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Análise: RemiLore: Lost Girl in the Lands of Lore (Multi): uma garota preguiçosa, um livro falante e a dimensão dos céus

Título da Nicalis chega hoje (26) para PS4, Xbox e PC.


RemiLore: Lost Girl in the Lands of Lore (Multi) mistura de forma competente seus combates simples e sua alta variedade de armas e desafios únicos, se tornando uma charmosa obra da Nicalis e perfeita para quem gosta do estilo rogue lite e hack n'slash. 



RemiLore coloca o jogador na pele de Remi, uma estudante que estava cumprindo a tarefa de limpar a biblioteca de sua escola. Distraída que só, ela acaba cutucando e assustando um livro mágico chamado Lore. Ao despertar abruptamente, Lore transporta Remi para o mundo de Ragnoah, uma das infinitas dimensões existentes.

Ragnoah é um mundo que mistura cenários rústicos de masmorras e elementos típicos da “dimensão humana”. Imensas salas são interligadas por diversos corredores, e exploram regiões variadas, indo de resorts praianos a locais cobertos de neve e completamente frios.

A missão de Remi é sobreviver aos robôs espalhados por Ragnoah e escoltar Lore até o Portal, para que o livro falante possa enfim abrir uma passagem para que a garota volte para casa. Precisam cooperar entre si para que possam chegar em segurança a seu destino e cumprir o objetivo.



Não há nenhuma espécie de cutscene em RemiLore, deixando que sua história seja contada estritamente através de caixas de diálogo e imagens estáticas dos poucos personagens. Não necessariamente falta carisma em Remi ou em Lore, mas a pouca expressividade das imagens deixa a desejar.

Diálogos enquanto a ação se desenrola são comuns, sendo estes um pouquinho mais interessantes por colocarem ambos os protagonistas para interagirem, trocando informações sobre Ragnoah e o mundo de Remi, assim como brincadeiras e piadas que fazem entre si. Há uma química leve, mas funcional em seu relacionamento.

Descendo a porrada em geral

RemiLore é uma mistura de rogue-lite com hack n’slash. Há dois botões de ataque: forte e fraco, e combiná-los rende combos diferentes. São oito categorias de armas, que vão de espadas e luvas pesadas, passando por martelos enormes e espadas duplas. A variedade de armamentos é imensa, e cada opção possui características e potencialidades únicas que não apenas acentuam o estilo do jogador, mas também aumentam a necessidade de adaptação na hora de se enfrentar os inimigos.

A excentricidade é um dos pontos mais charmosos de RemiLore. O jogador não deve esperar apenas armas comuns. Lâminas afiadas e místicas dividem espaço com caixinhas de suco em forma de luvas, par de cocos, tesouras, buquês de rosas e martelos de brinquedo. Além disso, é possível personalizar tanto Remi quanto Choux (personagem desbloqueável) com novas roupas no menu principal.

São quatro atos no total representando, de forma belíssima, as quatro estações do ano, com quatro fases cada. Os mapas são gerados aleatoriamente, aumentando bastante o fator replay do jogo ao criar partidas únicas. O nível de dificuldade é relativamente alto, com oponentes comuns dando muito mais trabalho do que os chefes de cada ato, pois se aglomeram em grande quantidade, exigindo astúcia e velocidade por parte do jogador.



As fases são divididas em pequenas salas. Cada sala possui uma quantia determinada de inimigos, e o jogador só poderá avançar quando derrotar o último deles. Ao concluir cada seção, o jogador recebe uma nota com base no seu desempenho. Essa nota irá se refletir na nota geral da fase, o que irá controlar o número de tesouros obtidos. Esses tesouros podem conter não apenas novas armas, mas também poções de magia e pontos de vida.

Lore não é apenas um livro mágico qualquer. Ele também pode usar magias especiais para ajudar Remi em sua jornada. Especiais como tiros em círculo e furações podem ser utilizados gastando a barra de magia. Cada arma possui um movimento especial aleatório, obrigando o jogador a se adaptar para o movimento novo quando troca sua arma atual por outra. É possível comprar melhorias para todos os golpes especiais ao se gastar “desserts” (sobremesas), a moeda do game, que também pode ser utilizada na compra de itens especiais aleatórios nos intervalos entre fases e novas melhorias passivas para Remi.

Tradicionalmente como um rogue-lite, itens aleatórios são deixados no campo de batalha pelos inimigos. Esses itens podem ter tanto efeitos positivos quanto efeitos negativos, como diminuição da barra de vida a troca de arma instantânea por uma completamente diferente e inesperada. Essa aleatoriedade obriga o jogador a pensar duas vezes antes de se arriscar a pegar um item bônus.

Falando de minhas jogatinas, me vi diversas vezes perdendo uma excelente arma porque precisava de poção de vida. Me arriscar era a única opção viável para aumentar minhas chances de sobrevivência. Morrer em RemiLore significa não apenas retornar no início da fase, mas também perder uma quantia considerável de desserts.

Novos desafios mesclados com falta de profundidade

RemiLore oferece um alto grau de fator replay ao permitir que o jogador experimente partidas com modificadores especiais, como aumento de força do inimigo ou aumento de força e lentidão da protagonista. Cada uma dessas opções oferece um desafio único, com recompensas próprias e que aumentam substancialmente o tempo de jogo.

Talvez o maior problema de RemiLore se encontra em seu combate que, apesar de contar com ampla variedade de armas e magias, acaba oferecendo um divertido, porém simplório sistema de batalha. Esmagar botões é divertido, mas apenas em curtas sessões de jogatinas. Felizmente a duração da campanha principal e dos modos de jogo são perfeitas, sendo curtinhas na medida ideal.



Há todo um charme na composição visual de RemiLore, especialmente nas cores e iluminação dos cenários, que mudam drasticamente de estação para estação, representando bem o mundo místico e vasto de Ragnoah. Existe uma pequena repetiçãozinha no design dos cenários que, apesar de serem bem construídos e possuírem bastante elementos, passam um ar de “vazios” vez ou outra, mas nada frequente.

É válido mencionar também que algumas texturas parecem piscar durante a jogatina, de forma aleatória, mas é um detalhe bobo que deve ser consertado em um futuro pacote de correções.

RemiLore (Multi) é uma excelente opção para os amantes de jogos hack n’slash e rogue lite. Talvez pudesse contar com cenas de corte elaboradas para representar a charmosa Remi, o tagarela Lore e suas boas aventuranças, assim como possuir um sistema de batalha mais profundo. Ainda assim, sua simplicidade consegue ser charmosa, e suas batalhas são desafiadoras tanto contra inimigos comuns, quanto contra subchefes e chefes de fase. Há diversos modos a serem completados, o que é um prato cheio para os “complecionistas” de plantão.

Prós

  • Simplicidade convidativa;
  • Diversos desafios extras para serem completados;
  • Ampla variedade de armas, cada uma com jogabilidade única;
  • Alto fator replay;
  • Visualmente charmoso.

Contras

  • Narrativa poderia contar com cenas de corte animadas;
  • Sistema de batalha raso, apesar de divertido.
RemiLore - PS4/XBO/PC - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nicalis 

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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