Blast Battle

PlayStation Vita x Nintendo 3DS: o resultado de uma disputa de oito anos

PlayStation Vita e Nintendo 3DS apresentam seus resultados nesta quase encerrada geração de portáteis.

Senhoras e senhores, sejam bem vindos a mais uma emocionante disputa no Blast Battle! Ambos lançados no ano de 2011 e com a difícil tarefa de superarem seus respectivos antecessores, à minha direita está o sóbrio, o multifuncional, o segundo portátil dedicado da Sony: aplausos ao primeiro desafiante, PlayStation Vita! Já à minha esquerda recebemos o colorido, igualmente multifuncional, oriundo da Nintendo, companhia que há anos domina o mercado de consoles portáteis, vibrem sob o nome de Nintendo 3DS!
Serão sete categorias que se dividirão entre hardware, mídias de armazenamento de dados, firmware, número de unidades vendidas, top dez jogos mais vendidos, retrocompatibilidade e conexão com consoles de mesa da mesma desenvolvedora.

E para que as regras fiquem claras: disputarão entre si PlayStation Vita da série PCH 1000 (com acesso à conexão 3G) e Nintendo 3DS da primeira geração. Os lutadores já estão no ringue e que soe o gongo!

Hardware


Toda nova geração de consoles deve instigar nos consumidores que o novo produto é tecnicamente superior ao produto que já possuem em mãos. Nesse quesito, a Sony não poupou incrementos em seu PS Vita e aproveitou o sucesso das telas de toque disponíveis no antigo Nintendo DS e dispositivos smartphone para implementá-la em seu novo portátil. A Nintendo, por sua vez, seguiu o caminho mais seguro mantendo as principais características de seu sucesso anterior e aproveitou para inovar mediante o efeito visual em 3D sem a necessidade de óculos especiais. Restou então a ambas as empresas oferecer um hardware mais parrudo do que seus respectivos antecessores.

O PS Vita apresenta um console com tela OLED de 5”, capacitiva e sensível ao toque (multitouch), com resolução de 960 x 544 pixels. Seu desafiante oferece duas telas (dobráveis entre si), sendo a principal composta por LCD com 3,53” e resolução de 800 x 240 pixels, ao passo que a segunda, resistiva sensível ao toque, permite 3,02” com resolução de 320 x 240p.

Enquanto diferencial, PS Vita registra toda a qualidade de imagens com sua tela OLED, que destaca os tons mais escuros nos jogos, realçando a qualidade visual dos mesmos, além de tornar a reprodução de vídeos mais agradável do que em seu concorrente. Já o diferencial do 3DS nesse quesito acaba sendo o próprio efeito 3D.

Quanto aos controles, o PS Vita é composto por duas alavancas analógicas e os tradicionais botões em cruz, além dos quatro botões de ações historicamente inseridos nos joysticks desde o primeiro PlayStation, dois gatilhos superiores, um botão Home, um Start e outro Select, além da já citada tela sensível ao toque frontal, acrescida de um touchpad opaco, na parte traseira. O 3DS oferece uma alavanca analógica, os tradicionais botões em cruz, quatro botões de ação (famosos desde a era Super Nintendo), dois gatilhos superiores e os botões Home, Start e Select, além da tela sensível ao toque.

O hardware interno do PS Vita é composto por um processador ARM Cortex-A9 MPCore de quatro núcleos, uma GPU SGX543MP4+ (também de quatro núcleos) e 512 MB de memória RAM e 128 MB de VRAM; receptor GPS integrado (apenas na versão com suporte a 3G); conexão Wi-Fi e Bluetooth.

Por sua vez, o 3DS possui um processador ARM11 MPCore de dois núcleos, bem com um ARM9 (de um núcleo) voltado para a retrocompatibilidade com o DS, além de uma GPU PICA200 e 128 MB de RAM, além de conexão Wi-Fi.

