Seleção 2019: novas vagas na equipe do GameBlast! Redação, revisão, design, e social media. Saiba mais e participe!
Jogamos

Análise: Jump Force (Multi) é uma divertida, confusa e forçada reunião de heróis de animes

O mais novo crossover de personagens de animes da Shonen Jump consegue divertir mesmo decepcionando em vários aspectos.

Jogos de luta baseados em anime são bem conhecidos como um nicho muito divertido do mundo dos games. Desde os anos 1990 tivemos alguns bons sucessos de jogos desse nicho e, a partir dos anos 2000, juntamente com o boom de popularidade das animações japonesas no ocidente, tivemos também um crescimento vertiginoso de jogos baseados em anime, principalmente nos gêneros luta e RPG. E é nessa onda que surge Jump Force (Multi) um jogo que promete ser o crossover definitivo do mundo dos animes e mangás. Mas será que ele consegue?

Bom, um fato que nem todo mundo sabe é que a maior parte dos animes populares no ocidente como Dragon Ball, Naruto, One Piece, Bleach, Yu-Gi-Oh!, Cavaleiros do Zodíaco, Boku no Hero, Boruto e outros são publicados no Japão em uma única revista, a Shonen Jump, revista essa que completa 50 anos em 2019. Assim, Jump Force chega como um jogo comemorativo dos 50 anos da editora, combinando diversas de suas franquias mais famosas em um game de luta em formato 3D todo construído na Unreal Engine 4. Bom, vamos ver agora se os 50 anos da revista foram realmente honrados devidamente em Jump Force.


Os maiores heróis que a terra já viu...

Qualquer um que cresceu entre os anos 1980 e 2000 teve ao menos um mínimo contato com alguma das franquias presentes nesse jogo. E isso é um dos seus maiores pontos positivos: as franquias envolvidas. Temos uma coletânea de colocar inveja em muito jogo de luta, com 40 personagens de mais de 10 franquias diferentes incluindo desde clássicos oitentistas como City Hunter, Fly o Pequeno Guerreiro e Hokuto no Ken, passando por ícones como os já citados Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z, Yu Yu Hakusho, Bleach, Naruto, One Piece, HunterXHunter e Samurai X até chegar em animes mais atuais como Black Cover, Boruto e Boku no Hero.

A coletânea de franquias é realmente invejável, mas não chega a superar outros jogos crossover da marca, como o J-Stars Victory Vs (Multi). Mesmo assim, entre os pontos positivos das escolhas dos heróis estão principalmente seus golpes, em maioria sendo originais de seus animes, e as dublagens, todas seguindo suas versões originais em japonês e com os intérpretes originais de cada obra, deixando ainda mais nostálgica e fiel a experiência de jogar com cada um dos personagens.


Mas uma coletânea não tão justa assim

Totalizando 40 personagens jogáveis, Jump Force surpreende com as franquias envolvidas, mas deixa a desejar em alguns pontos. No que tange seus personagens, algumas escolhas são altamente questionáveis quando observamos o conteúdo completo do jogo. Primeiramente, é notória a ausência de personagens femininos. Entre os 40 personagens jogáveis, somente 3 deles são mulheres, entre as quais, somente uma é pertencente ao grupo de protagonistas de sua franquia (no caso, Rukia do anime Bleach). 

Não podemos nem justificar isso por relevância ou ausência de personagens, pois temos inúmeros exemplos como Sakura, Hinata e Tsunade de Naruto, Nº 18 e a recente Kefla de Dragon Ball e principalmente Nami e Nico Robin, do grupo principal de piratas de One Piece. Isso sem falar em outras franquias com mulheres relevantes. Uma desproporção desse nível é altamente questionável num jogo que tenta ser o “maior crossover de animes até então”.



Fora isso, ainda temos algumas proporções problemáticas, como a presença de personagens ditos menos relevantes em suas franquias como Piccolo, Kaguya, Sabo e outros, ao mesmo tempo em que temos a ausência de alguns personagens icônicos como a já citada Sakura, Madara, All Might e algumas proporções desnecessárias como, por exemplo, seis personagens de Dragon Ball, quatro de HunterXHunter e apenas dois de Cavaleiros do Zodíaco. Isso sem contar que, em um jogo comemorativo de 50 anos, esperava-se mais franquias presentes. Franquias que já foram relevantes para a revista como Katekyo Hitman Reborn, D-Gray Man e Air Gear passaram longe de Jump Force.

