Blast from the Past

PlayStation All-Stars Battle Royale (PS Vita/PS3): uma divertida pancadaria no melhor estilo arena

O divertido título supre a necessidade dos consumidores Sony e merece uma continuação.

Muitos jogadores amam crossovers, seja entre títulos do gênero luta como Capcom vs. SNK ou mesmo RPG’s como Kingdom Hearts e, a despeito das críticas — muitas delas injustas —, PlayStation All-Stars Battle Royale (Vita/PS3) merece a atenção dos jogadores, especialmente fãs do gênero.


Quando membro ativo do fórum Nintendo Blast, me recordo do caos que o anúncio de PlayStation All-Stars Battle Royale causou entre entre seus membros. À época, minha renda me permitia somente consumir produtos de uma única empresa — no caso, Nintendo — e ainda assim defendi a iniciativa da desenvolvedora SuperBot Entertainment, em parceria com a SCE Santa Monica.
Esse crossover abalaria os jogadores e seria histórico.


Nesse ínterim, a principal acusação, fosse de alguns membros do fórum, fosse do público externo, era a mesma: “não passa de uma ‘cópia’ de Super Smash. Bros” ou que seria o “Smash. Bros da Sony” — e talvez alguns leitores tenham a mesma opinião. No entanto, provo-lhes por “A+B” que PA-SBR não apenas é um produto único, como oferece um dos melhores jogos no estilo “arena” de todos os tempos. Acompanhem conosco!

Acreditem ou não, Super Smash Bros. não inaugurou os jogos de luta em arenas

Os primórdios dos jogos deste estilo se concentram em The Outfoxies, desenvolvido e publicado pela Namco ainda em 1995 em sistemas arcade. O jogador terá de escolher um dentre sete assassinos, onde os demais serão adversários em arenas repletas de armadilhas, bem como armas que auxiliarão os personagens durante as disputas.

Com a massificação dos jogos de luta em 3D e a predominância de títulos lançados tanto pela Capcom quanto pela SNK, The Outfoxies se tornou nada mais senão um jogo obscuro, sendo poucos aqueles que tenham conhecimento de sua existência. Mesmo com tais características, vale a pena ao menos algumas partidas, inclusive para jogadores menos hardcore.

A grande sacada da Nintendo ao desenvolver seu próprio jogo de luta em arenas foi a junção de alguns de seus principais personagens nas mais diversas franquias, todos com o típico carisma que arrebata os corações de milhares de jogadores mundo afora.
Digimon Rumble Arena
Desta feita, não haveria razões para a Bandai Games e a Sony não realizarem a mesma estratégia com Digimon Rumble Arena (PS) e PlayStation All-Stars Battle Royale, respectivamente — embora muitos outros títulos igualmente se baseiem nesse sistema.

Tudo bem, mas a que esse título veio?

Embora já mencionado no artigo “PlayStation Vita: dez pérolas esquecidas do console”, esse é o momento ideal para destrincharmos o jogo. O enredo é basicamente tosco e completamente dispensável, mas um equilibrado jogo de luta que tem em seu elenco Dante (DmC), Kratos (GoW), Sweet Tooth (Twisted Metal), Nathan Drake (Uncharted), Heihachi (Tekken), Big Daddy (BioShock), Sackboy (LittleBigPlanet), Sly Kooper, Colonel Radec (Killzone), Nariko (Heavenly Sword), Kat (Gravity Rush) e outros 13 personagens (quatro obtidos mediante DLC) não merece ser descartado de antemão.
A maior parte do elenco de lutadores.


O enredo, por sinal, ficará a cargo de cada um dos 24 lutadores, já que cada um possui suas próprias razões para estarem no universo Battle Royale, embora todos tenham um mesmo destino: enfrentar uma cabeça gigante que flutua na tela, tendo como um de seus principais ataques conjurar “sombras” de vários personagens do título para enfrentar o jogador.
Decepcionante, mas não obstrui a diversão como um todo.


Cada personagem possui três botões de ação principais, caracterizados pelos botões “triângulo”, “círculo” e “quadrado” — e cada um destes desfere novos golpes a depender da combinação botão de ação + direcionais do D-pad, que são realizados em solo ou durante saltos.