Ambos os consoles oferecem som estéreo e possuem duas câmeras de 0.3 MP — ao passo que os registros fotográficos do PS Vita são levemente superiores, os do 3DS oferecem a possibilidade de resultados em 3D.

A bateria do PS Vita, de 2200mAh, promete de três a cinco horas de jogatina (a depender de configurações do usuário — como o brilho da tela e conexão Wi-Fi — e das necessidades gráficas do jogo), cinco horas de vídeos e até nove horas dedicados à audição musical (com a tela desligada). Por sua vez, a bateria do 3DS, de 1300 mAh, promete o mesmo tempo para jogos — de três a cinco horas.

O PS Vita padrão foi disponibilizado ao público em uma única cor (senão em edições especiais), enquanto o 3DS possui diversas cores à escolha do usuário. A carcaça do portátil da Sony oferece uma melhor “pegada” e parece mais resistente, enquanto o console da Nintendo segue a tendência em ser “divertido em todos os os sentidos” e transparece uma certa fragilidade.

Quanto às dimensões, o PS Vita possui 83,5 mm de altura, 182 mm de largura e 18,2 mm de espessura, enquanto seu desafiante possui 74 mm de altura (fechado), 144 mm de largura e 21 mm de espessura. Todo esse conjunto no PS Vita faz o console pesar 279 gramas (3G), ao passo que o concorrente possui 221 gramas.

A despeito das inovações tecnológicas propostas pelo 3DS, o hardware do PS Vita se mostra mais robusto e disposto a receber jogos em atenção aos anseios da nova geração de jogadores, razão pela qual, marca seu ponto nesse primeiro round.

Vencedor: PS Vita

Mídias de armazenamento de dados

Desde que os consoles de mesa passaram a registrar progressos dos jogadores, tal função se realizou diretamente nos cartuchos. Com a demanda por novas tecnologias, a mídia em disco compacto se mostrou incapaz em registrá-los e as fabricantes de consoles (com exceção da Sega, à época em seu Sega Saturn) optaram por dispositivos externos  para realizar tal função (no caso, os famosos memory cards e VMU).

Com o aumento de informações presentes nos cartões de jogos e a necessidade de utilização do máximo espaço para eles, Nintendo e Sony se voltaram a mídias externas de armazenamento. O 3DS fez uma jogada acertada ao optar por cartões de memórias flash SD já presentes (e monetariamente acessíveis) no dia a dia das pessoas, chegando ao ponto de um cartão com capacidade de armazenamento de 2 GB acompanhar o console.
Não importa o tamanho, são todos caros.


 A Sony, por sua vez, apelou ao infame cartão proprietário que, além de servir para nenhum outro dispositivo senão seu portátil, possuía (e possui) um altíssimo custo, sendo essa uma das maiores objeções de pretensos consumidores do produto. A título de comparação, há seis anos recordo-me em adquirir um cartão de 16 GB Classe 4 da EMTec para o 3DS por menos de R$ 100,00, facilmente encontrado em qualquer loja de informática, ao passo que um cartão dedicado do PS Vita com a mesma capacidade de armazenamento tem o preço médio de R$ 250,00 — atualmente cartões Classe 10 de qualidade e com o dobro da capacidade de armazenamento custam em torno de R$ 50,00.

Pela equivocada escolha da Sony, o 3DS encaixa um cruzado de direita no PS Vita e o portátil da Nintendo leva a rodada.

Vencedor: 3DS.

Firmware

Com a 7ª geração de consoles (Wii/Xbox 360/PlayStation 3), tais dispositivos, além de máquinas para reproduzir jogos, se tornaram completas centrais multimídia. E para que se possa fazer o devido uso das múltiplas funções de cada produto, um sistema de gerenciamento é a melhor forma para sua execução. Considerando que ambos os adversários pertencem a essa geração, uma medida inteligente foi justamente a inclusão de sistemas com múltiplas tarefas multimídia.

