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Análise: Skelly Selest (Multi) traz ação caótica com uma pegada arcade

Tente não morrer e destrua tudo nesse simples e variado indie de ação.


Explore o submundo e cace demônios em Skelly Selest, um título de tiro e hack ‘n’ slash frenético. O jogo, que tem conceito principal extremamente simples e bem pensado, oferece partidas variadas e dificuldade acentuada. Muitos modos, partidas curtas, ambientação única e retrô por meio de visual em pixel art e música no estilo chiptune tornam a experiência viciante.

Uma caveira no Inferno

Uma profecia diz que os seres do Inferno um dia vão invadir a Terra, e tudo indica que isso está bem próximo de acontecer. Para impedir o terrível evento, a “Ordem Selestial” decide atacar enquanto é tempo e manda um guerreiro para acabar com a origem do mal: um esqueleto armado com um machado e uma pistola. Sendo assim, o inusitado herói vai derrotar todas as criaturas infernais que encontrar pelo caminho.

Skelly Selest, em sua essência é um jogo de ação no qual o objetivo é sobreviver e derrotar todos os inimigos. No modo principal as fases são divididas em arenas e os inimigos atacam em ondas e o esqueleto pode atacar com seu machado ou atirar com a pistola. O detalhe é que a principal maneira de conseguir munição é derrotando inimigos com ataques físicos, no entanto o golpe com o machado é lento. Sendo assim, precisamos balancear entre os tipos de ataques para não morrer, com situações constantes de risco e recompensa.


Conforme vencemos as ondas, recebemos melhorias variadas para o herói. Em uma partida eu lançava balas teleguiadas, recuperava vida ao matar inimigos com o machado e conseguia andar mais rápido. Em outra tentativa, um pequeno esqueleto me ajudava, projéteis de proteção circulavam o personagem e um raio era lançado nos inimigos ao levar dano. Vários elementos procedurais, como estágios, tipos de ondas, melhorias e mais, fazem com que as partidas sejam distintas.

Sobreviver na pele do esqueleto não é nada fácil, por causa da grande quantidade de inimigos e das limitações dos movimentos do herói. Mesmo assim, é muito divertido conseguir dominar os sistemas e sobreviver — é recompensador e empolgante derrotar inimigos com o machado, escapar na hora certa com a esquiva e em seguida atirar em monstros distantes. Os comandos são precisos, mas o sistema de mira me incomodou por ser limitado: o esqueleto só consegue apontar para oito direções específicas, complicando bastante acertar certos inimigos, principalmente nos momentos mais intensos.


Uma jornada variada e com alguns problemas

Uma ótima característica de Skelly Selest é sua diversidade de modos que exploram as mecânicas de maneiras distintas. As modalidades principais consistem em arenas com ondas de inimigos, com chefes no final. Há também um coliseu no qual os inimigos aparecem infinitamente e o desafio é conseguir sobreviver pelo maior tempo possível. Já no calabouço exploramos uma masmorra de mapa elaborado repleta de perigos e segredos. O modo de desafios a tarefa é sobreviver a algum evento sob limitações, como derrotar uma série de chefes com uma única vida. Por fim, está disponível um simpático minigame de cartas estratégico.


Todas as modalidades de jogo contam com elementos procedurais, o que tornam as partidas diferentes. Além disso, vários segredos e desbloqueáveis estão espalhados entre os modos: chapéus para enfeitar o protagonista, cartas para o minigame estratégico e até mesmo novos esqueletos. Os heróis adicionais apresentam características distintas, o que permite mudar sensivelmente a experiência de jogo, como uma caveira equipada somente com uma pistola ou um esqueleto capaz de fazer aliados ao matar inimigos. Mesmo assim, depois de algumas partidas, aparece uma sensação de simplicidade e repetição por causa da quantidade reduzida de conteúdo — contudo, é bem divertido enquanto dura.

Para representar esse Inferno perigoso, Skelly Selest utiliza visual em pixel art. A resolução gráfica não é muito alta, o que dá um aspecto “estourado” aos elementos do jogo. O resultado é um visual único, remetendo a títulos clássicos, com uma trilha sonora repleta de chiptune reforçando essa ambientação. O visual é interessante, mas, infelizmente, é também problemático: a grande quantidade de partículas e uso de elementos de cores parecidas torna a ação carregada e confusa em alguns momentos. Por causa disso, fui atingido várias vezes por algo que eu não consegui ver. No menu há uma opção para reduzir o número de partículas, o que ameniza um pouco esses problemas.


Modesto, mas divertido

Skelly Selest é um ótimo jogo para aproveitar em pequenas doses por causa de suas partidas ágeis e curtas. O conceito principal é simples, mas há bom desafio com a presença de muitos inimigos e com mecânicas de risco e recompensa que incentivam a agressividade. Muitos modos de jogo, elementos aleatórios e vários desbloqueáveis são incentivos para revisitar constantemente o mundo infestado de demônios, por mais que a quantidade de conteúdo não seja muito vasta. O visual é único, porém às vezes a grande quantidade de elementos deixa a ação confusa e atrapalha as partidas. No fim, Skelly Selest é uma experiência arcade intensa, breve e empolgante.

Prós

  • Jogabilidade simples e ágil;
  • Variedade de situações por causa de modificadores e elementos procedurais;
  • Boa diversidade de modos de jogo.

Contras

  • Visual confuso em alguns momentos;
  • Problemas com o controle da mira;
  • Conteúdo reduzido.
Skelly Selest — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Caiysware

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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