Hands-on

Game XP 2018: Testamos Assassin's Creed Odyssey (Multi) — Loucas aventuras pela Grécia Antiga

Jogamos meia hora da nova aventura da Ubisoft e nos surpreendemos com tudo que vimos.


Após conversar com o diretor da Ubisoft na América Latina, Bertrand Chaveront, e com o encantador diretor de animação técnica de Assassin's Creed Odyssey (Multi), Pablo Toscana, foi a vez de finalmente jogarmos um pouco do aguardado título no próprio stand da Ubisoft. Máscara de espartano no rosto, controle nas mãos e fones de ouvido posicionados, estava na hora de encarar a Grécia Antiga e descobrir em primeira mão o que podemos esperar do novo game da série.

Grécia dividida

A primeira coisa que é importante notar é que Assassin's Creed Odyssey é o próximo passo na estratégia da Ubisoft de mudar os rumos da série. Com cada vez mais pequenas mudanças para trazer o jogo para o gênero RPG, o próximo título da série é praticamente irreconhecível para qualquer fã que deixou passar os últimos jogos. O choque foi mais brusco ainda na demo testada na última GameXP.

A demo disponível no evento trazia duas missões para o jogador testar. As missões se passavam em duas ilhas distintas que podiam ser completamente exploradas. A primeira missão focava num novo modo de combate que simula uma das grandes batalhas da Guerra do Peloponeso. São centenas de guerreiros na tela, divididos em dois lados rivais.


O seu lado é o espartano e os inimigos são atenienses. Seu objetivo é percorrer o campo de batalha, derrotando generais e os demais guerreiros inimigos, de modo que o seu lado vença. A tarefa é mais difícil do que parece, mas rapidamente surgem estratégias eficazes para controlar melhor o campo. Na minha experiência, a dica é não focar em um só inimigo. A chave é distribuir dano entre vários adversários e deixar que seus aliados os finalizem. Afinal, você não está sozinho nessa guerra.

This is Sparta

Descobrir o novo sistema de batalha foi ligeiramente traumatizante para mim. O jogo segue as mudanças introduzidas em Origins, divergindo drasticamente do passado da franquia. Por eu ter pulado esse jogo específico, não foi fácil começar a demo já no meio da guerra. Tive que aprender os comandos na marra, o que me lembrou bastante da primeira batalha contra Baldur em God of War (PS4).

Inclusive, os comandos se tornam bem intuitivos para quem jogou a última aventura do deus espartano. A grande diferença é que aqui o protagonista se move de maneira mais ágil e menos bruta, mas os controles são similares.  Além dos ataques básicos e da esquiva, é possível usar o arco e diversas habilidades com alguns atalhos.


Algumas habilidades desarmam os inimigos e outras te curam, mas a mais legal com certeza é uma referência direta a um dos momentos mais icônicos do filme 300. Afinal, você não seria um espartano completo se não pudesse chutar pessoas por abismos, assim como Leônidas chuta dramaticamente aquele mensageiro persa em um poço sem fim. Enquanto na demo essas habilidades estavam pré-determinadas, o jogo vai contar com uma extensa "árvore de habilidades" para que você monte o guerreiro que você quiser. Dá inclusive para montar um assassino focado completamente no stealth, como nos jogos mais antigos da série.

Forje sua própria história

Meu tempo com o jogo acabou quando eu consegui vencer a grandiosa batalha, mas é claro que eu precisava jogar de novo para absorver mais do mundo. A missão dessa vez era náutica. Com Kassandra, já comecei bem de frente para um barco. Obviamente o jogo queria que eu embarcasse para começar minha missão, mas para que ficar preso em um barco no pouco tempo que eu tinha com uma ilha enorme para explorar? Então ao invés disso, dei meia-volta, subi num cavalo que estava dando sopa perto de mim e parti rumo ao desconhecido. Chegou a hora de traçar meu próprio caminho.

