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Análise: Just Cause 4 (Multi) conta com caos na diversão e nos problemas

Nova produção da Avalanche possui seus méritos e qualidades, mas esbarra em velhos problemas técnicos trazidos anteriormente.


Depois de uma experiência desgostosa com Just Cause 3 (Multi), a Avalanche traz, junto da Square Enix, o novo capítulo da franquia mais explosiva de todas protagonizada por Rico Rodriguez. Será que cumpre as expectativas? Mais ou menos, mais ou menos...

Vilão? Onde?

Just Cause 4 coloca o protagonista Rico Rodriguez na tropical e fictícia Solís, dominada por um magnata chamado Oscar Espinoza e seu exército privado, Mão Negra. Cabe a Rico e aos rebeldes de seu recém-formado Exército do Caos liderar uma campanha de libertação dos distritos de Solís e impedir que Espinoza coloque à venda armas de destruição em massa no mercado negro.

A história principal é morna e sem sal. Nenhum personagem de fato se salva no jogo, sendo Rico o mais carismático e aproveitável graças às suas façanhas acrobáticas e determinação em caçar as respostas sobre os problemas de Solís. Todo o resto é descartável, com personagens minimamente aproveitáveis apenas por conta da boa dublagem em português brasileiro, que conta com vozes reconhecidas como Alexandre Marconatto (Magneto em X-Men: Apocalypse) e Cecília Lemes (a Chiquinha do Chaves).

Se Oscar Espinoza e a líder de seu exército, Gabriela Morales, deveriam ter tido alguma presença ameaçadora, tudo foi por água abaixo graças ao pouco tempo de tela que ambos possuem. São introduzidos no início do jogo e somem, voltando apenas nos momentos finais do game. Participação pífia.



Gerando o caos 

Just Cause 4 se beneficiaria bastante de uma maior variedade de missões. Embora possua boas atividades em segundo e terceiro plano, as missões primárias se repetem exaustivamente. Liberar uma região para conquista se torna enfadonho quando percebemos que 90% dos objetivos consiste em ativar um painel de acesso ou ligar disjuntores de energia.

Com poucas missões principais, todo o mapa de JC4 é preenchido por missões secundárias e atividades diversas que dão algum tipo de bonificação por completá-las. Pequenas histórias trazem coadjuvantes que apresentam melhorias para os equipamentos de Rico, principalmente seu gancho. Ao encher uma barra de experiência, basta comprar as novas opções com pontos de desbloqueios.

Gancho, aliás, que é o principal atrativo do arsenal à disposição do jogador. É possível customizá-lo de diversas maneiras, calibrando força de propulsão e retração, e até mesmo introduzindo motores propulsores ou balões de gás para fazer os inimigos e demais objetos saírem voando pelos céus de Solís. Basta usar a imaginação para configurar todas as opções disponíveis e montar conjuntos de ações para o gancho que irão refletir no estilo de jogo do jogador.



O gancho preso no braço de Rico também é uma ótima forma de se locomover rapidamente por Solís. Caso o jogador opte por não utilizar a vasta lista de veículos terrestres, aquáticos e aéreos do game, basta utilizar o gancho para ganhar velocidade e ativar os tradicionais pára-quedas e traje planador do protagonista.

Com uma lista de armamentos respeitável, Just Cause 4 oferece um combate sólido e divertido, baseado no puro caos. Para retomar Solís, Rico Rodriguez precisar aumentar sua barra de caos ao destruir propriedades da Mão Negra. Conforme o caos é gerado, pontos de esquadrão são concedidos e podem ser utilizados para conquistar diferentes regiões do país, concedendo novas opções de entrega de armamentos e veículos para o jogador.

As armas aqui são um show à parte. Introduzindo opções de tiro secundário, cada uma se comporta de maneira bastante distinta, oferecendo variedade imensa na hora de enfrentar os soldados e veículos da Mão Negra. O jogador pode optar por uma metralhadora-leve com escudo frontal, ou por uma submetralhadora cujo disparo alternativo consiste em um pequeno projétil explosivo. É possível carregar apenas duas armas por vez, e como elas possuem pouca munição, o jogo instiga o jogador a buscar as abundantes caixas de armas e renovar seu arsenal a todo momento. É uma “variedade introduzida”, mas que ocorre de forma dinâmica e não exatamente obrigatória.



Qualidade técnica oscilante

Tendo sido jogado por este redator em um PlayStation 4 Slim (poder de fogo comum), é possível afirmar, com toda certeza, que Just Cause 4 possui um dos piores visuais para um blockbuster em 2018. Personagens mal modelados, com poucos detalhes e qualidade de iluminação e oclusão de ambiente tenebrosas, dividem espaço com um cenário vasto e relativamente belo, graças à imensa variedade de biomas oferecido pelas regiões áridas, nevadas, campestres e tropicais do game.

Eu vô matá o Espinoza


Um dos grandes problemas de JC4, visualmente falando, fica por conta de sua variação de resolução. A Avalanche, produtora do game, decidiu trabalhar com resolução variável nos consoles. Isso significa que o jogo muda constantemente de resolução para manter sua performance. Isso até funcionaria, não fosse o fato de o game parecer rodar quase sempre em 720p de resolução, tornando a imagem borrada e extremamente feia.

Se você, leitor, tiver jogado Just Cause 3 (Multi), irá lembrar que o game sofria muito com quedas de quadros por segundo extremamente bruscas, tornando-o uma experiência bastante negativa. Isso havia sido corrigido no capítulo atual, até o lançamento do patch de atualização 1.02, que trouxe uma melhoria nos ajustes de resolução dinâmica, mas introduziu novamente as quedas bruscas de fps nos momentos de ação intensa.

Entenda que Just Cause 4 é um jogo cuja proposta principal é a ação intensa, ininterrupta, com o caos reinando através de explosões e cenários voando pelos ares. Se não é possível entregar essa experiência de maneira eficiente, com fluidez e um visual minimamente bonito, então é preciso repensar a abordagem no desenvolvimento do game, especialmente para consoles “comuns”.

Um dos chamarizes do jogo, divulgados à exaustão nos trailers, são as alterações climáticas absurdamente detalhadas e de grande escala que ocorrem em tempo real durante a jogatina. Mas como aproveitar tornados devastadores e nevascas bruscas, se o desempenho técnico do jogo não colabora? É um tiro no pé.



Nota: as informações aqui foram obtidas conforme vídeo do canal Digital Foundry, e eu pude colocá-las à prova apenas na versão de PS4 comum. Ainda de acordo com o DF, a versão de Xbox One base é a pior de todas em termos de quedas de fps e resolução dinâmica. Por outro lado, o Xbox One X se sai super bem, oferecendo o melhor visual e a maior estabilidade possível nos consoles.

Just Cause 4 (Multi) é um jogo que pode oferecer certa diversão, especialmente se o jogador conseguir deixar de lado seus problemas técnicos e ignorar a história rasa. Há muito o que fazer por Solís, com seus biomas e catástrofes naturais compondo um cenário variado e bonito. Os combates armados e explosivos são excelentes, principalmente pela enorme quantia de armamentos disponível. E se for possível, priorize a experiência em um Xbox One X.

Prós

  • Personalização das diversas funções do gancho;
  • Imensa variedade de armamentos;
  • Diversos veículos para pilotar;
  • Gerar e causar caos continua genuinamente divertido;
  • Excelente dublagem brasileira.

Contras

  • História rasa e mequetrefe;
  • Vilões quase inexistentes;
  • Repetição de objetivos;
  • Desempenho técnico oscilante;
  • Visual feio para um jogo de 2018.
Just Cause 4 — PS4/XBO/PC — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix

Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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