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Análise: Ace Combat 7: Skies Unknown (Multi) é um excelente retorno da franquia à nova geração

Quase 12 anos depois do último jogo da franquia, Ace Combat 7 chega com um visual fantástico e recursos de realidade virtual.

A franquia Ace Combat é bastante conhecida desde a sua estreia no mundo dos games, com Air Combat (Arcade/PS1), em 1993. Ao longo dos anos, o que muitos pensariam como um simulador de voo ultra realista na verdade marcou seu público por ser exatamente o oposto: um jogo de aviões incrivelmente fácil de se jogar e, além disso, muito divertido. Ace Combat 7: Skies Unknown (Multi) é tudo que a franquia já teve de melhor, com visuais fantásticas e acréscimos interessantes, mesmo que não tão revolucionários assim.


O 18º game da franquia e 8º da série principal consegue manter a jogabilidade instintiva e leve pela qual Ace Combat ficou conhecido. Para a versão do PS4, o game ainda apresenta um modo de realidade virtual que usa e abusa do PlayStation VR de forma muito satisfatória. Por fim, ainda temos alguns modos online bem divertidos que podem aumentar a longevidade do título, que já é bem grande.


Em um futuro próximo…

O enredo de Ace Combat 7: Skies Unknown nos leva a um futuro próximo que foge dos riscos de tocar em assuntos que envolvem nações existentes, o que é uma escolha muito sábia de se fazer ao lidar com temas como guerras mundiais por exemplo. No caso, vivenciamos uma crise política que coloca as nações Erusea e Osea em confronto direto, fazendo alusões a crises já ocorridas no mundo, mas sem citar nomes reais.

Nessa história, incorporamos o piloto Trigger por longas 20 missões que garantem cerca de 10 a 20 horas de jogo, dependendo da dificuldade escolhida e da habilidade do jogador. Nela podemos entender por meio de vários ângulos diferentes como a crise política e eventual guerra estão acontecendo, além de conhecer personagens muito interessantes e assistir cenas realmente épicas.



A história, mesmo que envolva geopolítica e guerras mundiais, é bem leve e fácil de entender na maior parte do tempo, com missões que guiam o jogador pelos eventos “históricos” do jogo e também fazendo alusões consideráveis com jogos anteriores da série, mas sem tornar obrigatória a experiência com jogos anteriores para apreciar o enredo de Ace Combat 7.

Combates rápidos e instintivos

Um dos pontos mais altos de Ace Combat 7: Skies Unknown é jogabilidade fluida, rápida e altamente instintiva que tanto o modo história como o multijogador online proporcionam. Aqui podemos realmente sentir que a série Ace Combat chegou na atual geração com tudo, apresentando visuais e efeitos sonoros fantásticos somados a uma agilidade de controles sem igual que deixa a experiência de pilotar um dos incríveis modelos de caças, aviões e naves do jogo muito leve e divertida.



Mas não é só de facilidades e simplicidades que Ace Combat 7 se trata. Na verdade, outro ponto muito elogiado são as inteligências artificiais dos oponentes e, em consequência disso, o nível de desafio que o jogo proporciona. Como estamos aqui falando de um jogo de naves com muita adrenalina, desde os primeiros 5 minutos de jogo já estamos no ar soltando mísseis em oponentes e dando piruetas incríveis para desviar de tiros teleguiados.

Daí pra frente, o nível de desafio aumenta gradativamente, mas sem deixar o jogador perdido em nenhum momento. Na verdade, a tentativa e erro de superar os inimigos do jogo em tempo hábil faz com que o jogador instintivamente passe a compreender melhor os sinais em sua tela, saiba diferenciar mais rapidamente inimigos assim como também compreende de forma natural como desviar de mísseis, qual tiro é mais eficaz em cada ocasião entre outras coisas.



O tutorial escrito explicando os pormenores das armas, tipos de tiro e como liberar novos aviões ainda estão ali firmes e fortes. Porém, não são demasiadamente didáticos e nem muito menos privam o jogador da experiência prática que se torna muito mais eficaz na obtenção de conhecimento acerca dos comandos do jogo. Se tratando de um jogo muito ativo e cheio de adrenalina, construir uma jogabilidade que permita esse aprendizado de forma gradativa e natural é um ponto muito bom.

Não, não é o “battle royale” que você imagina

O modo online de Ace Combat 7 tem alguns modos de jogo bem interessantes, com partidas que envolvem times que precisam se enfrentar em disputas alucinantes e também outro modo, batizado de Battle Royal, mas que nada tem a ver com o novo gênero de jogo de tiro que surgiu há alguns anos e que está bem na moda ultimamente, com modos surgindo até para jogos como FIFA e Battlefield.



Na verdade, o “battle royal” de Ace Combat 7 coloca os jogadores em uma disputa cada um por si para enfrentar tanto os adversários como também naves NPC. No caso, quem fizer mais pontos ao final da partida ganha. Nada de cenário fechando com o tempo, ou 100 jogadores que ao morrerem não podem retornar à partida. Aqui é basicamente um “si por si” para acumular pontos até o final da partida. A escolha do nome para o modo do jogo, inclusive, pode ter sido justamente para chamar a atenção.

