Mega Man Race? Conheça o boardgame feito por fã que dá vontade de jogar videogame

Depois de criar um jogo de tabuleiro de Mario Kart, o juiz-forano Pedro Henrique Espíndola ataca novamente com o andróide azul.

Em 2017 falamos aqui sobre um rapaz da Zona da Mata de Minas Gerais que desenvolveu um jogo de tabuleiro baseado em Mario Kart, uma de suas franquias favoritas. Agora, continuando seus projetos e avançando como profissional, o game designer tem outro projeto que lembra bastante o anterior, mas agora com uma nova ambientação: Mega Man. Pode até parecer a mesma coisa, mas jogando é possível ver grandes diferenças que fazem de Mega Man Race, como o jogo é chamado, algo único.


A cada ano estes projetos de fãs se tornam mais e mais cativantes, esbanjando criatividade e boas ideias que, muitas vezes, acabam faltando nas grandes empresas. Então confira agora nossa matéria completa sobre o novo projeto que está muito mais rebuscado e estratégico que o anterior.

Lembrando quem é o criador

Pedro Henrique Espíndola, como já falamos anteriormente, é natural da cidade de Juiz de Fora/MG, mas viveu um bom tempo na grande São Paulo. Atualmente ele está com 29 anos de idade e já trabalhou para a Gaming do Brasil como Coordenador de Vendas da equipe de promotores e supervisores do Brasil que divulgavam os produtos Nintendo nas lojas e em eventos. Formado em Game Design pela Universidade Anhembi Morumbi, suas franquias favoritas atualmente são Super Mario, The Legend of Zelda, Kirby, Pokémon, Donkey Kong, Kid Icarus e, obviamente, Mega Man.

Em conversas com este que vos fala, o game designer disse que este projeto é mais um projeto de fã, mas que seria interessante chamar a atenção de grandes produtoras para suas ideias. Segundo ele, a Capcom tem se mostrado muito mais aberta a ideias de fãs do que a Nintendo, ao menos aqui em terras tupiniquins. Por isso, a franquia da Capcom foi uma opção lógica. Ele confessou que conhecia pouco da franquia originalmente, mas fez seu dever de casa com muito gosto, jogando até o Mega Man original e conhecendo bastante sobre a franquia como um todo antes de se aventurar a encaixá-la num boardgame.



A principal inspiração para Mega Man Race foi, justamente, o sucesso que Mario Kart Boardgame representou. Sua visibilidade aumentou assim como o apoio de amigos e companheiros para desenvolver outras opções de jogo. Porém, como as regras e mecânicas de jogo de Mario Kart estavam tão bem adaptadas ao jogo de tabuleiro, construir algo que melhorasse ainda mais essa experiência foi o objetivo de Pedro.

Assim as regras do primeiro jogo foram adaptadas, mas sem tirar a ideia de traduzir para a experiência “analógica” toda a diversão e competitividade que as corridas do encanador e a sua turma nos dão nos videogames desde o SNES. Tive a oportunidade de testar tanto o jogo de Mario Kart como Mega Man Race, e posso dizer com felicidade que Pedro Henrique conseguiu mais uma vez! Assim como Mario Kart Boardgame era uma forma totalmente diferente de visitar a aura que Mario Kart nos proporciona nos videogames, Mega Man Race já vai num sentido oposto, nos dando vontade de experimentar um jogo de videogame com essa temática tão bem pensada.

O que continua igual?

Alguns elementos de Mario Kart foram utilizados como base para o desenvolvimento de Mega Man Race. Entre eles, temos a divisão dos competidores por peso: leves, médios e pesados. Na versão que testei, seis corredores estavam disponíveis: Mega Man, Proto Man, Cut Man, Roll, Guts Man e Dr. Willy. A organização das pistas e movimentação também permanecem os mesmos de outrora, com algumas modificações nos obstáculos, dos quais falaremos mais a frente.

A mecânica de uso de itens, assim como a organização da pista e os combates também permanecem bem semelhantes ao que vi em Mario Kart Boardgame, permitindo uma assimilação relativamente fácil para quem conseguiu de alguma forma experimentar o jogo anterior. Porém, várias coisas foram aprimoradas na corrida de Mega Man, deixando o jogo mais estratégico e balanceado, o que fez a experiência ser ainda melhor.

Mega Man nas corridas

Ao contrário de Mario Kart Boardgame, Mega Man Race possui um número de jogadores mais controlado: de duas a seis pessoas. Isso dá maiores possibilidades para o jogo pois uma característica própria da franquia Mega Man foi levada em consideração para a construção das pistas: as fases temáticas de cada vilão ou personagem..

Assim, cada um personagem dos seis personagens básicos do jogo possui 7 trechos de pista próprio, sendo estas 4 curvas e 3 retas, combinando-se com a tradicional Linha de Chegada. Assim, além de possuir no total 43 trechos de pista, todos com frente e verso, o jogo permite que pistas temáticas de cada personagem possam ser construídas.



Agora os danos, facilitações e obstáculos da pista são bem mais específicos também. Temos os chamados marcadores de dano e de estado. Os marcadores de dano são os que reduzem a movimentação de cada personagem, lembrando que cada um possui um número exato de movimentações de acordo com seu peso: leves andam quatro casas e podem trocar de pista uma vez, médios andam três casas e trocam de pista duas vezes e pesados andam três casas e trocam de pista uma vez.

