, Oliver encontra pessoas que precisam de ajuda. Além de obter materiais e derrotar monstros, as quests incluem em especial a cura dos brokenhearted. Essas pessoas foram afligidas pelo ataque de Shadar e tiveram parte de seu coração roubado. Para curá-los é necessário encontrar outra pessoa que possa compartilhar um pouco do seu coração, oferecendo “entusiasmo”, “gentileza”, “amor”, entre outras coisas.

Essas missões são inicialmente interessantes, mas há um alto nível de repetição em fazê-las. Por sorte, a maior parte delas é opcional. No entanto, a própria história também é um pouco cansativa, mesmo com o tamanho padrão para um RPG. Existe uma forte sensação de que o jogo foi esticado para atender a uma expectativa do gênero, enquanto ele poderia ser uma experiência mais impactante se fosse mais direto ao ponto.

Outro aspecto que enfraquece a experiência é a falta de vozes em muitos momentos importantes da história. Considerando que o peso desses eventos é igual aos que possuem voz, é estranha a escolha de deixá-los silenciosos e isso faz com que eles percam um pouco do impacto narrativo.

Batalhas e familiares


Enquanto explora o mapa ou as áreas das dungeons, inimigos estão visíveis na tela andando pelo cenário. Caso o jogador seja visto, eles irão correr atrás dele ou fugir, dependendo da diferença de força entre eles. Quando Oliver encosta em um inimigo, o combate é iniciado.

Ni no Kuni faz uma combinação curiosa entre turnos e ação em tempo real. O jogador conta com um menu de comandos que podem ser utilizados em batalha, mas pode movimentar o personagem pela área antes de selecioná-los. Atacar com um bom timing também pode causar mais dano, fazendo com que o sistema seja uma boa combinação entre os dois estilos.

Oliver não é particularmente bom com ataques físicos, sendo preferível que ele use magias, mas ele pode contar com a ajuda de familiares. Categorizadas em vários tipos, essas criaturas mágicas podem se tornar aliados após serem derrotadas em batalha e adicionam muita variedade às batalhas com suas magias, golpes especiais e estratégias particulares.

Além delas, Oliver também consegue aliados humanos (que também podem usar familiares). Apesar da presença deles ser bastante útil, é importante destacar que a coordenação do grupo é um tanto ruim. O jogador só pode controlar um personagem de cada vez e os outros serão gerenciados pela IA, que muitas vezes acaba não fazendo um bom trabalho.

O jogo até oferece um sistema de comando com a possibilidade de “forçar todos a defender” ou “forçar todos a atacar”, mas ele demora bastante a ser desbloqueado. Mesmo com ele, pela forma como as ações são integradas em tempo real, é fácil ter momentos em que é necessário defender, mas os personagens não conseguem porque estão no meio de uma magia ou algo similar.

Apesar dessa dificuldade em coordenar as ações, as batalhas contra os chefes são muito bem executadas. Ao invés de ter que lidar com vários inimigos, nesse momento é possível observar atentamente os inimigos e seus padrões de ataque para realizar as melhores ações possíveis.

Afinal, defender/evadir são formas muito boas de não apenas reduzir dano tomado, mas também recuperar HP e MP e até mesmo liberar ataques especiais que podem ser muito úteis para derrubar esses inimigos. Logo, conseguir utilizar os comandos nas horas certas pode fazer muita diferença.

Um pouco aquém de seu carisma


Para fãs das animações do Studio Ghibli e de RPGs, certamente vale a pena dedicar um tempo a conhecer o jogo. A nova versão não traz grandes vantagens, mas é bem adaptada ao PC e sua chegada a novos consoles é certamente algo bom para quem ainda não jogou. No entanto, é bom destacar que, apesar de muito bonito e charmoso, o jogo é um tanto repetitivo e cansativo, o que pode enfraquecer bastante a experiência.

Prós

  • Ambientes chamam atenção com seus detalhes;
  • Animações muito bem feitas;
  • Batalhas com sistemas estratégicos divertidos;
  • Chefes mostram bem o valor do sistema de batalha;
  • Trilha sonora orquestrada oferece a experiência das animações da Ghibli.

Contras

  • Ausência de voz em algumas cenas de igual relevância às que têm voz;
  • Não traz nada novo para quem já jogou no PS3;
  • Missões repetitivas;
  • É difícil coordenar as ações dos aliados, que costumam ser ruins nas batalhas;
  • Mesmo tendo um tamanho padrão para o gênero, acaba sendo cansativo.
Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered — PC/PS4 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Henrique Moreno
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

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