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Prévia: Assassin's Creed Odyssey (Multi) fará dos assassinos guerreiros de Esparta e Atenas

Somando tudo que já teve de bom na série, Odyssey promete ser o melhor e maior capítulo da saga dos assassinos através da história.

Depois de uma jornada incrível pelo Antigo Egito, a saga do credo dos assassinos nos levará até um dos períodos mais famosos da história: a Grécia Antiga. Em Assassin’s Creed Odyssey (Multi), acompanharemos as histórias de Alexios e Cassandra, passando por grandes cidades do período grego, como Esparta, Atenas, Tebas e outras. Com muitas novidades principalmente na jogabilidade, o título promete surpreender bastante, saindo cada vez mais da fórmula básica pela qual os jogos dos assassinos ficaram conhecidos.

Tragédia Grega

Desde o início da franquia, alguns períodos históricos são muito aguardados principalmente por sua popularidade. Nos últimos anos, vimos alguns deles tomarem forma na franquia, como a Revolução Francesa em Unity e a Londres Vitoriana em Syndicate. Agora, outro dos períodos mais pedidos pelos fãs da série finalmente se torna realidade na franquia: o período clássico da Grécia.



Mais precisamente, a história de Odyssey se passará durante a famosa Guerra do Peloponeso, quando um conflito armado entre Atenas e Esparta, ocorrido entre os anos de 431 a 404 a.C., se espalhou por todo o território que hoje é conhecido como a Grécia, envolvendo diversas Cidades-estado.

O jogo se baseará principalmente nos registros históricos de Teucídides e Xenofonte, duas grandes figuras da história que foram e são referência sobre a Guerra do Peloponeso. O período mais específico no qual o jogo se passa é justamente o início da Guerra. Assim, Odyssey já entra pra história da franquia como o Assassin’s Creed mais antigo até então (uma vez que Origins se passou em 49 a.C., quando Cleópatra ascende ao trono.



Entre os grandes fatos que o jogo abarcará, temos nada mais nada menos que o surgimento da democracia ateniense, a base da filosofia ocidental com figuras icônicas com o próprio Sócrates e menções a outras como o Rei Leônidas de Esparta. O mundo do jogo será imenso, com nada menos que 27 estados controlados por seus próprios líderes e com suas devidas particularidades.

O Assassin’s Creed mais “RPG” de todos

Fora o cenário belíssimo e a ambientação certeira, Assassin’s Creed Odyssey também promete bastante em suas mecânicas de jogo. Pegando um pouco do gancho de Origins, mas aumentando exponencialmente suas mecânicas, Odyssey mergulha fundo em aspectos de RPG que antes nem sequer existiam na série.



Para início de conversa, temos a escolha dos protagonistas. É isso mesmo: em Odyssey, teremos um casal de irmãos como protagonistas, cada um com sua própria história particular e características próprias. Kassandra e Alexios, desde o início, são um casal de irmãos mercenários descendentes do rei espartano Leônidas. Na história, os irmãos guerreiros possuem a lança quebrada do antigo rei como herança, a qual garante algumas habilidades especiais para os heróis. 

Com histórias distintas para cada personagem, completar o jogo mais de uma vez já se torna algo bem mais interessante. Além disso, algumas mecânicas de relacionamento serão introduzidas, algo que lembra bastante as franquias Mass Effect e Dragon Age da BioWare. O mais incrível dessa possibilidade é que, assim como nos games da outra empresa, será possível construir relacionamentos independente do seu gênero, algo totalmente conivente com o contexto histórico que ambienta o game.


Sistema de classes bem completo

Passando da história para os combates, o jogo apresenta diversas árvores de habilidades que levarão a jogatina de cada um para uma classe específica. Nos testes até então, três classes puderam ser observadas: guerreiro, caçador e assassino. As três árvores assim mesclam elementos de combate corpo-a-corpo direto, combates mais furtivos e ataques à distância. Isso pode tornar a jogatina nos combates ainda mais diversificada do que já foram na saga do Egito.
  • Caçador (Hunter): este guerreiro será focado em combates à distância, uso de arco-e-flecha, danos mais elevados e velocidade de movimentação. É interessante notar que a classe é chamada de Caçador e não de Arqueiro, por conta da função social que a arquearia possuía na Grécia. Mesmo que as armas à distância fossem vistas como úteis nas guerras, não possuíam tanta glória assim. Desse modo, guerreiros de arco não eram vistos como tão corajosos pela sociedade em geral (principalmente em Esparta).

  • Guerreiro (Warrior): o clássico guerreiro de corpo-a-corpo, comum em praticamente todo tipo de jogo. O interessante desta classe é a quantidade de armas à disposição, indo de espadas e escudos até armas mais pesadas como martelos e lanças. Assim, a classe abarca desde os guerreiros leves até os Hoplitas completos.

