Em tempos de eleições, relembre cinco célebres momentos de políticos retratados nos games

Nos últimos tempos, observa-se alguma discussão a respeito de política e games se misturarem ou não. Existe essa questão sobre haver, ou ... (por João Pedro Boaventura em 20/10/2018, via GameBlast)


Nos últimos tempos, observa-se alguma discussão a respeito de política e games se misturarem ou não. Existe essa questão sobre haver, ou não, um potencial narrativo para o debate político, mas independente disso — essa conversa fica para outro dia — observa-se que muitas das histórias contadas se utilizam de políticos como personagens.


Aproveitando as eleições, selecionamos cinco instâncias icônicas de políticos em games e vamos relembrar como são retratados seus discursos e práticas ao longo de diversos títulos diferentes.

O Chefe – série Saints Row

Saints Row é conhecido por sua sátira esculachada não só de GTA, sua principal base, mas de toda cultura pop que nos cerca. Enquanto no terceiro game tivemos a ilustre presença do finado Burt Reynolds como o prefeito de Steelport, o quarto game coloca o próprio protagonista e, por consequência, o jogador, no gabinete do presidente.
 
Apesar de parecer bem nonsense num primeiro momento (e em vários outros subsequentes, para falar a verdade), um pensamento crítico nos faz raciocinar que não é algo tão aleatório assim. A empreitada da gangue dos Saints nos games anteriores era justamente acabar com a violência praticada por outras gangues.



Tal objetivo foi responsável por alçar a popularidade dos personagens a ponto de tornar os Saints numa marca comercial. Considerando também a aceitação pública por parte do protagonista, que é puro carisma — afinal, é o próprio jogador representado em tela —, somado ao seu ego gigantesco, não é de se surpreender que ele tenha se candidatado à presidência ao ponto de ser eleito.
 
Em Saints Row IV (Multi), o início do jogo é marcado justamente pela forma como a figura do presidente é praticamente onipotente, visto que ele mesmo, em vez de mandar a força de defesa realizar operações especiais, é responsável por conduzi-las e liderá-las. Nota-se também como ele se se mostra sendo a primeira barreira a ser enfrentada por alienígenas que invadiram o planeta terra — em uma situação claramente influenciada pelo filme Independence Day (1996).

Mike Haggar e Cody — série Final Fight (e Street Fighter)

Haggar e Cody são dois exemplos interessantes. Ambos são indivíduos que conseguiram se redimir de um passado marginalizado e se reformaram em bons cidadãos. Haggar é um ex-lutador de wrestling que, conhecendo as ruas, se elegeu prefeito de Metro City com a promessa de diminuir os índices de violência da cidade que seguiam em constante crescimento.
 
Cody, por sua vez, também tem um histórico de mudança de vida. Cresceu nas ruas e eventualmente foi preso — nunca foi explicado o motivo, mas acredita-se que é por conta de suas participações em brigas de rua ilegais (a explicação de Final Fight Revenge não vale por não ser considerada canon). Ao sair, assumiu o posto de prefeito deixado por Mike Haggar e agora luta justamente contra a violência que no passado praticou — mesmo que seja com mais violência.


George Sears e Steven Armstrong – série Metal Gear Solid

Metal Gear Solid tem um histórico considerável de políticos, como é o caso de George Sears, o Solidus Snake, e seu vice, James Johnson, do Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (PS2). Sears é um psicopata que tem como principal plataforma o discurso contra o The Patriots. O que aconteceu é que todo esse discurso fez com que tal grupo que ele chamava de terrorista o depusesse.
 
Quando isso aconteceu, ele jurou vingança e fundou sua própria célula terrorista ao lado dos russos, os tais Sons of Liberty, pregando a favor da liberdade e contra a opressão — chega a ser interessante como esse tipo de coisa é recorrente na política, de pregar contra algo que ele mesmo representa.
 


Outro inimigo de Raiden é provavelmente um dos personagens mais interessantes da nossa lista: o senador Armstrong, que também era pré-candidato à presidência em Metal Gear Solid Rising: Revengeance (Multi). Steven Armstrong chama a atenção por ser, enquanto político, a mente por trás da World Marshal Inc., uma companhia militar privada.
 
Entretanto, por motivos políticos e patrióticos, ele precisava reativar a indústria da guerra pela qual os Estados Unidos eram conhecidos, uma vez que o fim dos Patriots fez com que o país entrasse em recessão. Para tal, ele tinha um plano que inicialmente envolvia apenas assassinar o Presidente naquele momento, mas notou que atacar uma base americana e fazer com que parecesse que ela foi invadida por soldados paquistaneses também surtiria o mesmo efeito.



Armstrong, mesmo usando todo o poder das nanomáquinas, foi morto em uma batalha feroz contra Raiden. Apesar disso, é notável que a indústria da guerra é algo que iria ainda além de seu controle e ele não seria o único a tentar fomentá-la — deixando claro que seu algoz, cujo apelido é Jack, o Estripador, também tinha sua parcela de culpa nesse sistema por conta da violência que praticava. 

Andrew Ryan — série Bioshock

O discurso político é constantemente ligado à ideia de uma promessa de utopia. Promessas de fazer o mundo voltar ao que era antes (mesmo esse “antes” sendo absolutamente vago) resgatando uma ideia de memória afetiva de tempos ilusoriamente mais simples ou de discursar contra as instituições vigentes são o bê-a-bá da política.
 
Andrew Ryan incorpora esse pensamento. Um indivíduo completamente idealista e responsável pela utopia distópica que é a Rapture, vendida como uma espécie de paraíso forjado “contra tudo e contra todos que estão aí”. Notoriamente, seu paraíso definido pela meritocracia é marcado pelo pensamento dogmático de seu líder que não aceita ser contrariado ou ter seus erros expostos.

Banglar, o Tirano — Ninja Warriors (SNES)

Ninja Warriors — bem como seu pseudo-remake, Ninja Warriors Again (SNES) — é um game Beat’em Up da Natsume e lançado em 1994. Nele podemos escolher entre três ninjas com diferentes tipos de jogabilidades. A verdade por trás deles, entretanto, é que são androides criados pela resistência no intuito de derrotar Banglar.

Banglar é um ditador clássico, um tirano que usa e abusa da força militar por conta da lei marcial imposta por ele mesmo quando ainda era presidente. Diante da opressão, há a resistência, constantemente perseguida e responsável por criar os ninjas-ciborgues. O grande plot twist da coisa toda é que quando Banglar é morto e a resistência assume o poder, os novos líderes acabam se tornando ainda mais violentos do que o tirano que depuseram.



E aí, caro leitor? Quais políticos dos games você acha que ficou faltando e contribuiriam para a lista? Conte para a gente!

Revisão: Link Beoulve
João Pedro Boaventura é jornalista formado pelo Mackenzie e pós-graduado em teoria da comunicação (como se isso significasse alguma coisa) pela Cásper Líbero. Não perde a chance de usar conceitos acadêmicos para discutir sobre videogame. Se você realmente gosta das groselhas que ele escreve, pode ler mais um pouco de suas asneiras em seu blog particular.

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