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Análise: Starlink: Battle for Atlas (Multi) — explorando um universo belo, porém repetitivo

Combate divertido e ótima direção de arte são os destaques desse jogo de ação 3D que, infelizmente, peca na variedade de conteúdo.


A premissa de Starlink: Battle for Atlas é bem ambiciosa. No novo jogo de ação e aventura da Ubisoft, controlamos uma equipe de pilotos em uma aventura por um universo vibrante com mecânicas de mundo aberto e customização. Um dos destaques do título é a inclusão do conceito toys to life, ou seja, miniaturas físicas que afetam o jogo — naves, pilotos e armas, nesse caso. O resultado é uma experiência divertida, por mais que alguns problemas impedem que ela seja memorável.

Miniaturas e naves em um grande universo

Em Starlink, uma grande nave interestelar chamada Equinox sofre uma emboscada no sistema solar Atlas e seu comandante é raptado pela Legião, uma raça que deseja utilizar tecnologias avançadas deixadas por civilizações do passado para fins nefastos. Para isso, a Legião precisa de Nova, um combustível especial, e o capitão da Equinox sabe como produzi-lo — foi por causa disso que ele foi raptado. Sendo assim, a tripulação da nave vai explorar os planetas de Atlas a fim de tentar resgatar seu comandante ao mesmo tempo em que fazem alianças para deter o avanço da Legião.


O jogo em si é uma aventura de ação 3D de mundo aberto. Controlando uma das naves da tripulação, exploramos o espaço e os planetas de Atlas. É possível viajar livremente para qualquer lugar do sistema solar, sendo que a transição entre o espaço sideral e a atmosfera dos mundos acontece em tempo real e sem carregamentos. Além de desbravar os planetas, há um foco grande em formar alianças entre os vários planetas para impedir as investidas da Legião.

Um dos diferenciais de Starlink é o conceito de toys to life: miniaturas físicas de naves, pilotos e armas são transportadas para o jogo, de maneira similar a títulos como Skylanders e Disney Infinity. O legal, aqui, é que é possível customizar os veículos ao trocar e combinar asas e armamentos — partes dos modelos são destacáveis e intercambiáveis. Por sorte, a Ubisoft também disponibilizou esse conteúdo de forma digital por meio de DLCs, sendo assim não é necessário comprar inúmeros brinquedos para aproveitar completamente o jogo. No Brasil, a versão digital é a única opção, já que as miniaturas não são vendidas oficialmente por aqui.


Formando uma aliança interplanetária

Boa parte da ação de Starlink se passa na superfície dos planetas. Nesses momentos, a nave flutua em cima do solo, apresentando mecânicas tradicionais de títulos de plataforma 3D — também é possível voar livremente nesses ambientes. Os mundos oferecem várias atividades, como visitar pequenas ruínas, identificar a fauna local, coletar recursos e realizar missões para estações científicas. Já no espaço sideral, a experiência muda para voo livre com grande foco no combate. Assim como nos planetas, há muito o que fazer no espaço, como enfrentar grupos de fora da lei, destruir grandes naves e buscar itens em destroços.

Depois de avançar um pouco na história, é introduzida a mecânica de Aliança, que é também o grande foco do jogo. Para impedir o avanço do grupo de vilões, precisamos realizar tarefas específicas a fim de aumentar a influência do grupo de heróis por todo o sistema de Atlas — coisas como ajudar os aliados nos planetas e destruir grandes encouraçados inimigos. É essencial construir e melhorar bases pelos planetas e para isso é necessário coletar minérios, plantas e outros itens valiosos. O jogador está livre para explorar e agir como bem quiser, por mais que sempre há uma tarefa principal para fazer a história avançar.


Customizando para vencer

O combate ágil e variado é a minha característica preferida de Starlink. Cada nave pode ser equipada com duas diferentes armas, estando à disposição uma boa seleção de armamentos com características bem distintas. Há grande foco em explorar fraquezas elementais dos inimigos e é possível fazer alguns combos ao usar armas em conjunto — o meu preferido é paralisar um inimigo com mísseis de levitação e em seguida finalizá-lo com uma explosão elemental. Senti falta de um recurso de travar a mira em alvos ou direções específicas, por mais que exista um recurso de foco automático. Também não gostei do combate aéreo: os comandos estranhos e a falta de precisão da mira faz com que eles sejam enfadonhos e um exercício de paciência em alguns casos.

Um detalhe legal é a grande opção de customização das naves, que pode ser feita a qualquer momento. É possível trocar e adicionar várias asas aos veículos, além das duas armas. Cada equipamento tem espaços para modificadores e melhorias, com a possibilidade de combiná-los em versões melhores. Para facilitar, existe a possibilidade de guardar três configurações distintas, o que permite alternar entre elas rapidamente quando necessário. É um sistema simples, porém muito flexível, e o jogo exige trocar constantemente a configuração por meio de inimigos e situações específicas.


É importante lembrar que Starlink tem foco no elemento toys to life. Sendo assim, para customizar as naves, é necessário adquirir as miniaturas ou suas versões digitais. O pacote digital básico do jogo contém cinco naves, seis pilotos e 12 armas; já o físico tem um piloto, uma nave e três armas. Acredito que é a maneira ideal de aproveitar Starlink é o pacote digital. O principal motivo é que muitos inimigos e locais exigem o uso de armas específicas não disponíveis na versão física básica. Além disso, cada uma das naves funciona como uma vida adicional, o que diminui bastante a penalidade de ser derrotado em combate — algo essencial, já que Starlink pode ser bem difícil em alguns momentos.

Um universo simultaneamente cativante e falho

Para mim, Starlink é um misto de deslumbre com frustração. A ideia principal é bem interessante, porém a execução problemática da maioria dos sistemas fez com que a experiência fosse morna.

Explorar livremente o espaço e vários planetas é muito legal. Me diverti bastante indo de um lugar para o outro, principalmente por causa da fluidez das transições entre um ambiente e outro. Os mundos são muito belos, cada qual apresentando visual elaborado e único: Kirite é tomado majoritariamente um deserto repleto de estruturas curiosas, já Haven chama a atenção com sua vegetação vermelha vibrante, Vylus tem como destaque estranhas plantas que flutuam na atmosfera, e assim por diante. Há também muito o que fazer em cada um dos mundos e parte da minha diversão foi desbravar cuidadosamente cada um deles.


O problema começa quando você percebe que a única diferença entre os planetas é o visual. Todos os mundos do jogo apresentam missões idênticas, inclusive a progressão da influência da aliança. Sendo assim, toda vez o processo se repete: você chega em um novo planeta, faz missões para aumentar a influência dos heróis, destrói estruturas dos inimigos e enfrenta um grande monstro invasor. Para piorar, a variedade de tarefas é bem reduzida, o que torna a progressão extremamente repetitiva. O mesmo problema acontece no espaço: todas as batalhas são praticamente idênticas, com pequenas alterações na agressividade dos inimigos. Faltou mais cuidado da equipe da Ubisoft Toronto nesse aspecto.

Por fim, Starlink apresenta história e personagens genéricos. A trama é a tradicional luta do bem contra o mal, com uma grande mensagem sobre união para impedir o triunfo dos vilões. Os acontecimentos são previsíveis e não empolgam, o que é uma pena, já que as cenas não interativas são muito bem produzidas. A tripulação da Equinox é bem variada e conta com a presença de diferentes raças e personalidades (há, inclusive, uma garota brasileira na equipe), no entanto os heróis não são nada carismáticos e mal se desenvolvem durante a trama — é difícil se importar com eles. A versão para Switch tem o grande diferencial de ter a equipe Star Fox da série da Nintendo, o que deixa esse aspecto um pouco mais interessante.


Uma jornada familiar

Starlink: Battle for Atlas oferece uma interpretação interessante do gênero mundo aberto, por mais que não muito diferente do que estamos acostumados. É bem legal controlar naves por um universo extenso e vibrante, em especial por causa da presença de vários belos planetas espalhados por Atlas. O combate ágil e as mecânicas de customização fazem com que as batalhas sejam frenéticas e variadas — um dos pontos altos da experiência de jogo. Há muito o que fazer, mas, infelizmente a variedade de atividades é bem pequena, o que pode deixar as coisas repetitivas rapidamente. Starlink: Battle for Atlas diverte, porém é inegável que todo o potencial não foi completamente explorado.

Prós

  • Combate rápido e com possibilidades interessantes;
  • Customização de naves traz muitas opções estratégicas;
  • Visual belo e variado;
  • Universo de jogo extenso e convidativo.

Contras

  • Personagens e história genéricos;
  • Pouca variedade de missões;
  • Planetas com atividades idênticas;
  • Combate no espaço confuso e desinteressante.
Starlink: Battle for Atlas — PS4/XBO/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ubisoft
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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