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Análise: Life is Strange 2: Episode 1 “Roads” (Multi) é um tocante começo da jornada dos irmãos Diaz

A aguardada sequência de Life is Strange ganhou seu primeiro episódio, um belo exemplo de como começar uma nova narrativa.


Life is Strange (Multi) é um game focado em narrativa que se molda pelas suas escolhas, focando em Max e sua melhor amiga Chloe, na tentativa de resolver o mistério do desaparecimento de Rachel. Não somente isso, o jogo fala de coisas mais tensas, como suicídio, drogas, rebeldia: assuntos bem delicados que ele sabe tratar muito bem. Tudo isso deixou a espera pela sequência mais difícil. Então em setembro, no dia 27, o primeiro episódio de Life is Strange 2 (Multi) é lançado, as mudanças feitas pelo Dontnod deixaram os fãs bem apreensivos e questões começaram a ser feitas, como: a narrativa será tão boa quanto? Será que os personagens vão ser tão queridos?  Vamos tentar responder algumas dessas perguntas.

Pela estrada a fora

Sean é um adolescente de 16 anos vivendo em uma pacata cidade do estado de Oregon nos Estados Unidos. Em um dia comum, ele se encontra ansioso para ir em uma festa na tentativa de conquistar a garota que ele gosta. Daniel, seu irmão mais novo de 9 anos, está se preparando para as festividades do Halloween e seu pai está trabalhando em um carro na garagem. Infelizmente esse dia não acaba bem, e em uma briga com o vizinho os irmãos acabam apreendidos por um policial, que mata o pai deles acidentalmente. Isso desperta o poder de Daniel, que arremessa tudo ao seu redor, matando o policial no processo. Agora Sean precisa agir rapidamente para manter seu irmão vivo e bem, para isso eles partem em uma viagem em busca de um lugar seguro.



Tudo aqui está diferente dos ares de Arcadia Bay do primeiro título, essa sequência deixa um pouco o tom jovial e rebelde e vai para um ar protetor e família. Isso até me conectou mais com Sean e sua responsabilidade de cuidar de seu irmão, ensinando o que é certo e errado, o apoiando, ou até mesmo brincando com ele. Todas essas interações são ótimas, e fazem com que a jogatina flua de forma muito natural e divertida. Se a narrativa vai superar a do primeiro título ainda não sei, mas me sinto mais ligado aos irmãos Diaz do que fui pela dupla Max e Chloe.

Os temas difíceis de tocar ainda estão aqui, como o preconceito com imigrantes, onde, além da atitude prematura do policial ao atirar no pai dos meninos, o jogo cita por um personagem as ideias do novo presidente dos EUA contra essas pessoas. Até essa altura eles são considerados criminosos, então tomei atitudes que indiquem o oposto disso, como não roubar, até em momentos em que isso poderia me trazer mais conforto. Pois eu quero mostrar para o Daniel que somos melhores do que dizem, e o game me dá muitas chances para isso. Tudo foi muito bem colocado, não deixando forçado ou algo parecido.


O mesmo esquema, mas diferente

Esse ainda é um jogo de escolhas, mas diferente do primeiro, aqui não temos o auxílio de uma força sobrenatural. Isso até é pouco colocado nesse primeiro momento, o poder de Daniel se manifesta apenas em algumas ocasiões específicas. Então não podemos mais voltar no tempo e mudar nossas escolhas. Para compensar isso, em cada item no mapa que interagimos podemos discutir com nosso irmão, e as conversas são sempre bem interessantes e divertidas. Outra adição são algumas respostas rápidas, se não escolhermos logo Sean vai responder qualquer coisa, uma adição bem legal. Ao invés da câmera da Max, agora podemos desenhar no caderno de Sean em um mini game bem colocado.



Graficamente falando, podemos dizer que ele ficou mais bonito em todos os sentidos. As expressões funcionam melhor, mesmo com o estilo artístico mais cartunesco escolhido pelos desenvolvedores. É possível sentir medo, raiva, empatia olhando para todos eles. Ainda existem alguns probleminhas, como atrasos na renderização de alguns objetos na estrada, e as paredes invisíveis são incômodas, sei que não podemos ir para qualquer lugar em um jogo como esse, mas acho que existem outras formas de limitar o jogador além desse recurso.

As músicas não estão tão incorporadas na narrativa como antes, mas nem por isso as faixas deixam de ser legais. Músicas licenciadas tocam em momentos certeiros, e ditam o ritmo das cenas que precisam desse recurso, como era no primeiro título da série. Sem muitas adições para colocar nesse quesito.


E então, é melhor?

Essa pergunta não pode ser respondida somente com o primeiro episódio em mãos. Mas estou empolgado pelo que está por vir, adorei as interações dos irmãos, as brincadeiras, discussões, aprendizados. Esse sem dúvida é um ótimo começo para Life is Strange 2 e recomendo para quem curte o estilo de narrativa e gameplay, principalmente para aqueles que terminaram o game original. Infelizmente o segundo episódio ainda não tem data de lançamento, mas fiquem de olho para mais informações aqui no Gameblast.


Prós

  • A história é contada em um ritmo muito bom;
  • Os gráficos melhoraram consideravelmente;
  • A trilha não é tão presente quanto no primeiro, mas ainda é ótima;
  • O minigame do desenho de Sean é uma ótima adição;
  • As interações entre Sean e Daniel criam situações bem legais;
  • Os temas nesse episódio são muito bem desenvolvidos, como a xenofobia;
  • Surpresas e alguns easter-eggs estão espalhados.

Contras

  • Os gráficos possuem alguns problemas de renderização;
  • As paredes invisíveis me incomodaram um pouco.

Life is Strange 2: Episode 1 “Roads” — PS4/XONE/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square-Enix
Revisão: Link Beoulve
Matheus Bigai Ferreira escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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