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Chronicle

Conheça FromSoftware, a empresa que criou o jeito Souls de ser

A desenvolvedora da série Souls é uma inspiração de enorme sucesso, mas o caminho até aqui foi longo, de muitos altos e baixos.



Hoje comandada pelo criador de Demon’s Souls (PS3), Dark Souls (Multi) e Bloodborne (PS4), Hidetaka Miyazaki, a FromSoftware vive um período de muito sucesso em seus mais de 30 anos de existência, tanto no Japão quanto fora dele. Claro, tudo isso não veio do nada, e antes mesmo da série Souls cair na graça do público, ela já explorava RPGs e games de robôs gigantes lá no PlayStation original.

Início mediano (1994 - 1999)

O início da FromSoftware não foi espetacular, mas rendeu bons frutos, como a série King's Field, o primeiro RPG da empresa, e Armored Core, uma saga de ação com robôs gigantes. Todos esses títulos fizeram um sucesso razoável no Japão, mas as críticas sempre eram de mediano para baixo. Isso não desanimou a empresa, que desenvolveu durante a vida do primeiro PlayStation vários jogos nesses estilos.


King's Field é um deles, que, diferentemente do que a Squaresoft estava fazendo na época com Final Fantasy VI (ou III no ocidente), era um RPG em primeira pessoa dedicado na exploração de dungeons, assim como foi Shadow Tower (PS) ou Echo Night (PS) e suas sequências (esse não é um RPG, mas possui muito das características e mecânicas de King’s Field).

Armored Core, por sua vez, recebeu várias sequências durantes os anos. Só para o PS essa série possui três jogos, todos funcionando de forma parecida também. Aqui você controla um armored core com seus robôs gigantes no meio de uma guerra, realizando missões em mapas relativamente extensos. Novos recursos de jogabilidade foram adicionados durante os anos também, como a Arena no Project Phantasma, onde você pode enfrentar mais de 50 inimigos por mais recursos.


Necessária Inovação (2000 - 2007)

Nos próximos anos, ela lança títulos para o PlayStation 2, Xbox, GameCube, entre outros consoles da época. Armored Core 2, Evergrace, The Adventures of Cookie & Cream, e Otogi: Myth of Demons são alguns exemplos. Esse foi um ótimo período para a FromSoftware, de muita experimentação.

The Adventures of Cookie & Cream, também conhecido como Kuri Kuri Mix, é um ótimo exemplo de como sair do conforto de RPGs obscuros e lutas com robôs gigantes. Aqui temos um game colorido, onde controlamos Cookie e Cream, os dois ao mesmo tempo se jogado sozinho, ou cooperativamente no multiplayer. A fase se divide em dois caminhos e você tem que ajudá-los a passar por elas de forma cooperativa, seguindo a mesma ideia de Unravel 2 (Multi), por exemplo.


Por sua vez, Armored Core 2 mudou o suficiente para ser o mais bem avaliado da saga até então, elogiado por suas músicas e diversidade na jogabilidade, e criticado pelas suas rígidas mecânicas de movimento e combate. Mas esse não seria o único game de robôs gigantes que ela lançaria nessa geração. Temos mais Armored Core, como o 3, que teve uma boa recepção, mas nada como foi com o seu antecessor, assim como Silent Line, Nexus, Formula Front e Last Raven.

Metal Wolf Chaos (Xbox), Another Century's Episode I (PS2) (assim como A.C.E. II e III) são outros títulos com a mesma temática. Metal Wolf foi lançado somente no Japão, onde você controla o presidente dos Estados Unidos da América, Michael Wilson, combatendo rebeldes. Já Another Century foi lançado em três capítulos, entre 2005 e 2007 no Japão, trazendo um crossover de várias séries japonesas de mechas, focando no realismo, como em seus movimentos e tamanho, para ficar o mais semelhante possível do seu material original.
Metal Wolf Chaos é um dos melhores jogos do Xbox original, sem dúvida. Talvez sendo uma das obras mais artísticas, ele não só merece destaque na biblioteca do Xbox mas na história dos videogames como um todo. Um jogo simples com boas ideias, que não tenta ser nada além de um jogo divertido e com uma boa história.

(Dácio Augusto, em Análise para o XboxBlast)
Os RPGs também receberam atenção com continuações e séries novas. Eternal Ring (PS2), King's Field IV (PS2), Shadow Tower Abyss (PS2) são alguns exemplos das velhas mecânicas em primeira pessoa, como na geração passada. Mas Evergrace (PS2) e Forever Kingdom (PS2) seguiram outros caminhos, sendo mais coloridos, e mais próximos a um Dragon Quest, com a câmera em terceira pessoa e voltado para a ação em seus combates. Já Lost Kingdoms (Game Cube) se mostrou o mais longe dessas fórmulas. A ação ainda acontece, mas agora atacamos usando cartas, uma alteração muito bem recebida pela crítica na época.

