Blast Test

Nova Drift (PC) moderniza conceitos de shoot ‘em ups clássicos

Inspirado em jogos do passado, esse título indie traz variedade ao combinar tiro com elementos de roguelike.


Shoot ‘em up, também conhecido como “jogo de navinha”, é um gênero que tem sido explorado nos últimos anos, principalmente nos estilos twin stick (uma alavanca para movimento e outra para mira) e bullet hell (muitos projéteis na tela). Nova Drift é mais um representante do estilo, no entanto ele usa o clássico Asteroids como principal inspiração. Seus principais diferenciais são a progressão dinâmica das habilidades da nave e aspectos de roguelike, que trazem diversidade às partidas. Disponível atualmente no programa Acesso Antecipado no PC, o jogo já conta com alto grau de polimento.

Controlando uma nave que se modifica com o tempo

O conceito principal de Nova Drift é bem simples: no controle de uma nave, o objetivo é sobreviver e destruir todos os inimigos que atacam em ondas cada vez mais complicadas. Os comandos são similares ao do clássico Asteroids, ou seja, o movimento não é feito de forma direta e lembra a configuração “tanque”. Sendo assim, a alavanca direita rotaciona a nave em seu próprio eixo e ela só se move ao ativar os motores por meio de um botão.

O esquema de controles causa estranheza em um primeiro momento, afinal ele é mais travado do que de outros jogos do gênero. Além disso, a inércia influencia bastante a movimentação: é difícil mudar de direção quando o motor está ativado e a nave não para de imediato ao desativar os aceleradores. Curiosamente, é justamente essa característica que faz com que Nova Drift seja único. Para conseguir escapar dos perigos e mirar com precisão, precisamos dominar e abusar das nuances da inércia ao deslizar pelos cenários (e é daí que vem o drift do nome do jogo).


Fora os controles ortodoxos, Nova Drift apresenta um conceito interessante que permite alterar dinamicamente características da nave. Ganhamos experiência ao destruir inimigos, e podemos escolher uma nova modificação ao subir de nível. A variedade é impressionante: podemos alterar as armas, os escudos, a carroceria, taxa de recuperação de vida e muito mais. É possível também modificar características individuais dos equipamentos, transformando-os completamente — granadas explosivas, por exemplo, podem se tornar bombas teleguiadas, projéteis que explodem em fragmentos menores sucessivamente ou até mesmo em uma imensa explosão.

Aspectos do sub gênero roguelike estão presentes no título, o que significa morte permanente e muitos elementos aleatórios — cada uma das partidas conta com ondas de inimigos, eventos e habilidades diferentes. Há muito conteúdo desbloqueável e modos de jogo que permitem alterar as regras (normalmente deixando as fases mais difíceis e intensas). A combinação desses fatores traz grande variedade a Nova Drift e a sensação é de estar jogando algo diferente sempre.


Ação estonteante e inúmeras possibilidades

Nova Drift me conquistou com sua alta dificuldade, inúmeras opções de customização e ação frenética. O visual também chama a atenção com gráficos coloridos e vibrantes, repleto de elementos estilizados e geométricos — uma pena que o fundo do cenário seja sempre o mesmo.

No começo é muito complicado sobreviver por causa dos comandos nada convencionais da nave. No entanto, com algum treino, consegui entender como funciona a mecânica de movimentação, o que me permitiu fazer manobras avançadas — é muito recompensador usar os propulsores para deslizar rapidamente com a ajuda da inércia ao mesmo tempo em que giramos a nave e atiramos para todos os lados. Na verdade, é essencial dominar essa técnica, pois a quantidade de inimigos e tiros é grande, logo ficar parado significa morte.


A característica mais legal de Nova Drift é a customização da nave: a quantidade de opções é alta, com várias possibilidades de sinergias e estilos de jogo. Em uma partida, por exemplo, preferi uma estratégia de curto alcance ao escolher uma arma que criava uma explosão de energia ao redor da nave, um escudo capaz de queimar inimigos próximos e um drone para ajudar a abater os oponentes distantes. Em outra tentativa preferi investir em mísseis teleguiados explosivos em combinação com uma carroceria capaz de refletir tiros. Também já montei uma nave com alta defesa especializada em se chocar diretamente nos inimigos. As melhorias aparecem de forma aleatória, e muitas delas são desbloqueadas com o tempo, o que faz com que cada partida seja uma surpresa e um convite à experimentação.

O jogo, que está sendo produzido por um único desenvolvedor, está atualmente em Acesso Antecipado. Contudo, o grau de polimento e a quantidade de conteúdo são tão altos que mal é possível perceber que se trata de uma versão em produção. A única característica que de fato senti falta foi de mais situações na campanha — depois de algumas partidas vem uma sensação de que a maioria das ondas de inimigos é pré-montada, e a quantidade de chefes é limitada. A promessa é que mais conteúdo e modos sejam adicionados no decorrer do desenvolvimento.


Um shoot ‘em up que vale a pena conferir

Nova Drift cativa ao resgatar mecânicas clássicas e combiná-las com aspectos modernos, como mecânicas de roguelike. É muito divertido e empolgante testar as inúmeras opções de customização da nave, o que traz grande diversidade às partidas e incentiva a criatividade e experimentação. Os controles, em um primeiro momento, são ortodoxos, mas com um pouco de prática é possível fazer manobras complicadas — algo essencial, já que a dificuldade pode ser acentuada. Mesmo estando em Acesso Antecipado, Nova Drift impressiona e tem tudo para ficar ainda melhor com o tempo.

Texto de impressões produzido com chave cedida pela Pixeljam

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

Comentários

Google
Disqus
Facebook