  • Assassino (Assassin): por fim temos  a árvore de habilidades que mais se assemelha com tudo que vimos até então na série. A classe assassina é focada em recursos stealth, ataques furtivos com altas taxas de dano crítico e agilidade. Mesmo que assassinos tenham sido vistos como foras-da-lei durante o período da Grécia Antiga, encaixar a classe no contexto do Peloponeso é indispensável, principalmente pela furtividade que já foi a marca registrada da franquia.

Alguns podem achar que, mesmo que a mecânica de classes seja nova na franquia, três caminhos são poucos para chamar a experiência de RPG. Entretanto, mais possibilidades de gameplay são possíveis com a inclusão de peças de armaduras que também garantem habilidades específicas, se assemelhando ainda mais com RPGs diversos.

De volta ao mar

As mecânicas navais da franquia Assassin’s Creed se tornaram marca registrada da série aos poucos. Com um início bem tímido em Assassin’s Creed III (Multi), a glória veio em Black Flag com toda a temática pirata e uma mudança de paradigmas que acabou mudando um pouco como os próximos jogos foram feitos.



Porém, independente de qualquer crítica, controlar os imensos navios em Assassin’s Creed é uma experiência fantástica. A mecânica deu tão certo que a Ubisoft até cogita o lançamento do famigerado jogo de piratas Skull & Bones, que até então foi adiado para 2019. Mesmo com o game focado em batalhas navais adiado, as mecânicas navais finalmente retornam à franquia dos assassinos em Odyssey.

Agora, totalmente reformulada e melhorada, as mecânicas são bem mais complexas, com controles de batalhões dentro dos navios, diferenciação entre tamanho de navios no momento da batalha (uma evolução do que vimos em Black Flag) e um tom mais épico do que tudo que já vimos na série.



Pouca coisa foi explicitada sobre esse modo de jogo, mas podemos esperar grandes novidades e um foco considerável durante a jogatina. Em parte por conta da Grécia ter todo o Mar Mediterrâneo como palco de suas batalhas, mas também pelo próprio nome do jogo sugerir isso. Afinal, Odyssey é Odisséia em tradução do inglês, o que remete ao famoso conto de Homero que narra a jornada de Odisseu tentando voltar para o seu lar, com boa parte da jornada sendo feita por navio.

Narrativa a la “The Witcher”

Bebendo mais uma vez da fonte de grandes RPGs, como Mass Effect e The Witcher, as conversas entre personagens de Assassin’s Creed Odyssey terão a brilhante mecânica de opções de resposta. Estas podem influenciar diretamente o que acontecerá em seguida na história, mudando parcialmente a experiência do jogador de acordo com suas escolhas de diálogo.



Os impactos são diversos, tanto modificando a história principal minimamente, como também criando possibilidades diversas na vida romântica e profissional do personagem escolhido. Assim, a narrativa se tornará bem mais complexa e completa em Odyssey, o que pode sugerir uma fuga bem maior da linearidade que a franquia, a cada novo jogo, abandona mais e mais.

Isso abre inúmeras possibilidades de como a história do jogo pode terminar. Isso porque, além de dois protagonistas com histórias diferentes entre si, a linha de enredo de cada um pode sofrer modificações ao longo do percurso. Será que teremos um jogo com vários finais possíveis? Afinal, o nível de escolha chega a nos colocar na difícil tarefa de escolher em qual lado da guerra lutar entre Esparta e Atenas.


Uma obra prima?

Assassin’s Creed é uma franquia repleta de altos e baixos. Porém, com um ritmo de produção quase anual, a Ubisoft conseguiu se desvencilhar de algumas amarras que a franquia possuía, conseguindo voar cada vez mais alto nos últimos jogos lançados. Origins foi amplamente elogiado em diversos aspectos, além de acertar em cheio na ambientação. Entretanto, a produção excelente do game deixou um palco de expectativa bem alta para Odyssey.

Além de ter o peso de levar a franquia a um dos contextos históricos mais conhecidos e amados da cultura pop, Assassin’s Creed Odyssey ainda tem a difícil missão de provar que é tanto uma evolução clara de Origins como também é um Assassin’s Creed como todos os outros. Será que o jogo conseguirá atender a todas as expectativas?



Bom, nos resta esperar até o início de outubro para conferir se Alexios e Cassandra entrarão no hall dos maiores assassinos da história. Porém, por tudo que foi mostrado do jogo até então, podemos esperar uma aventura, no mínimo, épica.

Assassin’s Creed Odyssey
Desenvolvedora: Ubisoft
Gênero: RPG/Ação
Data de lançamento: 5 de outubro de 2018
Expectativa: 5/5

Revisão: Arthur Maia
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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