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Análise: God Eater 3 (PS4/PC): Monster Hunter em versão anime (ou quase isso)

Uma ótima opção para quem gosta de caçar monstros enormes.


God Eater 3 (PS4/PC) é o primeiro título da série numerada a ser desenvolvido diretamente para PS4 e PC. Com combates frenéticos contra criaturas imensas à lá Monster Hunter, a produção da Bandai-Namco se destaca principalmente por sua grande variedade de armas e habilidades a serem conquistadas.

Terra das Cinzas

God Eater 3 traz como ambientação um mundo devastado pela presença de criaturas poderosas e destrutivas provindas das cinzas, chamadas de Aragamis. Armas comuns não possuem efeito em Aragamis, e foi necessário a criação das Mata-deuses, armas infundidas com células-oráculo provindas dos próprios Aragamis, para que a humanidade pudesse ter o mínimo de esperança de sobreviver.

Há diversos portos espalhados pelas terras de God Eater, e cada um deles é regido de forma independente por seus administradores, o que leva a uma disparidade no tratamento de seus cidadãos, especialmente os God Eaters, únicos capazes de manejar Mata-deuses de maneira eficiente e combater a presença dos Aragamis.



Ao lado de Hugo Pennywort, um GE do Porto de Pennywort, cabe ao jogador assumir o papel de um protagonista mudo (blergh) mas totalmente customizável para partir em busca de um futuro melhor. Conforme a história progride, novos personagens são introduzidos, como a misteriosa Lulu e a líder de caravana Hilda Henríquez. Cada um deles possuem traços de personalidade extremamente leves, que não são mostrados e colocados à prova em quase nenhum momento, especialmente pelo forte teor político da história.

A história de God Eater 3 acaba se tornando arrastada, especialmente pelo fato de que, para que ela avance, é preciso que o jogador conclua as missões principais oferecidas. E ainda assim, o avanço do plot principal é bastante lento, deixando a desejar em diversos momentos.

Monster Hunter Anime frenético

A principal característica de God Eater 3 fica por conta de seus combates contra criaturas enormes. As batalhas são rápidas e ferozes, especialmente pela presença dos outros três integrantes do grupo controlados pela inteligência artificial.

Se adaptar ao desconhecido é parte da função de um God Eater. Para tal, o jogador pode montar um conjunto de equipamentos contendo uma arma corpo a corpo, uma para combate à distância, um escudo e modificadores de habilidades diversos

Características como ataque e defesa do jogador são condicionadas às potencialidades de sua Mata-deuses e seu escudo. Curiosamente, o jogo não adota sistemas tradicionais de produção de conjunto de armaduras. Tudo é condicionado especificamente às Mata-deuses. Isso pode gerar certa confusão, especialmente na hora de se compreender qual equipamento governa os pontos de defesa geral (é o escudo, diga-se de passagem, e ele não precisa estar empunhado em batalha para as características defensivas estarem ativas).

Há uma imensa variedade de opções de Mata-deuses, como espadas curtas, longas, lanças, foices e martelos. Todas podem ser personalizadas com habilidades secundárias únicas, que evoluem e desbloqueiam outras conforme o uso contínuo nas batalhas.

Uma das principais habilidades de um God Eater se chama Burst Explosion, ou Artes de Explosão. As Artes de Explosão consistem em um ataque inicial de devoramento em que a Mata-deuses do usuário devora uma parte das células-oráculo dos inimigos e as utiliza para amplificar seu poder. Utilizar Artes de Explosão permite que o jogador execute os ataques especiais de sua Mata-deuses, ampliando seu leque de ações durante as batalhas.



Gatilhos de Aceleração também são parte fundamental dos combates de God Eater 3. Eles consistem em habilidades passivas especiais que são ativadas quando o jogador cumpre determinadas condições de ativação, como defender um número específico de ataques ou acertar golpes consecutivos nos monstros. Cada personagem possui seu próprio Gatilho, com o protagonista podendo modificar o seu e suas características conforme o jogador desejar. Durante as batalhas, é possível ativar os Engajamentos, um estado temporário em que os Gatilhos de Aceleração dos companheiros de equipe dividem suas habilidades com o protagonista. É uma mão na roda durante as lutas.

