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Análise: Bladed Fury (PC) — vingança e ação em uma bela China mitológica

No controle de uma princesa, explore um mundo ímpar em uma aventura hack and slash ágil.


Depois de um golpe de estado, uma princesa sai em uma jornada em busca de vingança. Essa é a premissa central de Bladed Fury, título de ação e plataforma que usa a mitologia chinesa como tema. Com duas armas poderosas e a ajuda de certas entidades místicas, a garota vai acabar com todos que aparecem pelo caminho em uma experiência hack and slash frenética com visual elaborado. Desenvolvido por uma produtora chinesa, o jogo é explicitamente inspirado em Muramasa: The Demon Blade.

Destruindo tudo com estilo

O combate é o foco de Bladed Fury, e é também sua melhor característica. A princesa Ji usa armas herdadas de sua família real, cada qual com usos distintos. A dupla de espadas Fiendbane desferem ataques rápidos e ágeis, porém não são muito poderosas. A imensa espada longa Crimson Mass consegue quebrar a defesa de certos inimigos e rebater projéteis ao custo de movimentação lenta. Já asas de cigarra funcionam como escudo e são capazes de interromper investidas dos oponentes ao serem ativadas no momento correto.


Usando todas essas ferramentas, a protagonista consegue fazer combinações de ataques variadas e interessantes. É possível lançar inimigos no ar, atacá-los enquanto estão indefesos com a espada longa e terminar uma sequência com um ataque giratório. Outra opção é derrubar inimigos com um golpe carregado e em seguida lançá-los pelos cenários. A protagonista é bem ágil e consegue saltar novamente no ar e esquivar rapidamente de golpes. Os comandos são fáceis de entender e em poucos minutos já conseguimos fazer combos impressionantes.

Conforme avança na aventura, a princesa Ji adquire algumas novas técnicas na forma de espíritos. Cada uma dessas entidades provê um ataque especial, como uma aranha que deixa todos os inimigos lentos, uma chuva de flechas e até mesmo um grande canhão — o meu favorito, por ser estiloso e muito poderoso. Almas coletadas dos inimigos derrotados podem ser utilizadas para melhorar ou desbloquear novas habilidades.


Bladed Fury tem muitas opções de ataques e os combos são divertidos de fazer, além de serem muito estilosos. O porém é que esse sistema de luta é subutilizado no decorrer da aventura. O principal motivo disso é que não é necessária muita estratégia para derrotar a maioria dos inimigos: basta atacar de qualquer jeito para acabar com boa parte das criaturas. Alguns oponentes apresentam padrões de ataques mais complexos, exigindo esquivar e contra-atacar na hora certa, mas infelizmente eles só aparecem mais para o fim da jornada. Também tive problemas para interromper golpes dos inimigos ao defender no momento correto, pois ativar o escudo leva muito tempo e é complicado acertar o timing — acabei simplesmente escapando dos ataques ao invés de interrompê-los.

Por sorte, as lutas contra os vários chefes do jogo são bem interessantes. Cada um dos mestres exige estratégias específicas para serem vencidos, além de muita observação de padrões de ataques. A variedade temática também é boa e enfrentamos criaturas como uma bizarra mulher transformada em aranha, uma garota vestida em uma armadura tecnológica, um samurai fantasma, uma serpente flamejante e mais. Alguns desses combates também apresentam mecânicas de jogo exclusivas. Enfrentar os chefes é um dos pontos altos de Bladed Fury.


A beleza de uma China mitológica

Quando não está no combate, a princesa Ji explora uma China antiga em estágios lineares. Um ou outro apresenta múltiplos caminhos e alguns pequenos puzzles, como uma construção que as salas aparecem de acordo com a organização de peças em um tabuleiro ou uma fortaleza em que precisamos destruir barreiras para prosseguir. Há, também, uns poucos momentos de plataforma e segredos escondidos. A variedade de situações é reduzida e traz leve sensação de repetição, no entanto isso não é um grande problema, afinal o foco do jogo é o combate.

Ao menos os cenários são belíssimos, com visual que lembra tradicionais pinturas chinesas. Em suas viagens, a garota visita templos antigos, castelos suntuosos, pequenas vilas e até mesmo regiões do outro mundo, todos os locais são únicos e visualmente elaborados. Uma das minhas fases favoritas se passa em uma espécie de casa de banho na qual algumas salas têm painéis coloridos que só mostram as silhuetas dos personagens, é um local artisticamente único. Além disso, o jogo apresenta uma interpretação interessante da mitologia chinesa com a introdução de tecnologia: o visual desses dispositivos lembra armaduras com suas partes intrincadas e muita cor. Uma trilha sonora com instrumentos tradicionais complementa a ambientação.


Já a trama em si não é muito especial e está ali só para fazer a ação acontecer. A princesa Ji é vítima de uma armadilha e ela acaba sendo acusada de ter assassinado o próprio pai. Sua jornada é justamente para provar sua inocência ao mesmo tempo em que deseja se vingar de quem usurpou seu lugar. Pelo caminho, ela conhece criaturas mitológicas e muitas pessoas que a fazem questionar o que é de fato certo. Talvez o maior problema na história é o texto seco e sem emoção, com personagens que não se desenvolvem, sendo um pouco difícil se importar com a princesa e seus objetivos.

Por fim, Bladed Fury carece de conteúdo. A história principal pode ser terminada em pouco mais de quatro horas e os únicos desbloqueáveis são um nível de dificuldade difícil e um modo de desafio em que enfrentamos todos os chefes em sequência. Aqueles que gostam de conquistas podem ter motivos de revisitar a aventura em busca de desbloqueá-las, mas fora isso não existem atrativos para jogar novamente — é uma pena, já que o combate é bem legal.


Beleza breve

Bladed Fury diverte com seu combate ágil, variado e estiloso. O ponto alto são os confrontos com inimigos mais complexos e chefes, que exigem entender padrões e atacar na hora certa — é muito recompensador sair vitorioso desses encontros, mesmo com alguns problemas no combate. Belos cenários baseados na mitologia chinesa deixam a aventura agradável com seu visual elaborado e gráfico estilizado. O jogo só peca um pouco na simplicidade: há pouco conteúdo e os estágios são bem lineares. No fim, Bladed Fury é um hack and slash bem polido, por mais que breve.

Prós

  • Jogabilidade ágil, com muitas opções de sequências de ataques;
  • Confrontos contra chefes interessantes;
  • Ótima ambientação baseada na mitologia chinesa.

Contras

  • Alguns problemas no sistema de combate;
  • Pouca variedade de conteúdo.
Bladed Fury — PC — Nota: 7.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela NEXT Studios

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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