Blast Test

One Finger Death Punch 2 (PC) traz kung-fu frenético somente com dois botões

O conceito principal desse jogo indie é bem simples, no entanto há muito desafio e variedade.


Um conceito clássico em filmes de kung-fu mostra o herói enfrentando inúmeros oponentes simultaneamente em lutas repletas de coreografias absurdas e exageradas. One Finger Death Punch 2 usa esses momentos como inspiração para criar um curioso jogo que usa somente dois botões para oferecer uma experiência que mistura luta e ritmo, sem deixar de lado a ação frenética e divertida. O segundo título da série mantém as características marcantes ao mesmo tempo que adiciona novidades variadas.

Um contra um milhão

É muito fácil jogar One Finger Death Punch 2. O nosso herói “guerreiro de palitinho” fica no centro da tela e vários inimigos se aproximam da direita e da esquerda. Para atacá-los, basta apertar o botão da direção correspondente quando o oponente entrar dentro da área de alcance. Sim, é isso mesmo: toda a ação é controlada unicamente por meio de dois botões. O desafio é executar os comandos no momento certo, pois errar um movimento te deixa vulnerável.

O conceito principal é bem simples, no entanto várias características deixam as partidas mais complexas. Diferentes inimigos exigem estratégias distintas para serem derrotados: um oponente verde só morre depois de levar alguns golpes, os azuis mudam de lado após receberem um ataque, subchefes desafiam o herói em um combate um contra um, e assim por diante. Há também armas, movimentos de esquiva, a possibilidade de pegar projéteis e lançar de volta nos inimigos, habilidades especiais e mais.


A fusão de tantos elementos torna o jogo bem complexo e interessante, sem deixar de ser acessível. One Finger Death Punch 2 parece um título de luta, mas na prática está mais para um título de ritmo: o objetivo é conseguir acertar as sequências de comandos sem errar. As fases mais avançadas, em especial, apresentam desafio elevado, exigindo muita atenção e ações cadenciadas.

A loucura do kung-fu

Ao jogar One Finger Death Punch 2, me senti dentro de um episódio de XiaoXiao, uma série de animações estreladas por bonequinhos de palitinhos com lutas coreografadas bem exageradas. O motivo disso se dá pelo fato de tudo ser muito visualmente interessante e apelativo, com o protagonista fazendo mil acrobacias e ataques malucos, quebrando elementos do cenário e invocando criaturas estranhas nas habilidades especiais (coisas como uma divindade chinesa ou grande caminhão que atropela tudo). É impressionante a grande variedade de golpes e movimentos incluídos no jogo, e observar o personagem lutando é hipnotizante.

Além de ser bem legal de ver, One Finger Death Punch 2 é muito divertido de jogar. Pode não parecer, mas há grande desafio nas lutas com dois comandos. Quando há grande quantidade de inimigos na tela, pode ser difícil não cometer erros e morrer, logo é extremamente importante ficar atento e executar os golpes certos. É bastante viciante tentar passar as fases sem ser atingido, especialmente nos níveis mais difíceis — a ação fica tão frenética que os meus dedos parecem se mover por conta própria.


Fiquei impressionado com a variedade de estágios e modos do jogo, muitos deles inéditos nessa sequência. Há uma campanha com um mapa imenso e itens desbloqueáveis, modo de sobrevivência com placares online, uma modalidade cooperativa onde dois jogadores lutam alternadamente e mais. O meu modo favorito é o Rogue, em que precisamos explorar um calabouço dividido em fases com condições específicas, sendo que a vida não é recuperada entre eles. O modo mais curioso é o “gato survival”: um felino anda pela tela, atrapalhando bastante a visão da ação.

Os modos exploram diferentes tipos de fases, que apresentam regras diferentes. Em uma, por exemplo, precisamos derrotar inimigos com armas específicas. Em outro, o herói está invisível, o que dificulta acertar o tempo dos ataques. Há também um tipo de desafio que exige matar oponentes por meio de shurikens, porém a única maneira de obtê-las é tomando para si aquelas lançadas pelos inimigos, o que traz um aspecto estratégico. Eu apreciei a variedade, entretanto o jogo pode ficar meio repetitivo depois de um tempo, afinal é basicamente a mesma coisa sempre — este é mais um daqueles títulos para jogar por curtos intervalos de tempo.


One Finger Death Punch 2, em relação ao seu antecessor, apresenta visual mais elaborado, por mais que ainda seja tecnicamente simples. No entanto, isso não chega a ser um problema, pois há muito charme no visual pastelão e caricato. Não é possível falar o mesmo da música: ela é genérica e desinteressante, com algumas composições que destoam completamente da atmosfera do jogo, como uma faixa com vocais em hip-hop. Outro defeito é a interface gráfica em português, apresentada com vários problemas, textos mal posicionados e de fonte simples que resultam em algo amador e mal feito. Isso não acontece ao escolher o Inglês como língua, então recomendo essa opção.

Lutas empolgantes e hipnotizantes

Simples e viciante, One Finger Death Punch 2 é uma ótima opção para partidas rápidas. É notável como somente duas ações conseguem criar uma experiência diversificada e desafiadora, principalmente se você tentar não errar nenhum movimento. Além disso, a ação é visualmente impressionante na forma de inúmeros golpes e movimentos, o que traz a sensação de estar no centro de um filme de kung-fu. Muitas modalidades de jogo e algumas variações de mecânicas trazem diversidade, contudo há um momento que o título fica um pouco repetitivo, principalmente em longas sessões. Mesmo assim, One Finger Death Punch 2 conquista com sua jogabilidade frenética e divertida.

Revisão: Diogo Mendes
Texto produzido com cópia digital cedida pela Silver Dollar Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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