O maior problema dos confrontos contra os Aragamis fica por conta de algumas características de design que deveriam ter sido mais bem exploradas. Os monstros são divididos em partes, que podem ser atacadas diretamente e quebradas após o dano necessário ser desferido. O grande problema é que seu comportamento não muda quando eles possuem partes danificadas, ficando apenas com sua aparência visual modificada. Não faz sentido quebrar as asas de um Aragami e ele ainda continuar voando. Poderiam ter introduzido novos ataques e modificadores de ações para os inimigos, o que tornaria as batalhas mais variadas e daria um motivo verdadeiro para que o jogador mirasse em pontos específicos.

Em busca das armas perfeitas

God Eater 3 é dividido em missões que avançam a história e missões opcionais. São dispostas em ranques, e cada ranque possui um grau de dificuldade maior que o anterior.  Ao concluir qualquer uma delas uma primeira vez, novos projetos de armas e equipamentos são desbloqueados, permitindo a compra de melhorias e até mesmo modificação completa das características de uma arma.

Os monstros possuem pontos fortes e fracos, e é preciso tê-los em mente para saber quais armas, itens de cura, proteção e potencializadores levar para as missões. As Mata-deuses possuem danos elementais, e estes são o fator principal a ser levado em consideração ao se preparar para um combate. Danos elementais como fogo e gelo estão presentes, e eles são de extrema importância para o sucesso do jogador. Utilizar elementos errados contra os monstros pode tornar as lutas arrastadas e extremamente difíceis.

Derrotar Aragamis e concluir missões também rende dinheiro e materiais de fabricação. Vira e mexe há a necessidade de se retornar a uma missão específica para derrotar seus chefes por diversas vezes até que se consiga o material desejado, principalmente se este for uma das partes que compõe as monstruosidades. O grind pode parecer repetitivo, mas é fundamental para a criação de novas armas e melhorias.



Os personagens que nos acompanham durante as missões ganham pontos chamados PH após as missões. Estes pontos são utilizados na compra de habilidades passivas como aumento de barra de vida, aumento de barra de vigor e maior resistência a certos tipos de ataques.

God Eter 3 também possui Missões de Assalto, que não diferem em nada das missões da campanha, mas podem ser jogadas por até oito pessoas de forma simultânea, bem como oferecem um desafio ainda mais elevado no que concerne a dificuldade dos Aragamis.

Repetindo cenários e problemas de câmera

Embora a composição visual de God Eater 3 seja muito bem produzida, especialmente no aspecto das ambientações, os mapas parecem excessivamente pequenos, mesclando itens perdidos para o jogador coletar com a presença de monstros menores e os chefes de fase. A repetição é nítida após algumas horas de jogatina, variando apenas a hora do dia em alguns cenários. Os Aragamis também não possuem grande variedade, alternando vez ou outra, apenas suas cores e potencialidades

Infelizmente, o maior problema de GE3 é sua câmera, que insiste em ficar presa em algum canto e não permitir que o jogador saiba onde o Aragami está para que ele possa atacá-lo. Essa é uma situação comum, principalmente em cenários estreitos com batalhas contra criaturas velozes. A trava de mira seria uma opção viável para combater o problema, mas a mesma também não funciona de maneira adequada.

God Eater 3 (PS4/PC) é uma grande e valiosa mistura de Monster Hunter com elementos de anime. Possui uma variedade imensa de armamentos e habilidades a serem destravadas, e oferece uma boa dose de desafio graças aos poderes e ferocidade dos Aragamis. Há um grande número de missões a serem concluídas, e o grind por novos equipamentos e melhorias acaba sendo mais divertido que tedioso na maior parte do tempo. O frenesi das batalhas é muito bem-vindo e elucida bem o DNA de anime do game (DNA este demonstrado de forma primorosa também na abertura do game, produzida pelo excelente estúdio Ufotable).



Prós

  • Diversas armas e habilidades a serem desbloqueadas;
  • Batalhas frenéticas;
  • Jogabilidade fluida e divertida;
  • Vasta quantia de missões.

Contras:

  • Desenvolvimento da história é demasiadamente arrastado;
  • Podia haver uma maior variedade de Aragamis;
  • A câmera pode atrapalhar bastante em algumas batalhas.
God Eater 3 - PS4/PC - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia gentilmente cedida pela Bandai-Namco 

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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