Fugindo dos estilos que fizeram o nome From Software, ela desenvolveu também alguns hack n’ slash, como os jogos Otogi: Myth of Demons e sua sequência Immortal Warriors, ambas para o Xbox original. A recepção de ambos os títulos foram boas, elogiado pela sua ação e controles simples. Outro gênero pouco explorado é o survival horror, e, infelizmente, temos poucos games para citar. Kuon (PS2) é um deles e não é o melhor. Mesmo com belos gráficos e uma ótima atmosfera do Japão feudal, a jogabilidade ultrapassada atrapalhou o game. Echo Night: Beyond (PS2) também enfrentou problemas parecidos. Visuais lindos e ambientação tensa, mas a câmera em primeira pessoa e a falta de ritmo na narrativa o deixou com uma recepção bem mediana.


Uma nova cara (2006 - 2014)

A era do PlayStation 3 e Xbox 360 começaram com um título totalmente novo, e seu nome era Enchanted Arms, um RPG ao estilo Final Fantasy Tactics (PS), que não foi muito bem com os críticos. Seguindo ele, temos a volta dos mechas com novos games de Armored Core, novos RPGs, e o lançamento do que viria se tornar a nova cara para a desenvolvedora.

Para os amantes de robôs gigantes o estúdio desenvolveu vários jogos do gênero. Só da série Armored Core foram quatro títulos, além de games como Another Century's Episode: R (PS3) e Chromehounds (X360), dois bons games de meca, não muito além disso. Já Armored Core 4, que mesmo chegando à plataforma da Microsoft não conseguiu se sobressair com a crítica, que apontou suas missões fracas como o seu maior problema, diferentemente de For Answer, V e Verdict Day, que se mostraram competentes em suas mecânicas, visuais e missões mais interessantes.


Em um período anterior a 2009, a FromSoftware deu a Hidetaka Miyazaki o controle de um projeto quase perdido para PS3; Seria um RPG inspirado em King's Field, mas nas mãos de Miyazaki esse projeto se tornou Demon’s Souls. Agora como um RPG de ação em terceira pessoa, extremamente difícil e recompensador, se tornou o game mais bem avaliado e querido pelos críticos e público da empresa até então. Era o início da série Souls.

Aqui você criava seu personagem, como aparência e seus itens iniciais: espada, varinha para magias, entre outros. E então era jogado na primeira fase sem entender muito que fazer ou porquê estava ali. Agora é tentar sobreviver com o que você tem, pelo menos nesse início. A ideia aqui é que você pode evoluir e crescer o personagem como quiser, nada te impediria de começar como guerreiro e terminar como mago, basta apenas ter os atributos certos.



A sua sequência espiritual foi lançada em 2011, chamada Dark Souls (Multi). Ele mantinha tudo que tinha feito sucesso no game anterior, como sua dificuldade, história interpretativa e a punição severa em caso de morte. O sucesso foi ainda maior que o seu antecessor, realmente abrindo várias portas para a indústria. Depois desse ponto não era tão raro achar um game ao estilo Souls de ser, mostrando como a FromSoftware encontrou em Miyazaki sua fonte do sucesso.
O jogo dirigido por Hidetaka Miyazaki é sensacional. Uma obra prima que resgata uma série de coisas maravilhosas que estavam se perdendo nos games. As épicas brigas contras os "chefões da fase", as discussões sobre táticas e "macetes" do game. E que trouxe outras especificidades sensacionais, como a história a ser desvendada, um mundo fantástico e um sistema de jogo sólido e divertido.

(Pedro Vicente, Análise para XboxBlast)
Infelizmente a bola caiu um pouco com o lançamento de Dark Souls II (Multi) que, mesmo mantendo a dificuldade elevada e outras coisas que fizeram a série Souls tão famosa, contou com a presença de algumas  mecânicas duvidosas e falta de criatividade em alguns inimigos. Mesmo com tudo isso sua recepção foi muito boa, tanto com a crítica, quanto para seu o público fiel.
Dark Souls II é muito bom jogo. Não é a obra-prima que foi seu antecessor, mas conseguiu ser um game atrativo e muito competente, indispensável para a coleção dos fãs de RPGs de ação, dos apreciadores de uma grande história, sejam eles já fãs da série ou não.

Mantendo o ritmo (2015 - ????)