Livre das amarras da história, finalmente consegui perceber o quão bonito é o mundo do jogo. A ilha que eu estava tinha uma vegetação bastante viva, cheia de flores, morros verdejantes e construções em mármore. Cavalgar por ela também é super agradável. Assim como Origins, controlar o cavalo se comporta de maneira bem similar a The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Wii U/Switch). Segurando um botão, o cavalo começa a seguir sozinho o caminho principal, deixando o jogador livre para atacar com o arco.


Enquanto eu aproveitava a estonteante vista para o mar, o cavalo foi seguindo seu rumo até chegar em uma espécie de forte. Avistei um guarda e tive a brilhante ideia de testar como funciona o combate montado. Muito bem por sinal, mas ainda assim não foi o suficiente quando aquele guarda que eu ataquei chamou reforços. Os guardas afugentaram meu cavalo e me vi rapidamente cercado. Hora do combate tradicional e aquela guerra da minha outra sessão realmente me preparou para isso.

Menos inimigos me ajudaram a perceber o agradável ritmo do combate. Os embates têm essa graciosa troca entre o ataque e a defesa que vem de modo bem natural. Desviar de ataques é também uma parte importante e foi aí que me veio outra similaridade ao combate do mais recente Zelda. Desviar na hora certa, desacelera o tempo por alguns segundos. Quando você está cercado por inimigos, desacelerar o tempo pode ser crucial para planejar melhor seu próximo passo.


Depois de algum tempo apanhando, planejei que meu próximo passo seria fugir. Corri dos inimigos que me seguiram por um tempo procurando meu cavalo, só para perceber que ele havia sumido. Espero que ele não tenha morrido, mas caso tenha: descanse em paz, guerreiro. O jeito era voltar a pé para o início. Já havia explorado o suficiente e queria dar uma olhada na evolução do diálogo.

Caçada Selvagem

Para voltar antes de meu tempo com o jogo acabar, decidi pegar um atalho e desviar do caminho principal subindo um dos morros. Para o meu desespero, tudo que eu consegui foi topar com uma leoa. No desespero, cometi o erro de disparar algumas flechas contra ela. Para que eu fui atiçar a fera?

De repente ela começou a me perseguir  e me atacar e eu comecei a correr desesperadamente. Atirava flecha atrás de flecha, até perceber que meu estoque de flechas era bem limitado. A vida dela estava bem baixa e a minha aljava bem vazia. Estava pensando em parar de atacar e apenas fugir quando surgiu um leão para defender sua amada. Foi aí que eu parei de pensar e só corri.
A vida selvagem marca presença no jogo.


Não demorou muito para que eu chegasse em um vilarejo pouco habitado. Eu havia dado uma volta completa na ilha. Chegando lá, falei com algumas pessoas e pude ver em ação o novo sistema de opções de diálogo. Agora você não simplesmente vê as cenas se desenrolando, mas decide como o seu personagem (seja Kassandra ou Alexios) vai se portar. O jeito como a coisa é apresentada me lembrou bastante The Witcher 3: Wild Hunt (Multi), o que prova como a franquia conseguiu se tornar uma verdadeira experiência de RPG.

Consegui voltar para praia do começo da demo e comecei a falar com o guerreiro que ia explicar minha missão, mas o meu tempo havia acabado. Entre as opções de diálogo, deu para ter uma noção de como vai funcionar o flerte no jogo: bem direto ao ponto. No fim da minha segunda experiência com o jogo, a conclusão que eu cheguei é que além de contar com um roteiro muito bem escrito e experiências únicas na sua trama principal, explorar a Grécia Antiga de Assassin's Creed é igualmente divertido. Tudo pode acontecer e o mundo parece realmente vivo. Se você é um grande fã de RPGs de mundo aberto, esse jogo é para você!

Assassin's Creed Odyssey (Multi) chega às lojas em 05 de outubro para PC, PlayStation 4 e Xbox One. No Japão, o jogo chega também ao Nintendo Switch através da nuvem.


Gabriel Mattos faz joguinhos na UFRJ, quando deveria estar estudando Computação. Estuda computação, quando deveria estar escrevendo. Escreve, quando deveria estar dormindo e não dorme, porque fica sempre no Twitter. Também pode ser encontrado noInstagram.

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