Blast Test

Battlefield V (Multi) — mudar nem sempre significa evoluir

Adiado para 20 de novembro, há muito o que ser feito para que o shooter da DICE se sobressaia e entregue conteúdo de qualidade.


O sucesso de Battlefield 1 (Multi) é inegável, tendo trazido um modo campanha competente com seu War Stories e um multiplayer repleto de destruição em embates de 64 jogadores bem característico da série. Saindo da Primeira Guerra para a Segunda, Battlefield V (Multi) tem a difícil missão de continuar o caminho de sucesso de seu antecessor, mas em seu teste beta que experimentamos, ficamos com a sensação de que será complicado cumprir seu objetivo.


Mudar nem sempre é bom

A bem da verdade, mudar sempre é uma opção válida no mundo dos jogos, especialmente para franquias que já estão a tantos anos no mercado e possuem inúmeros títulos lançados. Battlefield é uma dessas franquias e não esperava-se que seu capítulo para 2018 fosse idêntico ao antecessor.

Os modos oferecidos no test beta, que aconteceu entre os dias 6 e 11 de setembro, foram o clássico Conquest e o novo Grand Operations. Conquest consiste em capturar pontos no mapa e mantê-los para drenar tickets inimigos, enquanto Grand Operations é uma mistura de modos de ataque e defesa, envolvendo batalhas importantes e extensas divididas em dias dentro do jogo. Os mapas que pudemos experimentar foram Rotterdam e Arctic Fjords.

Em Rotterdam, temos um mapa construído para combates verticais, com seus prédios de múltiplos andares e setores elevados, excelentes para snipers, e também para combates horizontais, com as ruas da cidade holandesa sendo palco dos tiroteios e oferecendo oportunidades de embates mais diretos. Arctic Fjords coloca o jogador sobre neve densa, influenciando sua velocidade de movimentação com base no local onde está pisando.



A diferença mais gritante em BFV fica por conta dos novos sistemas de cura e reabastecimento de munição. Há estações nos pontos de captura do mapa designadas para cura e reabastecimento, não sendo ações restritas às classes Médico e Suporte. É válido mencionar que ambas ainda possuem tal função, mas o que poderia ser um auxílio para todo o time, acaba se tornando um fardo para qualquer jogador. Há um contador para os kits médicos e de munição das respectivas classes, devendo serem reabastecidos nas estações dentro dos pontos. Isso prejudica a fluidez da jogatina, obrigando os jogadores a desviarem de seu caminho para poderem se abastecer e se curar.

Ainda sobre o sistema de cura, toda classe pode reviver um companheiro ferido, em uma animação que parece levar uma eternidade para ser concluída. Apenas os médicos do time, porém, podem reviver companheiros e deixá-los com o máximo de vida, e sua animação de renascimento é um pouco mais rápida, mas ainda ineficiente. É válido dizer também que a barra de saúde não se regenera por completo sozinha, exigindo o uso de kits médicos para ser completada. Mais uma mudança que não faz tanto sentido, visto que o sistema de cura automático funciona “parcialmente”.

Parece Call of Duty

É Battlefield, mas parece Call of Duty. A semelhança fica por conta do tempo que se leva para morrer. É inegável a sensação de que, em muitos momentos, morremos para um tiro de uma submetralhadora inimiga relativamente fraca. Os conflitos de BFV não oferecem tempo de reação ao jogador, e essa é, possivelmente, a maior falha nesse aspecto. Acompanhado disso, temos uma baixa contagem de munição quando nascemos no mapa, obrigando o jogador, mais uma vez, fazer pausas em sua luta pelos objetivos para buscar caixas de munição pelo mapa.

Cada uma das quatro classes presentes oferece armas bastante distintas e variadas, e a jogabilidade muda consideravelmente, especialmente na hora de se controlar o coice de algumas delas e a cadência dos disparos. Todas são customizáveis, tanto esteticamente quanto em habilidades. Temos agora uma árvore de habilidades para as armas, que podem ser desbloqueadas através de compra com créditos do jogo. Habilidades como taxa de tiro mais alta ou menos recuo de disparo são ótimas opções para moldar o estilo do jogador, e o sistema oferece certo balanceamento, já que não é possível usar todas as habilidades da arma ao mesmo tempo (há caminhos à esquerda e à direita, e seguir por um deles bloqueia o outro).



A presença de veículos era garantida, seguindo o mesmo sistema de Battlefield 1. O acesso aos veículos do game se dá, principalmente, na hora do respawn, com o jogador selecionando o veículo que deseja utilizar. Embora seja divertido explodir soldados inimigos com um tanque de guerra, o mesmo possui as mesmíssimas limitações de munição citadas anteriormente, exigindo que o jogador busque estações de reabastecimento no mapa. Além disso, enfrentar essas máquinas pode ser uma bela dor de cabeça, já que poucos armamentos causam dano. Nota: nem mesmo o lança-granadas presente no beta causa dano a tanques. Não faz sentido, mas tudo bem, pois pode ser apenas um problema de balanceamento.

Bugs tradicionais de testes

Os testes de Battlefield V estavam infestados de problemas técnicos. Armas que bloqueiam o renascimento do jogador, troca de armas involuntária na hora de ressuscitar um companheiro, glitches visuais e etc. Ainda parece ser um jogo bastante cru, necessitando muito trabalho por parte dos desenvolvedores. Ficou claro a razão do game ter sido adiado para 20 de novembro.

Embora os gráficos devessem ser a última coisa a ser levada em conta em uma versão de testes, fica nítido o cuidado e o apreço da DICE com o visual de seu mais novo título, principalmente nos detalhes. A respiração dos soldados no clima gélido é vista em tela, e a animação dos movimentos muda conforme o terreno onde estamos.

Obviamente algumas animações precisam de um pouco mais de polimento, mas, no geral, é um conjunto muito bonito e plástico. O ponto mais negativo aqui fica por conta do sistema de iluminação. Enquanto locais clareados pelo sol são lindos e bastante fidedignos, os locais dentro das sombras são extremamente escuros, e me fizeram mexer até mesmo nas configurações de minha tela para ver se o problema era comigo ou com o jogo.

Battlefield V (Multi) deveria jogar no seguro, mesmo que isso custasse receber certas críticas. Suas mudanças, até o momentos, não estão agradando, causando manifestação de fãs nos fóruns do game, no Reddit e em outros locais da internet. Há qualidade aqui, mas que precisa seguir por outros caminhos para ser uma qualidade definida e clara para o jogador. O conjunto da obra é, por enquanto e infelizmente, bastante desanimador.

Revisão: Marília Carvalho

Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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