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Análise: Hungry Dragon (Android/iOS) traz um bom conceito aplicado de forma errada

O novo game mobile da Ubisoft é simpático, mas peca em prender nossa atenção


Hungry Dragon (Android/iOS) é um jogo casual desenvolvido pela Ubisoft Barcelona e lançado em agosto deste ano. Se trata de uma continuação da série “Hungry”, que até então contava apenas com títulos baseados em tubarões, como Hungry Shark World (Multi) e Hungry Shark VR (Daydream). O game tenta inovar o conceito da franquia colocando uma idade média fantasiosa no lugar do vasto oceano e dragões no lugar dos já mencionados tubarões. Mas será que só isso basta?

Muita simpatia em um mundo relativamente aberto

Esteticamente falando, Hungry Dragon é um jogo muito carismático. Os dragões são bem variados, com características distintas que dão personalidades únicas a cada um. E a possibilidade de usar diferentes fantasias acrescenta ainda mais charme: é difícil olhar para um “dragão cozinheiro” ou “dragão pirata” e não se afeiçoar logo de cara.

O mapa foi bem desenhado e seu layout favorece um passeio intuitivo cheio de idas e voltas, subidas e descidas. Em combinação com a trilha sonora suave, chega a ser relaxante. Isto é, se você ignorar o fato de que está controlando uma criatura voraz que come tudo pela frente e também ignorar os aldeões que correm e gritam em desespero. Fora o sangue na tela, que apesar de pouco, não condiz muito com o visual cartunesco do título, mas esta é uma opção que pode ser desativada caso lhe incomode.




As pobres vítimas do nosso dragão são simples e carecem da mesma simpatia que os nossos predadores alados. Talvez seja proposital para que não tenhamos tanta pena do almoço. De todos, o único que consegui sentir alguma empatia foi o goblin que voa em uma prancha e arremessa bombas: uma clara referência ao Duende Verde, vilão de Homem-Aranha.

Diversas mecânicas, mas...

A movimentação é completamente livre, o dragão é capaz de voar em todas as direções, facilitando a exploração. O mundo é relativamente amplo e com diversos cantos “escondidos”. Coloco entre aspas porque basta olhar no mapa para ver a existência deles. Porém, em um primeiro momento, é fácil o jogador esquecer desta opção e apenas vagar sem rumo por aí, descobrindo locais, como a cidade dos goblins ou o cemitério, por conta própria.



Nosso dragão é realmente faminto e sua barra de vida diminui constantemente enquanto não encher a barriga. O objetivo aqui é manter o monstro vivo pelo maior tempo possível, devorando tudo que encontrar pelo caminho: sejam ovelhas, pássaros, aldeões, ou até mesmo aranhas, bruxas e gigantes. Algumas destas vítimas se defendem e/ou só podem ser devoradas a partir de determinados tamanhos de dragões.

Para liberar espécies maiores, assim como suas fantasias, é necessário subir o nível do monstro anterior. Isto é feito através da pontuação de cada partida, que é convertida em pontos de experiência para o predador. Pelo mapa há alguns poucos colecionáveis, cuja localização pode ser revelada usando gemas ou assistindo a um anúncio. São eles: cinco baús diários com prêmios simples (ouro e gemas), as letras H-U-N-G-R-Y (que deixam seu dragão gigante por um certo período quando reunidas) e um ovo de mascote.



Falando nisso, para ajudar nessa luta pela sobrevivência, o dragão pode contar com um ou mais destes monstrinhos, cada um com uma habilidade especial diferente. Alguns atacam inimigos, outros devoram obstáculos específicos, e por aí vai. Estes mascotes podem ser adquiridos ao se incubar ovos por algumas horas ou ao comprar ovos roxos com gemas, que por sua vez podem ser adquiridas com dinheiro real. Há ainda ovos especiais, que garantem mascotes mais raros e são obtidos através de eventos.

Estes, por sua vez, não acrescentam nada de novo à jogatina. Se tratam de missões coletivas: todos os jogadores no servidor contribuem um pouco para atingir uma meta do tipo: “devorar 16 mil arqueiros”. E torneios: que não passam partidas com uma mesma combinação de dragão, mascotes e fantasia para todos os jogadores a fim de comparar seus pontos finais. Em ambos os casos a forma como você irá jogar continua a mesma. E é aí que entra o maior ponto negativo de Hungry Dragon.


...não salvam o game da mesmice.

O game é uma ótima opção casual para se distrair em um ônibus, uma fila, um uber e afins, mas não é algo que valha a pena jogar diariamente. Apesar de contar com diversos locais escondidos, o mapa é relativamente curto e logo não oferece mais nenhuma novidade. Mesmo as missões, que trazem desafios específicos ao game, são tão desinteressantes e fáceis que é possível cumprir várias apenas por estar jogando normalmente.

Nada parece salvar o game da mesmice. As habilidades dos mascotes e das fantasias são completamente passivas, exigindo do jogador apenas o esforço de se movimentar pela tela e continuar comendo tudo como sempre. O mundo é fácil de se memorizar e seu layout nunca muda, além disso o ponto de começo é sempre o mesmo. Tudo isso tira o potencial de uma experiência roguelike, com um novo mapa aleatório a cada partida, e mantém apenas uma jogabilidade repetitiva que deixa muito a desejar.

Prós

  • Dragões e mascotes carismáticos;
  • Sensação relaxante ao passear pelo mapa;
  • Não é pay to win.

Contras

  • Se torna repetitivo muito facilmente;
  • Missões e eventos não conseguem acrescentar uma sensação de novidade;
  • Possui apenas um mapa, que logo se torna tedioso.
Hungry Dragon - Android/iOS - Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: Android
Revisão: Diogo Mendes
Link Beoulve é um jornalista freelancer, amante de jogos de todos os tipos, principalmente videogames. Enciclopédia ambulante de Zelda, Mestre Pokémon aposentado, caçador de monstros traumatizado. Você pode conferir seu portfólio aqui.

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