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Análise: Whipseey and the Lost Atlas (Multi) é uma bomba embrulhada em uma embalagem já conhecida

Título tenta resgatar o ambiente dos clássicos de plataforma, porém falha e não passa de uma experiência frustrante.

Jogos de plataforma se tornaram um gênero tão querido nos anos 1980 e 1990. Seja com estilo retrô ou mais trabalhado, até hoje surgem franquias que apelam para sua mecânica.

É nessa pegada que surge Whipseey and the Lost Atlas (Multi). A ideia dele era o básico proposto por este tipo de jogo. Você controla um personagem fofinho por algumas fases, passando por inimigos e derrotando chefes. Porém, uma tarefa que parecia simples se tornou algo muito mal executado.

O que está acontecendo?

Alex é um jovem curioso que encontra um livro mágico e acaba sendo levado a um mundo estranho durante um sonho. Lá ele é transformado em Whipseey, um bolota rosada que precisa usar seu chicote para atravessar esse lugar atípico e resolver o mistério do Atlas perdido, à pedido da princesa Alyssa.

Logo de cara encontramos a primeira mancada. O jogo em si não explica nada disso. As informações do parágrafo anterior foram retiradas do site oficial. Não existem cenas, balões de fala, dicas, nada. Apenas a abertura e o encerramento, que se limitam a dois ou três quadros animados.

Passe de fase ou morra tentando

A aventura é curta, se limitando a apenas cinco áreas: praia, floresta, deserto, neve e castelo.  Em todas devemos seguir por todo o caminho, abatendo inimigos e usando o chicote e a habilidade de planar para superar obstáculos. Não existem segredos ou caminhos secretos, apenas ir do ponto A ao B, em fases até que longas, levando em consideração a sua duração total.

Tudo tranquilo até então, certo? Errado! Controlar o protagonista é uma tarefa tortuosa. O chicote serve tanto para combater ameaças quanto para se agarrar em ganchos específicos. Porém, os pulos imprecisos dificultam a hora de acertar o ponto para se pendurar, e assim perde-se uma vida.

O hurtbox (pontos em que um personagem sofre danos) de Whipseey também é algo imprevisível. Um mesmo pulo para cima de um inimigo pode dar muito certo ou muito errado. Pior ainda se ele estiver exatamente na beirada da plataforma, pois é muito comum tomar dano, cair em um abismo e perder mais algumas vidas.

Logo, em uma sequência com três ou quatro saltos desse tipo resultam em vários game overs e muita frustração. Na terceira fase, por exemplo, tem uma parte em que devemos realizar uma série de pulos em lugares que contém inimigos lançando garrafas inflamáveis. Se tentamos fazer rápido, é possível não alcançar a plataforma, acertar o pulo ou até mesmo ser atingido e cair indefeso. Tudo isso executando cada passo da mesmíssima maneira.

Dois outros setores específicos também se destacam por serem absurdamente agonizantes. Logo na primeira área, temos que atravessar uma porção com água e espinhos. Basta encostar neles e pronto, lá se foi mais uma vida. Controlar a bolota rosada enquanto nada, é infinitamente pior e mais impreciso que no restante do jogo.

Já mais perto do fim, na penúltima fase, temos que percorrer um trecho em cima de um trem enquanto somos bombardeados por aviões de brinquedo. Teria sido tudo tranquilo se não fosse o monte de obstáculos que devem ser desviados e saltos que precisam ser dados em lugares estreitos. Como nessa parte a fase "corre", ao melhor estilo Sonic e Mario, se errarmos somos esmagados pela progressão do estágio e deixamos a milésima vida para trás.

Inspiração ou cópia?

Whipseey and the Lost Atlas (Multi) pode até ter tentado utilizar seu visual fofinho e colorido para chamar atenção, mas seu level design horrendo e jogabilidade sofrida realmente causam arrependimento em quem o adquire. É muito fácil pensar nele como um jogo infantil, mas é quase certeza que uma criança que jogue ele terá sérios traumas quando crescer.

Além de tudo isso, tem mais um fator que se torna incômodo. Desde o visual do protagonista até a aparência dos inimigos, tudo lembra fortemente a famosa série Kirby. Inspirar-se nesta série não é errado, até porque ela é aclamada desde o primeiro jogo, Kirby's Dream Land (GB), como um dos melhores jogos daquela geração e um dos melhores títulos de aventura/plataforma até hoje.

Porém, estamos falando aqui de uma aparência quase que idêntica, o que pode causar uma certa confusão em pessoas que irão acabar comprando gato por lebre. No fim, infelizmente é melhor evitar este jogo e dar preferência a experimentar os clássicos.

Prós

  • Visuais coloridos e chamativos;
  • Alguns inimigos possuem sombreros.

Contras

  • Péssimo level design;
  • Durabilidade curta, com apenas cinco fases que durariam no máximo 30 minutos para serem concluídas se não fosse o número excessivo de mortes;
  • Controle do personagem é horrível. Na água consegue ficar ainda pior;
  • Nada da história é explicada ao jogador, que fica a mercê de outras fontes de informação para saber o que está acontecendo;
  • Chega a ser irônico o jogo ter conquistas que te premiam por concluir cada estágio sem morrer ou sequer ser atingido;
  • Seu visual é inspirado até demais em Kirby, o que pode fazer qualquer leigo se confundir. 
Whipseey and the Lost Atlas — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 3.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Blowfish Studios

Revisão: Francisco Camilo  

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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