Filmes ruins que deram jogos bons

Desde os anos 80 são criados jogos baseados em grandes sucessos do cinema, desde o E.T. até os filmes mais atuais, mas quando um filme ruim vira jogo o resultado poderá surpreender.



Jogos baseados em blockbusters têm sido feitos desde a segunda geração de consoles. Algumas deram bastante certo, como o Halloween do Atari 2600, porém outras foram tão ruins que muitos preferem esquecer, como, por exemplo, o jogo E.T. (Atari 2600) que, além de ter levado a culpa pelo crash de 1983, ainda foram enterradas milhares de unidades no Novo México, simplesmente porque ninguém queria aquele jogo.


Porém, o contrário pode acontecer e filmes que são considerados muito ruins pela crítica especializada podem gerar jogos até bons, alguns excelentes e outros que dividem opiniões, principalmente da crítica e de fãs.

Moonwalker (Mega Drive)

O filme do eterno Rei do Pop, Michael Jackson, lançado em 1988 foi uma experiência audiovisual numa época em que os videoclipes estavam nascendo, tendo, inclusive, o próprio Michael como precursor. Porém o filme é completamente despido de lógica, estrutura ou desenvolvimento de personagens. Em termos de uma ficção científica, o filme não passa de uma grande aberração. Isso se refletiu nas bilheterias, onde mal lucrou.

Mesmo assim, dois anos depois, o título rendeu um jogo excelente para o Mega Drive. Seguindo a mesma história do filme. Um poderoso traficante chamado de Mr. Big domina aparece como uma grande ameaça às crianças. Então Michael Jackson surge como a única esperança de salvá-las. O game já começa com a clássica cena de Michael entrando no Club 30 e jogando a moeda no jukebox, a partir daí se inicia a ação.

No decorrer do jogo podemos passar por vários cenários de clipes famosos do astro, além de sua trilha sonora recheada de clássicos do Rei do Pop. Porém o melhor do jogo está em seu gameplay fluido e empolgante. O maior poder de Michael é a dança, usando este especial ele coloca todos os inimigos para dançar e expulsando todos da tela.


Uma curiosidade sobre a história deste jogo é que Michael Jackson havia oferecido a proposta dele para a Nintendo, porém a empresa simplesmente o ignorou, deixando o astro furioso. Em represaria Michael procurou a sua maior rival, a Sega, que rapidamente aceitou a proposta. O resultado foi a criação de um dos grandes clássicos dos games e Moonwalker se tornou um jogo indispensável para quem tinha um Mega Drive nos anos 1990.

Moonwalker é um grande jogo, um clássico da Sega, conseguiu transformar um filme confuso, sem lógica, em um grande game agradando tanto os fãs do cantor como os fãs do 16 bits da Sega. Este é o melhor exemplo de que é possível fazer um jogo bom de um filme ruim.

Batman Forever (Snes)

Eis a grande polêmica da lista. Batman Forever é um jogo odiado por muitos e muito amado por poucos, e esta paixão da minoria que me levou a colocá-lo na lista. Ele tentou inovar ao usar a mesma técnica de captura de movimentos usada anteriormente em Pit Fighter (multi) e Mortal Kombat (multi), só que, em vez de ser um jogo de luta, Batman Forever é um Beat ‘Em Up.


Porém o resultado não foi dos melhores. O gameplay é bastante travado e a dificuldade é imensa, o que fez muitos jogadores desistirem nos primeiros minutos de jogo, além de ter sido bastante criticado pelas revistas especializadas da época. Mas, para alguns – os que conseguiram se acostumar com a jogabilidade travada – ele foi grande, e dá até para entender essa paixão. O visual era até inovador, pois a técnica de captura havia sido usada mais em jogos de luta e a adoção dessa técnica em um Beat ‘Em Up foi desafiador. O visual do jogo, principalmente do Batman, até que ficou bonito, infelizmente não podemos dizer o mesmo para o Robin. Parece que o ator que fez a captura, usou o pijama do filho como uniforme o que ficou igual a um “cospobre” de festa de halloween.


Por essa inovação no uso da tecnologia de captura de movimentos – mais tarde essa mesma técnica seria usada no também amado e odiado Sub Zero Mythologies – e pelos fãs apaixonados, este jogo entra na lista. Além do mais ele não poderia ser pior que o próprio filme dirigido por Joel Schumacher, seria um feito muito grande para a produtora.

Batman & Robin (PlayStation)

Se Joel Schumacher já havia conseguido abalar, com o Batman Forever, a recém-conquistada boa fama do Homem Morcego pelo diretor Tim Burton, o seu segundo filme conseguiu jogar ela de vez na lata do lixo. Tudo foi exagerado neste filme, o número de grandes astros, a quantidade de vilões, o orçamento gigante, Batcartão de crédito, Batmamilos, tudo! O resultado foi um dos piores filmes de Super Heróis da história e um eterno pedido de desculpas dos protagonistas e do próprio diretor.


