Discussão

Destiny 2: o futuro da franquia fora da Activision

Shadowkeep será lançada em 1º de outubro, e traz a difícil tarefa de mostrar para os fãs que a Bungie pode fazer melhor sozinha

Em janeiro, caiu como uma bomba a notícia de que a Bungie se separava de sua publicadora oficial, a Activision. Por um lado, a notícia abalou o mundo dos jogos eletrônicos, por outro, os fãs ficaram animados pois agora a produtora de Destiny teria total controle sobre a franquia. Mas o que tudo isso significa? Apesar de não possuir boa reputação entre os fãs de games, a Activision fez um bom trabalho de divulgação e localização dos jogos de Destiny desde 2015. O lançamento da expansão Shadowkeep se aproxima, trazendo a promessa de que tudo será diferente.



As origens conturbadas de uma nova lenda

Destiny foi lançado em 2015, fruto de uma ruptura com a Microsoft e carregando a esperança de criar um novo gênero, tão importante ou até mais que sua obra mais famosa, Halo. A Bungie, como todos sabem, fez um ótimo trabalho com sua grande criação, porém acabou perdendo os direitos da franquia para a empresa de Bill Gates, e nesse cenário que Destiny aparece como uma redenção, ou o novo Destino.
Naquela época a Bungie já era um estúdio grande e respeitado, e a parceria com a Activision garantiu investimentos enormes em Marketing, tornando o jogo um dos carros chefes do início da atual geração de vídeo games (quem lembra do Bundle exclusivo do PS4?). Porém, nem tudo saiu conforme planejado. A mistura de First Person Shooting (FPS) com Massive Multiplayer Online RPG deixou o público perdido, e a história desconexa, fragmentada e confusa só ajudou a piorar o cenário.

A maneira como o jogo foi apresentado, na forma de um produto entregue em pedaços, que dependia de constantes expansões caras e periódicas para poder entregar uma experiência completa também gerou polêmica entre os gamers e a mídia especializada. Porém, o estilo Loot Shooting, que emula o gameplay vicioso da franquia Diablo, juntamente com o multiplayer interessante e divertido, acabou fazendo o jogo conseguir um público considerável de fãs por todo o mundo. Isso garantiu que o improvável Frankenstein da Bungie se tornasse um grande sucesso, e logo uma sequência era líquida e certa.

O motivo do fim do matrimônio

Desde o lançamento de Renegados, a Activision vem dizendo que o jogo não correspondeu às expectativas de vendas. Sim, Destiny 2 teve um lançamento conturbado, assim como seu predecessor, e esperava-se que a nova expansão trouxesse os fãs de volta para o jogo, todavia, apesar de todas as melhoras, não aconteceu. Pelo menos não do jeito que a Activision esperava. Os jogadores de shooters multiplayer tem se comportado cada vez mais com jogadores de MMORPG, e acabaram criando as mesmas expectativas em relação aos loots e habilidades que conquistam com tanto entusiasmo.
Porém, Destiny 2 não seguiu essa linha, e a impossibilidade de transferir seus chars e itens do primeiro jogo desagradou muitos fãs. Muita gente correu para The Division 2, ou os MOBAs da vez, Fortnite e Apex Legends, esvaziando as salas dos servidores da Bungie. Outros, simplesmente desanimaram com o jogo e partiram para outros títulos (esse que vos escreve, é um deles). Porém, a notícia da dissolução da parceria entre a desenvolvedora e sua Publisher fez acender fagulhas de esperanças nos fãs do shooter espacial.
Obviamente existe a noção de que a Activision focava em políticas agressivas de monetização do jogo, e os fãs diziam constantemente que os prazos para os desenvolvedores eram puxados, o que acabava impactando na qualidade. Porém a Bungie nunca confirmou essas informações, e ambas as empresas sempre passaram a imagem de que tudo foi feito de forma amigável, inclusive a Activision não fez questão de brigar por parte dos direitos da franquia, apesar de ter disponibilizado diversos estúdios para ajudar no desenvolvimento.
A Bungie, passa agora a ser um estúdio independente, uma espécie de indie de grande porte, se responsabilizando pelo desenvolvimento e divulgação de Destiny e todos os jogos que vier a produzir daqui para frente. Se esse “status” vai durar, só o tempo dirá. O problema é a dificuldade de se divulgar e distribuir jogos AAA sem ser uma grande Publisher. A dinâmica do mercado sempre se moldou no dualismo desenvolvedor/Publisher, deixando os estúdios focados no que eles sabem fazer melhor – desenvolver.