Além disso, a cada golpe recebido, aplicado contra adversários ou na coleta de orbes brancas, uma barra de “especial” se acumula de um a três níveis — sendo essa a principal forma de vencer, já que, dentro do prazo estabelecido de partida, vence o jogador que por mais vezes acertar oponentes com ataques especiais.
A maioria dos cenários possuem elementos que interferem nos combates.


Um dos fatores mais interessantes de PA-SBR é que não apenas a personalidade como os movimentos de cada um dos personagens foi mantida no título, sendo portanto incrivelmente familiar controlar Dante, Kratos ou Nathan, por exemplo — além, claro, da possibilidade de construção de combos incríveis. Ainda assim, todos compartilham um mesmo bloqueio, realizado mediante o gatilho L1 (no PlayStation 3) ou L (no Vita) — com exceção de Sly Cooper, que fica invisível.

Além da enorme variação de possibilidades de ataques, o jogo fornece aleatoriamente uma série de armas extras aos jogadores (em um total de 20), que variam desde um lança foguetes a machados e mísseis que congelam inimigos. Em conjunto, os 17 estágios disponíveis (que referenciam muitos dos jogos dos quais os personagens se originam) possuem variações de cenários, bem como diversas armadilhas, tornando as partidas muito mais frenéticas e divertidas.


Um dos aspectos mais interessantes do título é a função crossplay entre Vita e PS3, o que significa que o possuidor de uma cópia de qualquer das plataformas pode enfrentar outros jogadores (até quatro simultâneos), fosse em modo local, fosse on-line, sem qualquer dificuldade ou barreira, considerando o fato de que ambas as versões são idênticas — algo incrível, já que o jogo é muito bem desenhado e rico em detalhes, além dos controles dinâmicos e intuitivos.

Os modos de jogo são divididos em:
  • Single player, que possui como principais atrativos o Modo História, Treino e Trial, que consiste em cumprir uma série de requisitos — dentre movimentos a eliminar um determinado número de inimigos de uma única vez — com cada um dos vinte e quatro lutadores;
O tag team é mais uma divisão dos lutadores em equipe do que um modo de jogo.


  • Multiplayer, que por sua vez possui o Timed — onde o jogador com o maior número de pontos dentro de um tempo pré-determinado vence, sendo que cada inimigo eliminado ganha-se dois pontos, ao passo que cada eliminação resulta na perda de um ponto —, Stock — cada jogador tem um determinado número de vidas e o que restar ao final é o vencedor — e Kill — jogadores disputam entre si para realizarem determinado número de eliminações antes dos demais.

Para que, então?

PlayStation All-Stars Battle Royale não é um jogo perfeito: embora esteja localizado em português brasileiro, algumas dublagens (como a de Dante) se mantém no original em inglês e há um bug que faz com que a canção tema na tela principal simplesmente “desapareça”.

Aliado a isso há o fato de que os servidores da Sony para o título foram desativados, forçando com que os jogadores se limitem a partidas single e multiplayer local — o que é algo péssimo para proprietários do Vita em um título desenvolvido justamente tendo o modo multi jogador como foco.


À essa altura, mesmo que seja mais fácil reunir possuidores do Nintendo DS para uma partida de Animal Crossing: Wild World do que proprietários do Vita — a tarefa é menos árdua para donos de PS3 —, PlayStation All-Stars Battle Royale é um título que vale a pena ser experimentado, seja por sua proposta, seja pelo fato de que atinge o objetivo de qualquer produto de entretenimento eletrônico: é extremamente divertido, de fácil aprendizado e acessível a qualquer jogador, qualquer que seja seu nível de experiência com jogos deste estilo.
Quem resiste à essa simpatia?


Com a proposta de um jogo de luta em arenas despretensioso com algumas das principais figuras que já estiveram em consoles desenvolvidos pela Sony, foi uma ingrata surpresa que o PlayStation 4 não tenha recebido uma continuação, contudo, este redator aguarda ansiosamente que na próxima geração de consoles haja um retorno triunfal do título. Independentemente de qualquer eventual inconveniente, é um game recomendadíssimo. E quanto a vocês, quais suas experiências com o jogo? Compartilhem conosco!

Revisão: Raphael Barbosa.

Mineiro, apaixonado por livros, música, filmes, discussões, Magic: The Gathering e, claro, jogos eletrônicos.

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