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Análise: VASARA Collection (Multi) junta o retrô com o novo em uma coleção bem feita

Estúdio brasileiro traz clássicos do PC para os consoles e ainda revitaliza o seu visual de maneira bastante competente.

Shoot'em ups, os famosos "jogos de navinha", estiveram em bastante evidência nas décadas de 1970 e 1980. Com o passar dos anos, esse gênero foi caindo em desuso, vez ou outra reaparecendo em alguma coletânea comemorativa, como nos casos de SNK 40th Anniversary Collection (PS4/Switch) e Arcade Classics Anniversary Collection (Multi), por exemplo.

Porém, várias desenvolvedoras menores aproveitaram o nicho quase esquecido para fazer indies de ótima qualidade. Uma delas é a Visco Corporation, que criou duas pérolas para os arcades japoneses: VASARA (2000) e VASARA 2 (2001).

Agora, alguns anos depois, o pessoal da QUByte Interactive trouxe ambos para as plataformas desta geração e ainda adicionou um modo novo, com gráficos atualizados e modernos. O resultado disso foi VASARA Collection (Multi), e não poderia ter sido melhor.

Tiros, bombas e… espadas?!

O ambiente Vasara faz uma mistura curiosamente interessante. A série insere o contexto e personagens históricos do Japão feudal em meio a tiros, bombas e hordas avassaladoras de inimigos, características dos shoot'em ups tradicionais.

Logo, isso influencia na aparência dos inimigos, dos nossos personagens e até do ataque especial, que são idênticos a cortes precisos de uma espada. O visual dos chefes e sub comandantes é uma atração à parte, variando entre kaijus ao melhor estilo Gundam, criaturas mitológicas e até fortalezas.

Nossos heróis também não deixam por menos, com seus visuais inspirados em xoguns, samurais, ninjas, kunoichis e monges. Já os veículos trazem aspectos mais tecnológicos, misturados com traços animalescos de dragões, grifos e outras criaturas. Toda essa fusão cria um visual bastante único para o contexto do jogo, que conta até com atuações vocais em japonês e legendas em inglês.

Evolução perfeita

A mecânica tanto dos dois títulos originais quanto do modo de jogo novo é a mesma. Nossos poderes são amplificados ao pegarmos os power-ups pela tela e temos um golpe de espada que rebate projéteis. Em VASARA 1 preenchemos uma barra que, quando completa, torna esse ataque mais forte. Já em VASARA 2, este especial é usado como uma bomba de três slots. Os dois títulos são relativamente curtos. O primeiro possui seis fases. Já o segundo possui dois modos: o fácil, com seis, e o difícil, com 12.

No novo menu inserido, podemos escolher a dificuldade, o número de vidas, de bombas, de continuações e se queremos bordas para preencher o espaço deixado pela tela vertical com uma ilustração. Uma das opções disponíveis até permite mudar a disposição ascendente por uma progressão lateral, tanto da direita para a esquerda, quanto da esquerda para a direita. Porém, esta escolha em específico foi um pouco confusa, já que mesmo com a disposição alterada, o controle segue como se estivéssemos na vertical.

Já o modo Timeless consegue fundir muito bem todos os elementos da série e ainda adiciona um competente visual 3D, acompanhado de uma trilha sonora impecável. Aqui, pode-se escolher qualquer um dos oito personagens de ambos os títulos, sendo um desbloqueável. Cada estágio é gerado aleatoriamente, assim como os chefes e seus subcomandantes, que também estão presentes nas aventuras clássicas. Entretanto, aqui não tem final e nem continuação. Prossiga até onde conseguir e se perder as três vidas é game over.

Muito bom, muito bonito e muito barato

VASARA Collection consegue resgatar a essência dos gloriosos tempos dos shoot'em ups e ainda revitaliza o gênero com toda a reforma visual que promoveu, fundindo o clássico ao novo. Não seria má ideia ter mais títulos assim disponíveis no mercado. 

Outro atrativo é o preço, bastante justo pelo que a coletânea oferece. Vale lembrar também que, além de tudo isto já citado, este trabalho foi feito por um estúdio brasileiro. Parabéns à QUByte pelo ótimo produto e todo cuidado envolvido na produção.

Prós

  • Jogabilidade que agrada tanto novatos quanto veteranos e fãs do gênero;
  • Modo Timeless traz uma bela releitura em 3D dos jogos originais, com visuais bem trabalhados e trilha sonora caprichada. Além disso possui multiplayer para até quatro jogadores;
  • Galeria com diversas artes conceituais bacanas;
  • Preço convidativo.

Contra

  • A curta duração e a dificuldade relativamente alta pode afastar jogadores mais casuais;
  • Opção de rodar a tela para a direita ou para a esquerda diminui a área morta, mas deixa a jogabilidade confusa.
VASARA Collection — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela QUByte Interactive
Revisão: Mariana Mussi S. Infanti

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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