Enredo confuso e desnecessariamente longo

Mas não é só a escolha das franquias e personagens que incomoda em Jump Force. A forma com a qual esses mundos tão distintos se unem é, no mínimo, terrível. O jogo não explica direito a mescla das realidades, não deixa claro como cada personagem surgiu ali e nem como seus mundos foram afetados. Deixando tudo muito forçado e confuso. 



Falando em forçado, a maior parte das interações entre os personagens é igualmente problemática. No modo história, Boruto e Naruto não trocam nem se quer uma palavra, Kaguya não tem mais que duas frases, Cell aparece rapidamente e isso sem falar em Kira, do popular anime Death Note, que está no jogo por puro fanservice, já que não é um personagem jogável e não faz absolutamente nada relevante ao longo das cansativas 20 horas de gameplay.

Parte desses problemas de interação se dá por dois motivos principais: a falta brutal de expressividade nos modelos 3D dos personagens somado com os fatídicos diálogos por texto. Inúmeras vezes você se vê questionando o motivo do jogo hora apresentar diálogos com as vozes dos personagens e, no momento seguinte, já ter diálogos sem áudio nenhum, apresentando somente textos muito mal escritos e superficiais, deixando a interação entre os personagens terrivelmente não natural. Ao menos os textos traduzidos para português estão bem feitos (nada de “Ceifeiro de Almas” no lugar de Shinigami aqui).

Além disso, quando fora anunciado que o mítico Akira Toriyama, criador da franquia Dragon Ball, desenharia três personagens inéditos para o jogo, esqueceram de mencionar que os personagens não seriam jogáveis. Além dos vilões serem sofríveis e terrivelmente superficiais, você nem se quer pode utilizá-los nas batalhas multijogador, nem após a conclusão do modo história do jogo, o que torna a experiência ainda mais sofrível.

Seu próprio herói no meio da luta

Para o bem e para o mal, temos também no jogo a mecânica de criação do seu próprio avatar. Isso agrega um pouco à experiência, mesmo que no quesito história só deixe tudo ainda mais forçado. Mas fãs de animes vão se interessar bastante por construir seu personagem com técnicas de seus animes favoritos, roupas mescladas de diversas franquias e a aparência que desejar.



Entretanto, não é só de aspectos positivos que a criação do seu avatar é feita. Pois a mecânica de aumento de nível que lembra um pouco um RPG é totalmente solta durante o jogo, não fazendo sentido após a conclusão da história. Alguns aspectos como os selos de aumento de status são até interessantes, mas a possibilidade de travar lutas multijogador com todos os personagens equiparados no nível 1 mata essa mecânica.

Por fim, as opções de escolha tanto de visuais quanto de golpes é um tanto limitada. Todos os golpes disponíveis são habilidades de personagens presentes no jogo e, além disso, nem todas as técnicas destes personagens estão presentes como opções de escolha para o seu avatar. Talvez este fosse o momento perfeito para complementar o jogo com técnicas e habilidades de outros personagens e até de outras franquias, melhorando ainda mais as referências e homenagens. Mas, infelizmente, vemos um trabalho um tanto quanto preguiçoso aqui.


Visual: ame ou odeie

Como dito anteriormente, Jump Force foi totalmente construído sobre a Unreal Engine 4. Isso tem aspectos muito positivos, mas também a forma com a qual o jogo foi feita apresenta outros aspectos negativos também. Para início de conversa, temos aqui uma ótima equiparação entre diversas franquias tão distintas visualmente. O resultado é que não causa estranhamento algum ver em um grupo de conversa Vegeta, Zoro, Naruto, Yugi e Kira, por exemplo.

Somado a isso, tanto os avatares quanto cenários e efeitos de combate são incríveis. Cada habilidade especial utilizada, cada técnica clássica dos animes fielmente representadas e com gráficos estonteantes enchem a tela de brilho e posições fotográficas muito divertidas. Isso tudo somado a um ritmo de jogo até bem rápido, mesmo que não se equipare a outros como Naruto Ultimate Ninja Storm 4 (Multi) ou Dragon Ball FighterZ (Multi).



Porém, como nem tudo são flores em Jump Force, vemos o extremo oposto quando estamos falando das cenas de conversas em modo história ou do próprio lobby do jogo. Os itens cosméticos possuem problemas gráficos que fazem, por exemplo, uma espada atravessar uma capa e manoplas passarem por cima de mangas de camisa, tornando tudo pouco agradável na combinação de itens bem diferentes em seu avatar.

Nas cenas de diálogo, as falas não são acompanhadas pelos movimentos de boca dos personagens, assim como estes também são estáticos de mais. Não vemos, por exemplo, nenhum personagem sentado ou movendo seu corpo para além da posição básica de avatares da Unreal Engine 4. Isso tudo é tão grotesco que chega a manchar um pouco até os belíssimos aspectos visuais das lutas.


Combates divertidos, mas desbalanceados

Outro ponto que pode incomodar os mais ávidos por jogos competitivos é a falta de balanceamento entre alguns personagens do jogo. Mesmo equiparando todos para o nível 1, algumas habilidades bem como alguns personagens como um todo são visivelmente mais poderosos do que outros, tornando o combate entre alguns um tanto quanto problemático.

As habilidades especiais de Vegeta, Goku, Naruto e Sasuke, por exemplo, estão entre as mais poderosas do jogo, podendo chegar a arrancar metade da vida do adversário. Enquanto outras técnicas especiais como as de Yugi, Kenshiro, Asta e Trunks mal chegam a causar 25% de dano. E esse problema se repete por exemplo nos golpes comuns, onde Toguro pode facilmente causar danos astronômicos ao lado de Goku e Kenshin enquanto outros como Midoriya e Dai não chegam nem perto disso.



Claro que muitos podem justificar isso como uma equivalência da habilidade de alguns destes personagens em suas obras originais. Mas como estamos falando aqui de um jogo de luta, esse problema não deixa de incomodar, mesmo falando de animações japonesas. Para complementar os incômodos nas batalhas, algumas movimentações apresentam certos problemas de finalização assim como, em momentos que habilidades especiais são colocadas uma contra a outra ao mesmo tempo, temos um sistema injusto de eficácia das ações.

Um jogo para se jogar com amigos

Felizmente, mesmo com tantos problemas seríssimos de execução, Jump Force ainda consegue tirar risos e diversão daqueles mais ávidos pela cultura dos animes em mangás. Um de seus aspectos mais positivos é, sem dúvida, seu multiplayer local, onde o jogo realmente se mostra agradável de ser jogador por bastante tempo, mesmo que alguns aspectos incomodem como a movimentação dos personagens e os problemas de escolha dos heróis presentes no jogo.



Jogar online é problemático principalmente se você estiver no modo história ou simplesmente jogando em modo local. Pois caso o servidor caia (o que é bem comum) a luta será interrompida independente do momento em que ela esteja, mesmo sendo uma luta supostamente offline como o modo história ou o multiplayer local, o que é bem frustrante.

Como veredito aqui, temos um jogo que passa longe de ser um dos melhores do ano, bem como passa longe de ser também um dos melhores games baseados em anime. Porém, caso você seja um fã ávido de animações japonesas e tenha amigos que compartilham desse gosto, pode ter momentos muito divertidos com Jump Force, mesmo com tantos defeitos.


Prós

  • Visual das lutas muito bonito e com ótimos efeitos;
  • Lutas dinâmicas e rápidas divertem;
  • Personagens em sua maioria icônicos funcionam bem;
  • Tradução de textos para o pt-br bem feitos;
  • Golpes, movimentos e dublagens fiéis às obras originais;
  • Criação de personagem agrada bastante;
  • Modo versus online ou local bem divertido por conta dos personagens.

Contras

  • Ausência notável de personagens femininos pode desagradar;
  • Dublagens não estão presentes em todos os diálogos, causando estranhamento;
  • Alguns movimentos de combate desregulados;
  • Desbalanceamento entre alguns golpes especiais;
  • Aspectos de RPG perdidos durante a jogatina de luta;
  • Diálogos pobres e mal pensados entre alguns personagens;
  • Modo história desnecessariamente longo e repetitivo;
  • Quedas do servidor interrompem até partidas offline;
  • Batalhas não possuem impacto quase nenhum no enredo da história.
Jump Force - PC/PS4/XBO - Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook