Jogamos

Análise: Wandersong (PC/Switch) — salvando o mundo em uma carismática aventura musical

Controle um bardo cantor em um título colorido e repleto de energia positiva.


Um bardo otimista é o improvável protagonista de Wandersong. Para tentar salvar o mundo, o rapaz vai cantar bastante em uma jornada repleta de carisma e personagens malucos. Pessoas obstinadas, puzzles, situações complicadas e muito humor é o que espera o herói cantor pelo caminho. O tom leve e a atmosfera animada resultam em um jogo relaxante e com vários momentos tocantes.

Cantando para impedir o fim do mundo

O que você faria se soubesse que o mundo vai acabar em breve e que você provavelmente não é o poderoso herói das profecias? A maioria das pessoas simplesmente seria tomada pelo desespero, mas não é isso o que acontece com um jovem bardo cantor. Ele descobre que o fim é iminente, mas não se deixa abalar quando descobre que, talvez, ainda seja possível impedir a destruição: uma canção especial chamada Earthsong possivelmente seja a solução. Sendo assim, o bardo decide viajar pelo mundo para aprender a música e salvar o mundo.


Para isso, Wandersong apresenta elementos de diferentes gêneros, resultando em um jogo que combina adventures clássicos, plataforma, puzzle e até mesmo point and click. No controle do bardo, tentamos resolver os problemas das pessoas enquanto buscamos os fragmentos da Earthsong. O detalhe mais legal e característico do jogo é que a maioria das interações é feita ao cantar: por meio do analógico direito, controlamos o tom de voz do bardo.

Somente com a voz, o improvável herói resolve inúmeras situações. Em um momento, por exemplo, nos comunicamos com fantasmas ao cantar. Já para alcançar certos locais altos, precisamos atrair pássaros com a música a fim de conseguir executar um salto mais alto. Em um templo espiritual, utilizamos a voz para controlar o crescimento de plantas que funcionam como plataformas. Cantar é a solução para quase tudo, como desafios de ritmo e puzzles de plataforma — é notável o uso variado de um recurso tão simples.

Quem canta seus males espanta (e resolve problemas)

As mecânicas gerais de Wandersong são simples, no entanto a ambientação carismática e bem humorada é o maior destaque da aventura. O bardo é extremamente otimista e sempre tenta arranjar uma solução para os problemas por meio de sua música, evitando conflitos e violência sempre que possível. O tom geral é de muito otimismo: constantemente duvidam da capacidade do herói, porém ele quase nunca se deixa abalar e enfrenta os desafios como pode.

Curiosamente, o bardo é acompanhado por Miriam, uma bruxa reclamona e muito cética. A garota odeia a cantoria do herói e sua personalidade esquentada faz um contrapeso bem legal com a do bardo — a dupla é protagonista de muitas cenas divertidas. Gostei bastante da relação dos dois, especialmente o crescimento de Miriam no decorrer da aventura.


Pela jornada, o bardo encontra todo tipo de gente e situação curiosa: um músico que luta para superar a morte da mãe, um grupo de piratas loucos por café, fantasmas desbocados, e mais. É muito divertido ver o bardo interagindo com eles, afinal cada um reage à cantoria de maneiras distintas: alguns odeiam fortemente a música do herói, outros acham tudo maravilhoso. As interações são reforçadas por diálogos engraçados e repletos de trocadilhos e piadinhas. A atmosfera geral é bem leve e foi comum rir das situações — até mesmo partes mais sérias ou tensas têm um leve tom cômico. Poder cantar e dançar em praticamente qualquer momento, inclusive durante diálogos mais sérios, reforça o tom bem humorado.

Com foco tão grande em música, não é de se espantar que a trilha sonora seja um aspecto importante em Wandersong. O áudio do jogo complementa a atmosfera com composições animadas que se alteram de acordo com a voz do bardo. O trabalho de áudio é ótimo, por mais que achei a música pouco memorável. Já o visual segue a temática de "vibrações positivas" com muita cor e formas simples. A sensação que eu tive é que o mundo e os personagens são feitos de papéis coloridos cortados por causa do estilo geométrico elaborado e com muitas camadas, o que resulta em um universo belo e inusitado.


Algumas desafinações na cantoria

Wandersong oferece uma experiência leve e cativante por meio de mecânicas simples — este é o maior trunfo do jogo, mas também seu maior defeito. Boa parte das
situações e puzzles são resolvidas ao cantar de qualquer jeito, logo as coisas ficam meio repetitivas ao longo prazo. Até existem momentos com uso um pouco mais elaborado, como alguns puzzles de plataforma, porém eles são de fácil resolução e em pouca quantidade. Essas escolhas são justificáveis quando se leva em conta que o foco do jogo é a atmosfera e a temática, no entanto é difícil não lamentar a ausência de usos mais interessantes ou complexos das mecânicas principais.

Outro problema é a progressão um pouco arrastada. A aventura do bardo é repleta de momentos divertidos, porém fiquei com a sensação de que eles são mais longos do que o necessário. O motivo disso são a presença de diálogos demorados e muitas partes em que simplesmente ficamos andando de um lado para o outro por cenários desinteressantes. No fim até gostei do resultado geral, porém acredito que uma jornada um pouco mais enxuta seria mais agradável.


Um bardo em uma aventura encantadora

Wandersong conquista o jogador com um protagonista improvável e otimista. Controlar um bardo cantor em uma jornada para salvar o mundo é bem divertido, principalmente com a presença de um monte de personagens legais — ver as reações das pessoas diante à cantoria do herói é uma das melhores coisas do jogo. Uma história repleta de situações cativantes e uma ambientação leve com mensagens constantes sobre otimismo e superação são ótimos motivos para explorar esse mundo colorido. As mecânicas simples podem incomodar um pouco, porém o foco é justamente na narrativa e personagens, que são muito bem construídos. Wandersong é uma aventura sem igual, capaz de nos fazer sorrir constantemente mesmo nos momentos mais tensos.

Prós

  • Atmosfera leve e repleta de situações divertidas;
  • Muitos personagens cativantes, em especial o protagonista e sua amiga;
  • Visual colorido e convidativo.

Contras

  • Mecânicas simples tornam a aventura repetitiva;
  • Narrativa arrastada em alguns momentos pode ser um pouco cansativa.
Wandersong — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Humble Bundle
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook