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Análise: Planet Alpha (Multi), uma jornada incrível em um planeta deslumbrante

Explore um mundo fantástico que oferece mais beleza do que jogabilidade.


Você é um astronauta e acorda sozinho em um planeta desconhecido. Sua única opção é correr e investigar o novo mundo que se abre diante de seus olhos, mesmo que por detrás de sua beleza ele esconda muitos perigos. Não, esse não é o enredo de No Man’s Sky - mas bem que poderia ser - e sim de Planet Alpha, o game do estúdio independente de mesmo nome que traz aos jogadores uma jornada surpreendentemente bela e cheia de desafios por um mundo desconhecido.

“It’s a wonderful world!”

O primeiro aspecto que chama a atenção em Planet Alpha é a beleza e riqueza dos ambientes do game. Construído com o auxílio da Unreal Engine, o título usa e abusa dos recursos gráficos que esse motor gráfico de alta qualidade permite aos desenvolvedores. Cada detalhes, desde a grama ondulando até os alienígenas que aparecem voando ao fundo são belos de se ver. Não foram poucas as vezes em que simplesmente deixei meu personagem parado para apreciar a vista.



A beleza do game surpreende ainda mais por se tratar de um jogo ao estilo plataforma, uma vez que esse gênero normalmente não faz uso de gráficos mais detalhados. É possível perceber o esforço dos desenvolvedores em criar uma imersão do jogador no ambiente fantástico de Planet Alpha. Seja em cavernas escuras iluminadas por fosforescência ou em paisagens surreais com plantas gigantes, a sensação de estar em um mundo saído direto da imaginação é quase real.

Porém, a beleza de Planet Alpha funciona como uma espada de dois gumes. Tantos detalhes acabam atrapalhando a jogabilidade. Como seu personagem é um pequeno astronauta em um mundo desconhecido gigantesco, ele pode acabar sumindo em meio a tantos elementos que compõe cada cena do game. Além disso, durante o tempo de gameplay foi possível experienciar quedas de framerates( frames? Ou frame rates?) no PS4, que prejudicaram um pouco a qualidade do game.



Além disso, essa quantidade exagerada de detalhes na tela do game não ajuda o jogador a descobrir como resolver puzzles (que são poucos), pois além de o jogo informar qual botão pressionar para interagir com um objeto não existe nenhuma explicação extra. Dessa forma, o jogador se vê obrigado a investigar cada elemento do cenário até descobrir qual objeto deve utilizar.

Além de atrapalhar a jogabilidade, a beleza de Planet Alpha rouba a cena dos outros elementos do game, como sua história, que é quase inexistente. Tudo que você vai precisar saber sobre a trama do jogo é que você é um astrounauta perdido em um planeta misterioso invadido por robôs assassinos e que precisa chegar ao centro do mundo para escapar. Existem elementos escondidos como civilizações antigas e outros detalhes, mas eles são ofuscados pelo visual do game.



Percebe-se em Planet Alpha a intenção dos desenvolvedores em contar uma história apenas com o visual do jogo, assim como Journey, Limbo e Inside fizeram. Mas quando a aparência em si não conta nem transmite nenhuma informação ao jogador além da beleza em si, o plano acaba falhando. Quando eu cheguei ao fim da minha jornada simplesmente não havia nenhum momento único que tivesse ficado na minha memória ou algo que tivesse me marcado sobre o game todo em si.

Muito para se ver, pouco para se jogar

Mas além de seu visual, existe algo em Planet Alpha que o consegue diferenciar de tantos outros games de plataforma do mesmo estilo? Sim. Muitos dos puzzles você vai resolver interagindo com objetos, mas uma parte deles será através do controle do horário do dia. Essa mecânica é útil para controlar o crescimento de certas plantas e também para controlar partes móveis do planeta e permitir que você continue em sua jornada.



Infelizmente essa mecânica nem sempre fica muito clara de como ser utilizada no game, então parece mais uma tática de tentativa e erro. Tanto é que no início você somente pode utilizar seus estranhos poderes em certas plataformas, mas o jogo logo abandona essa ideia por, talvez, falta de criatividade em criar puzzles mais elaborados, então simplesmente deixa o poder ao bel prazer do jogador para utilizar quando quiser.

Em boa parte da jornada do protagonista por Planet Alpha ele irá apenas correr e pular. Existem alguns desafios que obrigam o jogador a utilizar uma estratégia mais furtiva para fugir de robôs assassinos ou animais que representam a vida hostil do mundo. Porém, mesmo esses segmentos não são muito complicados e ficam meio deslocados do resto da jogabilidade do game. Como se eles tivessem sido inseridos apenas porque não haviam mais ideias de como utilizar a mecânica de mudar o horário do dia.



Outro aspecto estranho de Planet Alpha é a ausência de uma trilha sonora de fundo. Mesmo games de plataforma em que ele se inspirou como Journey ou Inside possuem uma leve música tocando ao fundo e uma melodia mais intensa para valorizar algum momento mais importante do game. Porém, não existem melodias de fundo em Planet Alpha, ficando os únicos sons do game por conta do ambiente, como o farfalhar das folhas ao vento, animais ruminando ao longe ou insetos andando por cavernas. Eles criam uma boa ambientação para a aventura, mas falham em prender o jogador ao jogo, fazendo com o que o título fique cada vez mais com um jeito de “walk simulators”.


Um mundo quase perfeito

Se Planet Alpha fosse um game que conseguisse se sustentar apenas por seu aspecto gráfico e visual, ele seria um título surpreendente. Porém, nem mesmo as cores vívidas e elementos visuais estonteantes são capazes de esconder as falhas do jogo. Com uma mecânica subutilizada, falta de uma trama mais elaborada e de elementos em gera,l que criassem uma aventura mais completa e concisa, Planet Alpha é um game de plataforma puzzle interessante, mas que certamente você irá esquecer tão logo alcance o final da jornada.


Prós

  • Visual belo, rico e detalhado.

Contras

  • Mecânica de mudança do horário pouco utilizada;
  • Muitos detalhes ofuscam o personagem;
  • História pouco desenvolvida.
Planet Alpha - PS4/Xbox One/PC/Switch - Nota: 6.0Versão utilizada na análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Team17

Revisão: Diogo Mendes
Luis Antonio Costa escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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