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Análise: Secret of Mana (Multi) traz um charmoso visual colorido

Remake do clássico de 1993 se sai melhor no estilo visual do que nas mecânicas.


Secret of Mana (Multi) é um remake do clássico homônimo de 1993 lançado para Super Nintendo. Se sai bem, visualmente falando, mas tropeça em certos aspectos que poderiam ter sido modernizados e melhor adaptados para os tempos atuais.

O destino de um órfão

Secret of Mana traz como protagonista Randi, um garoto órfão adotado pelos moradores da pequena vila de Potos. Ele se perde na floresta e decide tentar usar uma espada enferrujada que está presa em uma pedra. Ao retirá-la para uso próprio, vem a descobrir depois que aquela era a Mana Sword, uma arma imbuída de Mana, energia especial que rege o equilíbrio natural. Com a espada fora de seu lugar, tal equilíbrio é ameaçado e monstros começam a aparecer por toda parte.

O melhor aspecto de Secret of Mana é que, apesar de seu protagonista estar destinado a brandir as Mana Weapons e restaurar o equilíbrio, seus traços não são exatamente de um herói veterano. Randi, em muitos momentos de conversa com Primm, a princesa, e Popoi, o Sprite, demonstra dúvidas e inseguranças, mas não se deixa desanimar e logo mostra que seu espírito é mais forte que os obstáculos.



Pessoalmente falando, a história de Secret of Mana não engrena da maneira como esperava. Tudo parece muito lento e não toma as devidas proporções de um mundo realmente em perigo. O vai e vem entre masmorras para coletar as Mana Seeds, sementes de poder da grande e pura Mana Tree, parece servir mais como um pretexto para apresentar diferentes cenários do que contar uma história em si.

Misturando tempo real e turnos

Os combates de Secret of Mana acontecem com movimentação em tempo real, mas contam com uma barra de stamina que rege a potência dos ataques de Randi. A barra se enche automaticamente, exigindo apenas um pequeno tempo de espera para completar 100%. Quanto maior a porcentagem, mais forte o ataque. Funciona? Sim. É divertido? Nem tanto.

Embora simplificado, o sistema de lutas de Secret of Mana acaba sendo insosso na maior parte do tempo. Bater, esperar, bater, esperar, correr, bater e esperar. Essa é a rotina básica das batalhas. O que torna tudo monótono são os primeiros inimigos, que não possuem carisma algum e não oferecem maiores desafios. Conforme se avança no jogo, as coisas melhoram um pouco nesse aspecto, especialmente nas lutas contra chefes, que são bem feitas e bastante variadas.



Randi, portador das Mana Weapons, não pode usar magia. Tal função recai sobre Primm e Popoi. A princesa serve de curandeira do grupo, com magias voltadas para cura e fortalecimento de características básicas, como aumento de ataque e velocidade. Popoi, por outro lado, possui suas magias voltadas para o ataque, e pode causar bastante dano com seus projéteis de fogo, raio, gelo e pedra.

É possível fortalecer as armas e magias apenas com o uso constante. No caso das armas, porém, se faz necessário encontrar orbes de poder, que podem ser obtidos em baús secretos ou derrotando chefes. Espada, chicote, machado, lança, arco; são várias armas, e cada uma possui dez níveis de poder. Os orbes são específicos para cada tipo, e encontrar todos não é tarefa simples, exigindo muita exploração e batalhas contra inimigos poderosos.



Secret of Mana conta com hitboxes estranhos. Às vezes os ataques não são registrados em tempo real, e a impressão que passa é que o jogador está ali apenas realizando uma ação sem resultado. Isso não tem a ver nem mesmo com o sistema de chances que o game utiliza, já que é possível ver claramente com um grande “Miss” na tela que o inimigo desviou do ataque.

Derrotar monstros concede experiência e dinheiro. As características básicas dos personagens melhoram automaticamente após subir de nível, e o dinheiro pode ser usado para comprar itens de cura, auxílio e equipamentos que melhoram atributos diversos, como defesa, evasão e capacidades mágicas.

Muitas cores e estupidez artificial

Secret of Mana é naturalmente bonito, com um visual cartunesco bastante colorido e charmoso. Há um grande número de cenários para se visitar, cada um deles possuindo sua própria fauna e flora. A floresta das estações é maravilhosa, para citar um exemplo, alternando entre as quatro estações de maneira belíssima. Os personagens são fofos e casam bem com a diversidade de cores vivas que é apresentada.



Mas, se por um lado é visualmente belo, não se pode dizer o mesmo da inteligência virtual. Primm e Popoi costumam ficar presos em qualquer canto do cenário. É involuntário, mas acontece. São programados para seguir Randi, mas não desviam de objetos e elementos do cenário para tal, e isso ocorre com frequência, exigindo que o jogador volte para buscá-los ou entre em uma nova área.

Secret of Mana (Multi) é um jogo que custa a engrenar, mas consegue divertir conforme o jogador progride na aventura. Não oferece uma gama imensa de bons personagens, mas seus protagonistas e companheiros de jornada se salvam. Os combates possuem seus defeitos, mas as lutas contra chefes compensam pelo desafio. Há muitos segredos para se descobrir, e o belo visual cartunesco e colorido colabora para que a aventura não seja tão ardilosa.

Prós

  • Batalhas contra chefes;
  • Diversidade de armas e equipamentos;
  • Diversidade de inimigos;
  • Visual charmoso e colorido.

Contras

  • Primeiras horas de aventura são bem monótonas;
  • Sistema de colisão de hitboxes bem inconstantes;
  • Falta de personagens memoráveis.
Secret of Mana — PS4/PSVita/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Link Beoulve
Análise produzida com cópia adquirida pelo próprio redator
Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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