Fora esses marcadores, que podem ser obtidos tanto por obstáculos na pista como por danos infligidos por outros jogadores, os marcadores de estado simbolizam algum estado especial que o corredor se encontra naquele momento. Marcadores de deslizamento impedem que o corredor troque de pista (semelhante ao efeito das fases de gelo de Mega Man). Por sua vez, os marcadores de curto-circuito permitem que o jogador só ande uma casa naquele turno, independente do seu peso. Já o marcador “quebrado” proíbe o jogador de fazer qualquer coisa naquele turno.


Por fim, existem os Mets (10 no total). Os robozinhos explosivos da franquia estão presentes no jogo com efeitos que lembram um pouco as cascas de banana de Mario Kart, porém com suas particularidades, uma vez que existem pouquíssimas formas de removê-los da pista sem ser explodidos por eles.

Habilidades e energia

Assim como em Mario Kart, Mega Man Race traz cartelas de personagens. Porém, o jogo de corrida do andróide azul possui muito mais detalhe nos dados de cada personagem. Isso porque cada um deles possui uma habilidade “passiva”, um ataque básico, um ataque carregado, um marcador de energia e um marcador de número de voltas. Tudo muito bem projetado e fácil de entender.



Fora isso, é possível carregar até 3 itens simultaneamente e usar um chip de poder. A diferença crucial entre os itens e os chips são seus efeitos. Isso porque os chips são uma referência às habilidades dos Robot Masters do Mega Man original, com poderes “emprestados” de outros personagens. Já os itens se assemelham bem mais a ideia de Mario Kart, com utensílios que, ao serem utilizados, são descartados.

Até o momento existem no total 75 cartas de itens (25 variantes de itens) e 11 Chips dos quais 8 fazem referência aos Robot Masters do Mega Man Powered Up (PSP) e mais três fazendo referência ao Mega Man, Roll e Proto Man.

Pistas temáticas

As pistas de Mega Man Race possuem variações de terreno inspiradas nas fases temáticas de Mega Man. As regiões com areia, as quais representam Guts Man, causam dois de dano em qualquer personagem que não for o próprio Guts Man. Por sua vez, os campos elétricos de Dr. Willy causam o efeito de curto-circuito em quem passar por lá.

Fora isso, temos áreas com água, que causam um ponto de dano cada, as já citadas regiões congeladas que impedem a troca de faixa, buracos que obrigam o jogador e frear e espinhos que quebram o carro do jogador.



Claro que nem tudo é caos na pista, pois existem também áreas que ajudam os competidores. Por exemplo, as áreas de turbo que fazem o corredor andar duas casas extras em linha reta, os campos de energia que fazem o nível de energia do personagem subir e as casas que permitem a compra de cartas de itens ou chips.

O mais interessante de tudo isso é como ficou organizada a montagem da pista. Como cada personagem possui suas próprias pistas, cada um, na ordem estabelecida para o jogo, irá contribuir com um trecho de pista, começando pelo último colocado. Isso ajuda na parte estratégica e torna as pistas consideravelmente diferenciadas e únicas.

Fora isso, outros modos de jogo também são cabíveis, como as pistas temáticas de cada personagem ou outros modos pensados pelos próprios jogadores. Junte a isso o fato de que, a cada volta completada, o jogador poderá trocar outro trecho de pista que estiver vazio a sua escolha. Além de ajudar na longevidade do título (algo muito importante em um boardgame), isso permite que todos os jogadores contribuam de forma ativa para a construção das pistas.


Trabalho manual de primeira

Assim como foi em seu primeiro projeto, Mega Man Race também foi completamente confeccionado pelo próprio Pedro Henrique, com peças utilizando biscuit, cartões plastificados e até clips de papel. Porém, o resultado é ainda mais surpreendente do que em seu último jogo, com marcadores muito mais detalhados, pistas com bordas resistentes e até marcadores móveis nas fichas de personagens.

Não é difícil imaginar um jogo destes sendo comercializado em um futuro próximo, ainda mais com um trato tão bom na confecção das diversas peças. O uso adequado de design gráfico, trabalho manual e criatividade na escolha dos materiais faz de Mega Man Race um boardgame único, que já agrada e atrai olhares só de estar montado na mesa.


Planos para o futuro

Como o jogo não pode ser comercializado por questões de direito autorais, o que seu criador sugere, para caso alguém queira experimentá-lo, é pedir para eventos em suas regiões entrarem em contato com ele pelas redes sociais para chamá-lo para alguma demonstração. Isso faz com que a ideia seja difundida por vários lugares e ele possa, pessoalmente, mostrar sua criação para o mundo.

Ao ser questionado sobre os planos futuros para o projeto, Pedro (ou Peique, como é conhecido também), confirmou que já está pensando em personagens e pistas para possíveis pacotes de expansão. Em sua lista de novos personagens estão Ice Man, Fire Man, Bomb Man, Elec Man, Time Man e Oil Man. A ideia inicial é lançar os outros Robot Masters do primeiro Mega Man, incluindo os que foram inseridos no remake para PSP. 

Para a divulgação, Peique organiza vídeos criador por ele mesmo, contando a história do jogo. Estes vídeos e todas as novidades sobre o projeto são divulgados na página oficial do jogo no Facebook. Caso o projeto seja bem aceito, ele pretende também criar Chips que façam referência aos Robot Masters de outros Mega Man e talvez até novos modos de jogo. 

O plano inicial, assim, é divulgar a ideia e mostrar seu potencial. Como um dos poucos que já experimentaram o jogo posso dizer que vale muito a pena. Que mais projetos como esse tenham espaço nas comunidades de fãs e que as grandes empresas possam olhar para eles com o apreço que eles merecem!
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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