PS Vita e 3DS possuem características próprias concernentes a design e organização de ícones em pastas. A indicação dos jogos físicos instalados (no caso do PS Vita) e a localização dos jogos em formato digital (em ambos) são facilmente acessíveis, independentemente da plataforma. Logo, interessa-nos exclusivamente a possibilidade de uso multifunção proposta.
Escuto Marilyn Manson enquanto jogo Most Wanted no Vita e adivinhem: ele não está na trilha sonora original.


Dada a inferioridade de hardware do 3DS, é inevitável que suas muitas funções exijam execução individual. Em outras palavras, ouvir música e jogar ao mesmo tempo são funções inconciliáveis. No PS Vita, por outro lado, caso prefira ouvir sua trilha sonora favorita enquanto desfruta de algum jogo, opte por realizar o print de uma cena em particular, reduzir a tela de jogo, compartilhar em suas redes sociais e prosseguir no jogo (sem fechá-lo), o portátil da Sony lhe satisfará sem muitas delongas.

Neste caso, 3DS baixa a guarda e o PS Vita acerta-lhe um gancho.

Vencedor: PS Vita

Popularidade

Mensurar o número de vendas, seja de jogos, seja de consoles, é algo complexo. As desenvolvedoras e fabricantes fornecem tais informações a cada mês e trimestre, já que são de interesse de seus acionistas ou sócios. Apenas empresas especializadas no mercado fazem tal mensuração (e pagam por tais informações) e ainda assim seguem os padrões da indústria.
Números difíceis de superar.
Ambos os consoles tinham a difícil tarefa em superar as vendas de seus respectivos antecessores (e fracassaram) mas, na disputa entre si, a Nintendo afirma ter vendido mais de 75 milhões de unidades do 3DS (somados todos os modelos) até março deste ano, ao passo que os PS Vita mal ultrapassou as 16 milhões de unidades vendidas (de todos os modelos). Mesmo diante da possível variação de tais números, é incontestável que jornais e revistas especializados no ramo mundo afora trazem dados equivalentes, sendo o grande vencedor da rodada o 3DS.

Vencedor: 3DS

Top 10 jogos mais vendidos

Ambos os portáteis sofreram com más decisões das empresas que os desenvolveram, especialmente quanto à política de preços e ausência de bons ou impactantes títulos de lançamento. Com o passar dos anos, o 3DS se mostrou melhor atendido por títulos que já eram aguardados, tais como os jogos das séries Pokémon e Super Mario Bros.,system sellers desde o Game Boy original. Por sua vez, o PS Vita dependia de títulos que o emplacassem, dada a dificuldade da Sony em adaptar alguns títulos first party em seus portáteis, quase sempre dependente do interesse de thirdies em desenvolver para os mesmos.

A despeito do que houve com o PlayStation Pocket, em que títulos das mais diversas desenvolvedoras percorreram sua tela, o PS Vita logo se mostrou abandonado pela própria Sony o que, por sua vez, afastou desenvolvedoras externas. Enquanto isso, a Nintendo segurou as dificuldades iniciais e apostou alto em seu portátil, mantendo os títulos já aguardados, anunciando novas franquias (Tomodachi Life), lançando remakes famosos (Legend of Zelda: Ocarina of Time/Majora’s Mask) e surpreendendo a todos com o resgate de franquias até então abandonadas nos portáteis (Kid Icarus e Metroid Samus Returns).
Alguns dos responsáveis pelo sucesso do 3DS.


A diferença entre abandonar seu mais recente filho ou apoiá-lo contra todas as adversidades fez com que os dez títulos (apenas dois destes não exclusivos, mas todos oriundos de first ou second parties) mais vendidos do 3DS somassem mais de 100 milhões de cópias vendidas (ano de 2016). Infelizmente, não nos fora possível acessar dados oficiais de vendas para o PS Vita mas, dada a análise individual dos seus dez jogos mais vendidos (dentre eles Uncharted: Golden Abyss, Call of Duty: Black Ops Declassified e Ultimate Marvel Vs. Capcom 3), a soma de todos não supera sequer os top five do 3DS, levando este à vitória.

Vencedor: 3DS.

Retrocompatibilidade

Além de novos consoles únicos, consumidores esperam que a pilha de mídias adquiridas anos a fio não se percam, obrigando-os a manterem consigo plataformas já sucedidas somente para resgatar seus títulos favoritos. A Nintendo seguiu tal tendência desde o Game Boy Color, mantendo a retrocompatibilidade tanto quanto possível nos portáteis que lançou.

A despeito do 3DS possuir cartões próprios e o console um hardware superior ao do DS, se precaveu acertadamente em manter tal proposta, logo, qualquer título lançado anteriormente era facilmente reutilizado no novo console, inclusive no mesmo slot dos novos jogos, oferecendo-lhes maior vida útil e mantendo seu fator replay.

O PS Vita, por sua vez, abandonou as mídias UMD e voltou-se ao Vita Card, com maior capacidade de armazenamento, melhor desempenho em relação à bateria, menos desajeitados e nada barulhentos. A decisão foi acertada concernente aos novos consumidores, no entanto, eliminou completamente a retrocompatibilidade com jogos do PSP, a qual só é possível com disponibilidade de alguns de seus títulos junto à PSN (com nova aquisição pelo interessado em jogá-los, mesmo daqueles que possuem uma cópia para o PSP).
100% em praticidade, mas zero em retrocompatibilidade.
De fato, o Vita Card tem sua vantagem em razão de ser region free, ao contrário dos cartões de jogos do 3DS mas, dada a experiência da Nintendo com portáteis, desenvolvendo cada novo console como “parte de uma grande família”, a retrocompatibilidade do 3DS se mostra mais acessível, simpática e barata que a do PS Vita e leva mais um round.

Vencedor: 3DS

Conexão com consoles de mesa da mesma desenvolvedora

Outro aspecto que interessa aos jogadores é a possibilidade de conexão entre os consoles de mesa e os portáteis do mesmo fabricante. A Nintendo atendeu tal aspecto com maestria entre Game Boy Color e Nintendo 64, perdeu o ritmo com seu Game Boy Advance e Game Cube e praticamente o abandonou na fase DS/Wii, não o retomando com seus 3DS/Wii U.
Não há GTA V para o PS Vita, mas nós improvisamos.

O PS Vita, por sua vez, dado seu hardware, permite inclusive jogatinas off-TV play (em jogos compatíveis) mediante o PlayStation 4. Embora alguns controles se tornem desajeitados dada a ausência dos dois gatilhos adicionais, as respectivas adaptações ficaram por conta da tela traseira do portátil, sendo suficientes em jogos como Grand Theft Auto V e DmC. Além disso, a função cross buy entre PS4 e PS Vita melhoram ainda mais a relação entre ambos os consoles, beneficiando o usuário. Nesse quesito, PS Vita dá um cruzado de esquerda no 3DS e leva a rodada.

Vencedor: PS Vita

Final da partida!

Senhoras e senhores, encerramos a luta deste dia! A disputa foi acirrada e os lutadores fazem jus aos respectivos destaques. No entanto, após sete rounds, a despeito do hardware inferior e de políticas regressivas de sua fabricante, o 3DS se sobressai como vitorioso por contagem de pontos em relação ao seu desafiante, o PS Vita!

Que fique claro: ambos os portáteis são magníficos e possuem pontos positivos e negativos, mas nenhum destes fatores definem qualquer deles como “horrível” e ambos merecem igual atenção porque atingem com primor a principal função de um console: a diversão.

Este redator tem o enorme prazer em possuir ambos os consoles mas, se este não é o caso dos leitores (e leitoras), recomendo fortemente que experimentem os portáteis que ainda não possuam e desfrutem do melhor que cada um oferece. Em tempo, compartilhem conosco quais são os seus jogos favoritos e o que mais gostam em seus portáteis! 

Revisão: Giba Hoffmann

Mineiro, apaixonado por livros, música, filmes, discussões, Magic: The Gathering e, claro, jogos eletrônicos.

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