Análise: Control (Multi) é um caos divertido, mas problemas de performance comprometem a experiência

Acompanhe Jesse Faden na busca pela verdade sobre seu irmão em um ambiente caótico e paranormal.

em 10/09/2019

Lançado em 27 de agosto, Control é o novo jogo da desenvolvedora Remedy Entertainment, responsável por títulos como Max Payne 2 e Quantum Break, e publicado pela 505 Games, a mesma de Abzu e Brothers: A Tale of Two Sons.


A Remedy apostou alto no game de tiro em terceira pessoa com uma história envolvente e gameplay repleto de ação e destruição, mas alguns problemas técnicos aparecem pelo caminho. Confira nesta análise se Control merece sua atenção!

Uma aventura paranormal

Control é protagonizado por Jesse Faden, uma jovem que, em algum momento na infância, passou por experiências sobrenaturais com seu irmão mais novo, Dylan, em Ordinary, sua cidade natal. Após os eventos vividos pelos irmãos, o Departamento Federal de Controle, agência secreta que pesquisa acontecimentos sobrenaturais, aparece em Ordinary e sequestra Dylan, enquanto Jesse consegue escapar.

Durante 17 anos Jesse procurou por seu irmão até encontrar o prédio do Departamento, conhecido como Antiga Casa, o qual parece estar passando por algum tipo de evento sobrenatural. Ao encontrar o diretor do Departamento morto em seu escritório, Jesse toma posse de sua Arma de Serviço e é escolhida como a nova Diretora pelo Conselho, uma voz de outra dimensão que controla o lugar juntamente com o diretor.

Jesse então descobre que o Departamento está sob ataque de uma entidade interdimensional chamada de Ruído, que pode possuir quem estiver ao seu alcance e transformá-los em criaturas letais. Resta à jovem diretora eliminar a ameaça enquanto busca pela verdade sobre seu irmão desaparecido.

Apesar de não ter um enredo dos mais originais no mundo do entretenimento, facilmente comparado com eventos e personagens da série Stranger Things, por exemplo, o jogo possui uma história bastante envolvente, para os mais atentos, e detalhes até que bem exagerados, para ser sincero.

O básico do enredo é apresentado durante os diversos diálogos ao longo da campanha, enquanto que muitos informações, principalmente no que diz respeito à agência e ao Ruído, são detalhadas em centenas de itens colecionáveis espalhados entre os setores do Departamento. Divididos entre documentos, arquivos, áudios e vídeos, esses colecionáveis são indispensáveis para entender melhor o universo criado para Control, então reserve algum tempo para acessá-los se quiser aperfeiçoar na história.

Apesar de ter uma campanha curta, de 9 a 11 horas realizando algumas sidequests, o enredo evolui de forma lenta, e momentos de reviravoltas e mais tensão acontecem ao final da jogatina. Novos personagens, funcionários chave da agência, aparecem entregando diversos detalhes que poderiam ser mais resumidos. A história de Control é incrível, mas apresentada de forma bagunçada e dependente de muita leitura e áudios para melhor aproveitamento.

Uma mistura inesperada que deu muito certo

O grande destaque de Control está em sua jogabilidade. Para enfrentar a ameaça que tomou conta do Departamento, Jesse tem em mãos a Arma de Serviço, que torna quem a controla Diretor da organização. A arma possui 5 formatos diferentes, entre pistola, rifle e shotgun, que são construídos a partir de materiais coletados durante a exploração dos cenários. Sua munição de carregamento automático funciona como um resfriamento, o que facilita a dinâmica durante os combates sempre frenéticos, além de não te preocupar em ficar sem recursos, já que Jesse possui habilidades de combate que são intercaladas com o uso da arma.

Se você já conferiu o trailer de gameplay de Control, deve ter percebido que seu diferencial está nas habilidades de levitação e telecinese da protagonista. Os poderes de Jesse são adquiridos a partir de Objetos de Poder, itens comuns que são possuídos por outra força interdimensional e manifestam as habilidades de Jesse, que foram adquiridas nos eventos ocorridos em sua infância.

Cada objeto libera uma das cinco habilidades de Jesse, como levitação, telecinese e controle da mente, alguns encontrados por missões principais e outros por sidequests. Essa mistura de tiro em terceiro pessoa com poderes sobrenaturais não é tão convidativa de início, mas a jogabilidade simples, mesmo com a adição de habilidades ao decorrer do jogo, torna os combates divertidos e frenéticos, dependendo do jogador conseguir balancear o uso da arma com os poderes.

Caos e insanidade! Mas e o conteúdo?

Control também possui alguns elementos de RPG. Ao concluir missões, pontos de experiências são disponibilizados para melhorar alguns atributos da protagonista, como aumento da vida, barra e custo de energia para uso dos poderes e duração de certas habilidades. Aprimorar a vida da personagem deve ser seu principal foco no uso de pontos de experiência, uma vez que o dano causado pelos inimigos é razoavelmente alto.