Mas sobre esse modo multijogador o que precisa ser dito é que ele ainda funciona naquele velho esquema de base de salas, o que pode atrapalhar um pouco a encontrar partidas variadas dependendo da hora ou até do tempo após o lançamento do game. Em contrapartida, temos uma experiência muito estável e fluida online, garantindo diversão considerável e até aumentando um pouco a longevidade do título, após a conclusão do modo história.



Entretanto é importante ressaltar também a possibilidade de senso de repetição nesse modo online. Como se tratam de batalhas aéreas abertas, sem muitos pormenores ou obstáculos durante as partidas, a experiência pode se tornar repetitiva bem rápido.

Realidade virtual breve, mas também incrível!

Exclusivo do PS4, esse modo merece um comentário a parte pelo seu nível de qualidade. Para aqueles que possuem o PSVR, experimentar o modo de realidade virtual de Ace Combat 7: Skies Unknown é quase que obrigatório. Entretanto, vale ressaltar também que esse modo por si só não vale a compra do jogo inteiro, por ser curto demais para o potencial que o jogo possui na realidade virtual.


Com basicamente três missões de “modo história” e dois modos livres de acrobacias aéreas e voo livre, o modo VR de Ace Combat 7 tem um visual incrível e um realismo que chega a da vertigem àqueles mais sensíveis a alturas. Os comandos são praticamente os mesmos do modo história, somente com a câmera logicamente fixa em primeira pessoa e alguns comandos mais realistas obrigatórios, como a física de curva das aeronaves.

Não há o que se reclamar da qualidade desse modo de jogo, o que deixa inclusive a vontade de experimentar todas as 20 missões da história principal em realidade virtual. Infelizmente, o ponto negativo desse modo é justamente a curtíssima duração. Mas não se enganem, mesmo com apenas três missões, é possível curtir cerca de 2 a 4 horas nesse modo de jogo. Porém, ainda fica o questionamento de porque não vemos aqui o que aconteceu com Resident Evil 7 (Multi), por exemplo, um dos melhores jogos de realidade virtual da atualidade, que tem o gameplay completo praticamente idêntico ao modo tradicional.

Variedade que agrada muito

Ao longo do modo história de Ace Combat 7 podemos adquirir diversas aeronaves, armamentos e equipamentos distintos para as naves já adquiridas. Esse é o elementos que mais dá sensação de progressão durante o jogo, liberando naves inclusive para o modo online. O interessante aqui é a grande variedade de aviões, caças e até naves mais futuristas que temos no arsenal do jogo.

Isso permite maior personalização da experiência de jogo, aumento do senso estratégico na hora de montar seu avião e também mais variedade de experiências. As diferenças entre os modelos de avião passam longe de serem apenas estéticas, com pontos de resistência, manobrabilidade e dano variando de uma para a outra de forma bem balanceada. Não existe nenhuma nave exatamente ruim ou boa no jogo, pois tudo depende do estilo de voo do jogador e da combinação que este faz de armas, equipamentos e aviões, o que torna o arsenal de voo bem completo e diversificado.


Um ótimo Ace Combat para a nova geração

Uma franquia de mais de 25 anos não poderia ficar de fora da atual geração de consoles por mais tempo. Com um longo desenvolvimento e alguns adiamentos no caminho, Ace Combat 7: Skies Unknown (Multi) é uma experiência fluida e bem completa que vai agradar antigos fãs da série tanto quanto novos jogadores curiosos com a experiência. O modo multijogador, mesmo datado, é bem divertido e eficaz no que propõe, além dos jogadores de PS4 terem um bônus com o incrível conteúdo em realidade virtual do jogo.

Entretanto, tirando esses detalhes pouco revolucionários, o game inova pouco e consequentemente não se arrisca, nem em seu conteúdo em RV. Mas para quem não espera nada de exatamente muito novo na experiência de jogar Ace Combat, pode encontrar em Skies Unknown um jogo incrível e muito bem polido, com uma ótima experiência de simulador de voo leve e cheio de adrenalina. Agora ficamos ansiosos por um modo de Realidade Virtual realmente completo para o jogo, pois este seria de fato a maior inovação da franquia em anos!


Prós

  • Visual fantástico e bem realista;
  • Trilha sonora de ótima qualidade;
  • Controles fluidos e instintivos;
  • Variações de nível de dificuldade tornam o jogo mais acessível;
  • História principal interessante;
  • Modo online estável e simples de usar;
  • Excelentes recursos de realidade virtual;
  • Variedade de aviões agrada bastante;
  • Inteligência artificial dos adversários desafiadora.

Contras

  • Poucas missões em realidade virtual podem desagradar alguns;
  • Modo online repetitivo.
Ace Combat 7: Skies Unknown - PC/XBO/PS4/PSVR - Nota: 8.0
Versões utilizadas para análise: PS4/PSVR
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco.

é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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