Efeitos colaterais

Eu fui fisgado pela série em 2016, quando comprei o Destiny para o PS4. Na época, a expansão Rise of Iron ainda não havia sido lançada e, apesar da minha péssima conexão de internet, consegui horas e horas de diversão viciante no sistema de loot do jogo. Porém, vários outros lançamentos me chamaram a atenção, e a ideia de pagar o preço de jogo novo por uma expansão “obrigatória” me fez abandonar o game.
Em 2017 voltei novamente, desta vez no Xbox One, com a coleção lendária de Destiny, com todas as expansões. Lembro de ter comprado o jogo por um valor inferior a R$ 100, e essa experiência foi a principal barreira para eu embarcar no Destiny 2 logo no lançamento. Por que pagar R$ 250 em um jogo picado, sendo que posso compra-lo completo daqui a um ano por menos de R$100?
Um amigo meu, fã fiel do game, dizia-se triste pelo fato de ter que investir tanto dinheiro em um único jogo. Segundo ele, foram gastos aproximadamente R$ 500 para acompanhar todos os eventos em expansões em dia. Por conta disso, ele também ficou relutante em pegar Destiny 2 no lançamento, apesar de ter mudado de ideia mais tarde e me influenciado a pegar o jogo também.

Trocando em miúdos

A questão é, seria essa a perversa monetização que os fãs do game acusam a Activision de praticar? Será que essa lógica de game picado e expansões caras iria acabar agora que a Bungie tem total controle sobre o jogo? Devo admitir que esse discurso me convenceu e me fez gastar novamente com a edição lendária e preparar para as próximas expansões, com sua redenção. Mas pode ser que o cenário não mude muito, a não ser que a comunidade (agora o jogador de PC tem acesso ao jogo) comece a exigir que a coisa seja diferente.

Talvez a saída da Activision traga mais prejuízos do que avanços a franquia. Quem vai fazer as localizações do jogo ou cuidar da sua campanha de divulgação? Como ficam os servidores, e o atendimento aos fãs? Não digo que o jogo não fique melhor, muito pelo contrário. Porém, agora a Bungie vai ter que se preocupar com questões que antes não competia a ela, e isso requer recursos, tanto materiais, quanto humanos. Destiny é uma produção milionária, e não um jogo de nicho, e esse é um detalhe bem grande para se avaliar.
De qualquer jeito, Shadowkeep está batendo na porta, e apesar de ter que desembolsar novamente mais dinheiro no jogo, existe uma leve esperança que Destiny finalmente cumpra seu destino, e se torne um jogo relevante no cenário multiplayer mundial. Lembrando que o cenário está bem diferente do que estava em 2015, quando essa proposta estava apenas caminhando.

Agora, ele não só tem que trazer sua base de volta, como vai ter que brigar com os Fortnite e Apex Legends por aí. Se os jogadores continuarem enxergando Destiny como um jogo picado com expansões caras, que apenas compensa comprar depois de um ano do seu lançamento, talvez a ideia de um Destiny 3 esteja seriamente comprometida. Basta apenas a nós, simples jogadores e consumidores, esperar por um destino melhor.

Revisão: Mariana Mussi S. Infanti

Apaixonado por JRPG, video game, Rock'n'Roll e literatura. Fanboy de Final Fantasy, admirador nato de The Legenda of Zelda, sonha em se tornar escritor. Enquanto esse dia não chega, escreve sobre as coisas que ama na Game Blast

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