Claro, Miyazaki não estava à toa no período de lançamento do Dark Souls II. Estava trabalhando em uma propriedade intelectual para a Sony, um exclusivo do PS4 chamado Bloodborne. Mudando um pouco a temática que tinha trabalhado nos últimos jogos da empresa, agora se passando em um lugar parecido com uma Londres vitoriana, cheia de criaturas sanguinárias prontas para te matar pelo seu sangue.

Esse foi um excelente começo para a geração. A recepção desse game não poderia ter sido melhor, elogiado pelos seus gráficos, história enigmática e por sua sua dificuldade e mecânicas ao estilo Souls. Havia boas diferenças que tornavam Bloodborne único, como as armas com dois modos de uso, um mais fraco e rápido e um mais forte e lento, ampliando a variação de movimentos de cada um. Outra adição importante foram as armas de fogo que, se usadas na hora certa, poderiam desestabilizar um inimigo, permitindo realizar um ataque poderoso.


Bloodborne é o exclusivo de peso que a Sony queria. Algo aclamado por crítica e fãs, um título essencial. É, para mim, a obra-prima de Miyazaki e sua FromSoftware.
Continuando seu legado, Miyazaki lança mais uma obra digna dos seus talentos, a sequência Dark Souls III (Multi). Trazendo novidades nas batalhas contra chefes e alguns inimigos, com suas diferentes transformações, mudando completamente o direcionamento da batalha, e até sua dificuldade. Contou com excelente trabalho artístico e técnico, e mesmo com alguns problemas de frames por segundo, esse é um título lindo, cheio de detalhes para se surpreender, assustar e criar teorias sobre a história.
Infelizmente, todo ciclo chega ao fim. Dark Souls III pode não ser o último jogo da franquia, mas é certamente um ponto de virada, o fim de uma era. Aqueles que se aventura na lore e fazem teorias para tentar entender a história (afinal, a trama também está dentro do ciclo de desafio e superação, e compreendê-la é uma conquista a parte) vão perceber que, de fato, este é o tema da obra: o fim de um longo ciclo e o começo de uma coisa nova. Ao mesmo tempo, esta é também a “verdadeira sequência” do primeiro Dark Souls. É como se Hidetaka Miyazaki tivesse olhado para Dark Souls II e dito: “Eu vou fazer meu próprio Dark Souls II, com jogos de azar e prostitutas.”

(Lucas Pinheiro Silva, Análise para o GameBlast)
Para não dizer que eles só fizeram alguns poucos jogos ao estilo Souls, eles lançaram também Monster Hunter Diary: Poka Poka Airou Village para o PSP. Esse é um título rítmico focado nos gatinhos da série Monster Hunter, parecido com o que foi feito na série Patapon. E também tivemos um lançamento para o PlayStation VR, um game de aventura chamado Déraciné, que mesmo dirigido por Miyazaki, teve recepção mista de crítica e público. Sua história tocante e atmosfera não o salvaram de suas mecânicas, puzzles simplistas e falta de opções de jogatina. Além de Remasters para o Dark Souls original no PS4, Xbox One, Switch e PC, e do 2 para todas as plataformas menos a da Nintendo.

O futuro

Chegamos ao futuro, e o mais óbvio de se esperar agora é o game Sekiro: Shadows Die Twice (Multi), programado para chegar no dia 22 de março deste ano. Aqui somos jogados em um Japão antigo na pele de um ninja com braço mecânico capaz de usá-lo de várias maneiras, como gancho ou mesmo armas. De acordo com seus desenvolvedores, esse é um game estilo Souls focado na verticalidade, então podemos subir em várias estruturas e realizar ataques furtivos, a lá Assassin’s Creed. Mas ainda estamos falando de um RPG, e muito aguardado, por sinal.

Mas não é só isso que o futuro aguarda. Foi revelado pelo próprio Miyazaki há existência de mais dois projetos em desenvolvimento ao estilo FromSoftware, e que assim que estiverem prontos, vão falar sobre eles. As especulações sobre o que se trata tudo isso correm soltas, mas o mais comentado é um provável Bloodborne II. Vamos ter que esperar para ver.



A FromSoftware tem uma cara agora, uma personalidade muito fácil de reconhecer, isso graças aos seus cuidados com a série Souls e seus derivados. Mas não podemos deixar de lembrar que ela não começou aqui, existindo um longo passado atrás desses sucessos, e isso também merece sua atenção. Fiquem de olho no GameBlast para mais conteúdo dessa empresa querida, e até a próxima.

Revisão: Francisco Camilo
Matheus Bigai Ferreira escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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