Mesmo com um filme horrível, em 1998 a Acclaim Entertainment em conjunto com a Warner Bros. lança para o PlayStation o jogo baseado nele. Embora esteja longe de ser um grande game, principalmente pela dificuldade no gameplay e pelo problema de câmera, ele teve seus méritos.

Este foi um dos primeiros jogos a trazer o Batman para um mundo aberto, permitindo você explorar a cidade de Gotham de modo livre e completar diversas missões. Ele também permite você escolher entre Batman, Robin e Batgirl como personagens jogáveis, cada um com suas características e veículos próprios, dando um certo diferencial ao jogo.

Apesar da má recepção da crítica e a baixa nota dada pelo IGN o jogo pode ser divertido, mesmo contendo muitos problemas como o de câmera e um gameplay difícil e repetitivo, ele entra na lista pelo pioneirismo de fazer um game em mundo aberto e a capacidade de explorar toda Gotham City, fórmula esta que, anos depois, foi usada na aclamada série Batman Arkham.

Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer (multi)

A primeira família de super-heróis nunca teve um filme à altura. Embora a primeira tentativa da Fox tenha gerado um filme até bonzinho, a sua continuação conseguiu piorar a situação. Tentando colocar a história da vinda de Galactos à terra, eles conseguiram errar em tudo. E no final, quando todos esperava uma apoteótica aparição do ser galáctico, ele não passou de uma simples fumaça negra. Decepção foi o nome deste filme.


Mas a sua versão videogame não correu o mesmo risco. Lançado em 2007, o jogo trouxe uma boa ambientação e um gameplay bastante divertido, permitindo você escolher qualquer um dos membros da equipe e trocar de personagem quando quiser, cada um com suas habilidades especiais para ser usada em cada missão. Além disso, ainda existem missões individuais como o Tocha Humana perseguindo o Surfista Prateado em Nova York e Sue Storm usando seus poderes de invisibilidade para se esgueirar por uma Base Militar.

O jogo foi bem recebido pela crítica, embora alguns reclamaram por ser repetitivo e, ás vezes,maçante. O jogo agradou os fãs, principalmente pela combinação de combos entre os personagens, e resgatou um pouco o prestígio da equipe de heróis que fora perdido num enfadonho e decepcionante filme.

X-Men Origins: Wolverine (multi)

Os primeiros filmes dos X-Men, além de muito bem recebidos, foram um dos principais culpados pelo resgate dos filmes de super-heróis. Porém, quando resolveram contar a história de origem do seu principal protagonista, as coisas não andaram muito bem. A película começa até bem, mostrando a infância do Wolverine e ele descobrindo seus poderes, porém, do meio para o final o filme se degringola, primeiro com as garras em CGI, até o apoteótico final na luta contra um Deadpool tunado e mudo. Graças a Deus Wade Wilson voltou ao passado e consertou essa linha temporal.


Por outro lado, o jogo baseado neste filme trouxe tudo que há de melhor no mutante preferido da Marvel. Toda violência e ferocidade do herói foi transportada para o game – coisa que não fizeram no filme – além de desenvolver a história, que é praticamente a mesma do filme, de uma maneira bem mais linear, ou seja, o jogo contou o roteiro do filme melhor que o próprio filme.

Tirando leite de pedra

Jogos baseados em filmes, quando estes são sucessos consagrados e contam com uma história bem escrita, já facilita muito os programadores, pois, seguindo bem a linearidade da película, com certeza irão ter sucesso em transpor isso para os consoles, embora muitas vezes não tenha dado certo como vimos em E.T., Wayne’s World, Avatar e outros jogos que foram, no mínimo, decepcionantes. Preciso nem falar de quando fazem um jogo de um filme ruim que já foi adaptado de um jogo (Street Fighter The Movie), este não teve salvação.

Só para lembrar que este filme existiu, e o jogo baseado nele também

Mas converter um filme fracassado em um bom jogo é um trabalho hercúleo. Pegar um roteiro muitas vezes confuso, ou uma história muitas vezes mal contada, e transformar em algo divertido, são para poucos. Porém, como se vê, a maioria destes jogos é de super-heróis, muito por serem mais rentáveis, principalmente nos consoles. Mas, mesmo assim, poucos conseguiram acertar a mão e produzir um jogo, no mínimo, decente para esses filmes mal elaborados.

Então, tiro o chapéu para essas produtoras que se arriscaram e criaram algo de bom em cima de tanto filme duvidoso. São jogos interessantes que valem a pena conhecer. Já os filmes, recomendo passar longe.


Revisão: Rui Celso
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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