A campanha conta apenas com dez missões na campanha que devem levar, em média, pouco mais de uma hora cada. Algumas missões secundárias também estão presentes mas, com exceção das relacionadas com Objetos de Poder, não são recompensadoras o suficiente pra te fazer desviar o caminho. Missões de Departamento surgem de forma aleatória e com tempo para conclusão, com alertas enormes aparecendo na tela bem no meio de um confronto com dezenas de criaturas.

Falando em criaturas, os inimigos possuem uma variedade baixa, para a proposta do game, e são apresentados em espaços de tempo muito grandes, caindo um pouco na mesmice em alguns momentos. Porém a dificuldade dos combates é bem desafiadora, apesar de não haver uma seleção de dificuldade ao iniciar a campanha, tornando o fator replay praticamente inexistente após a conclusão do game (caso não tenha mais sidequests a serem feitas).

Um tour pela empresa

A ambientação é outro grande destaque de Control. A história acontece inteiramente na Antiga Casa, sem acesso ao mundo exterior, a qual parece ter vida própria, com seus setores e áreas restritas que fogem completamente de nossa compreensão, nos "teleportando" para outras dimensões dentro do prédio. Os setores do Departamento estão infestados pelo Ruído e, ao eliminar todas as ameaças de certo lugar, um Ponto de Controle é liberado, possibilitando o acesso à árvore de melhorias, objetivos a serem cumpridos no decorrer do jogo e viagens rápidas para qualquer outro ponto purificado.

A interação com o cenário é parte imprescindível durante os confrontos por toda a organização. Manipule qualquer objeto a seu alcance, até mesmo inimigos derrotados, para atacar os adversários. Inimigos que possuem barreiras são mais facilmente derrotados com a habilidade de Arremessar, mas criaturas que flutuam são imunes à técnica, te forçando a usar a Arma de Serviço. Como em diversas hordas estes dois tipos de inimigos aparecem simultaneamente, o game faz com que você intercale entre o poder de fogo e a telecinese, tornando esses tipos de confronto os mais divertidos e dinâmicos.

Já a exploração dos cenários deixa um pouco a desejar. Itens que devemos buscar pelos corredores e instalações do Departamento resumem-se aos colecionáveis, materiais para upgrades e modificações de armas e pessoais. Dificuldade de exploração do ambiente é praticamente inexistente, no máximo revisita-se alguns lugares onde é necessário ter suas chaves de acesso correspondentes, além de poucos puzzles bem fáceis de resolver para prosseguir.

Experiência frustrante para alguns jogadores

Quem dera os pontos negativos parassem por aí. O principal problema de Control, que está presente em diversos momentos do jogo, é em seu desempenho nas versões padrões do PS4 e Xbox One. Durante toda a jogatina ocorrem quedas de frames absurdas, principalmente em confrontos em que muita coisa acontecem na tela, como hordas muito grandes de inimigos, ao arremessar objetos maiores e em explosões.

O mapa também demora muito a carregar em diversos momentos, além de travamentos ao sair de menus e durante cutscenes serem frequentes. Carregamentos extremamente demorados não são nenhuma surpresa. Tudo isso prejudica, e muito, a fluidez do jogo e de combates com mais elementos na tela, chegando a ser frustrante em certo momentos.

Mas esses problemas acontecem apenas nos consoles padrões da atual geração, deixando-os em desvantagens em relação a suas versões mais robustas. A Remedy já está trabalhando em correções, mas sem uma previsão de chegada de um patch.

Veredito: Vale a pena jogar Control?

Com apenas textos traduzidos para o português, Control traz uma histórias uma história envolvente e complexa, apesar de nada muito original. O foco da Remedy está no gameplay que mistura tiro em terceiro pessoa com poderes paranormais, além de uma ambientação que parece ser mais um personagem no jogo. A trilha sonora especial em uma das últimas missões torna o início do fim promissor, levando a experiência à outro nível.

A falta de conteúdo pós campanha, que é um tanto quanto curta, e exploração fraca são pontos negativos irrelevantes (por enquanto) comparados aos grande problemas de performance nos consoles. Control possuía tudo para ser um dos maiores destaques do ano, mas falta de atenção em alguns detalhes além da jogabilidade o faz perder alguns pontos.

Prós

  • História envolvente;
  • Protagonista carismática;
  • Jogabilidade simples, porém inovadora;
  • Confrontos divertidos e frenéticos.

Contras

  • Problemas de performance nas versões padrões de consoles;
  • Enredo apresentado de forma bagunçada;
  • Exploração fraca.
Control — PC/PS4/XBO — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS4

Análise produzida com cópia digital cedida pela 505 Games
Revisão: Henrique Moreno

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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